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No novo espaço, o quarto da marca, também não faltam os clássicos pães de queijo, empadas e açaí. No Restelo, o negócio familiar ganhou mais espaço para produzir e inovar.

Quando Pedro Bento era miúdo e corria atrás do balcão da Raio Laser – Pastelaria e Lanchonete Lda, em Belém, já sabia que, um dia, queria pegar no negócio da família. O que ele não imaginava é que aos 34 anos podia estar a inaugurar o quarto espaço. A Lanchonete acaba de abrir no Restelo e pretende ser um espaço de inovação que vai complementar a oferta de sabores brasileiros que tornou a marca conhecida.
Depois de se ter juntado à pastelaria dos pais, em 2019, de ter renovado a imagem e o nome (que passou a ser simplesmente A Lanchonete), Pedro expandiu o conceito para Benfica (2021) e para a Parede (2023). O espaço de produção na casa mãe, em Belém, começou a ser demasiado pequeno e foi por isso que começou a procura por uma nova localização. “Na verdade, só procurávamos mesmo um sítio para produção, mas encontrámos esta confeitaria e percebemos que o piso de cima podia ser um bónus”, explica à Time Out.
No piso inferior, a cozinha tem espaço para quatro fornos, uma câmara frigorífica e mais umas quantas máquinas novas que hão-de chegar entretanto. A mudança é recente, mas isso não se nota no piso de cima, onde uma cozinha mais pequena dá apoio a uma zona com balcão que serve os 25 lugares, divididos pelo interior e pela esplanada. Chama-se Atelier d’A Lanchonete e não apenas A Lanchonete porque a ideia aqui é poder testar, sem medos. O que funcionar poderá juntar-se, depois, à carta dos outros espaços.
Esta novidade é uma das coisas que mais entusiasma Pedro, que sentia falta de "ter tempo e espaço para fazer umas brincadeiras”. Há sempre um bolo do dia, desde banana bread a coco molhado (o preço da fatia varia consoante a receita). “Há uns dias tivemos bolo de laranja com chocolate. Desapareceu nesse dia, por isso hoje pedi à Kelly [Barreto, o braço direito na cozinha] que repetisse. Também já desapareceu.”
Os clientes habituais d’A Lanchonete podem ficar descansados porque no menu do Restelo cabem também os clássicos, como o pão de queijo (4,50€ quatro unidades), cuja receita é do pai, José Bento. “O meu pai veio para a abertura e foi ele que fez as fornadas de pão de queijo.” O pudim de leite condensado (3,80€) e o bolo brigadeiro (3,80€), receitas da mãe, também lá estão, intocáveis. “Em todas as minhas festas de aniversário havia esse bolo, não falhava.”
Entretanto, juntou-se à carta o bolo de cenoura com brigadeiro (3,80€), fofo por fora e cremoso no centro; e o bolo de milho (3,20€). “Esta receita é uma adição da Kelly. Não sabíamos se ia resultar, não é muito comum, mas o certo é que as pessoas têm gostado, portanto mantém-se.” Imagine uma broa de milho: a textura é exactamente essa. Húmida e com um granulado suave que se desfaz na boca. É doce, mas não muito, e vai conquistando pontos a cada garfada. Há ainda palha italiana (2,5€), de brigadeiro ou leite Ninho. A primeira parece salame, mas é cortada em quadrados grandes e feita com brigadeiro e a segunda leva leite condensado e leite Ninho.
Outra das possibilidades no Restelo é poder chegar e levar um bolo inteiro, mesmo sem encomenda. “É a vantagem de termos um espaço maior. Antes podíamos até conseguir produzir, mas não tínhamos onde armazenar. Agora, por exemplo, tenho as fatias de Bolo de milho a acabarem, mas tenho outro inteiro lá em baixo pronto para subir. Se chegar um cliente e quiser um bolo inteiro, eu posso vender-lho, porque rapidamente o reponho.”
Exclusivo deste espaço é também o brunch. Para já, não há menu, mas as ofertas são generosas. As opções no pão, que é da padaria artesanal doBeco, servem-se com salada ou chips de batata doce. O bagel de carne seca (10,50€) é feito com uma carne que vai sendo cozinhada e desfiada num processo que dura dois dias, exatamente para lembrar a carne brasileira. É acompanhado por cebola roxa, rúcula e requeijão cremoso. O minas (9,50€) em pão de fermentação natural, junta queijo fresco, ovos mexidos cremosos e tomate seco. O queijo coalho (11€) é um bagel que leva, como o nome indica, queijo coalho, tão típico do Brasil, ovo estrelado, pasta de abacate e rúcula. Em pão francês, a mercadão (12€) leva mortadela de Bolonha IGP, queijo e mostarda Dijon, e é uma espécie de homenagem a uma tradição de família. “Sempre que vamos a São Paulo temos de ir ao mercadão, o mercado municipal, comer um clássico com mortadela. Mas é uma camada tão grande de mortadela que é quase impossível comer aquilo sozinho. Aqui quisemos apresentar uma versão mais fácil de comer, mas sempre com mortadela de qualidade, italiana.”
Na secção de brunch há ainda tapiocas, acompanhadas com salada ou com sopa do dia – podem ser de carne seca (12€), frango e palmito (10€) ou abacate e ovo (11€).
Se não houver fome para tanto, há outras escolhas que não vão desiludir. A empada de frango, milho e azeitona (2,50€) é feita com massa podre, uma versão folhada, leve e estaladiça que é servida morna e aconchega o estômago. A coxinha de frango (2,50€) e o pão na chapa (3€), barrado com requeijão cremoso, também lá estão.
Num espaço com alma brasileira não podia faltar o açaí. A versão pequena (7,50€) tem duas frutas, granola caseira e mel ou leite condensado e a opção grande (10,5€) junta três frutas, granola caseira, lascas de coco, sementes, mel ou leite condensado. Há outros ingredientes que podem ser acrescentados por mais 1€.
Inaugurada em 1986, a primeira "Lanchonete" foi o projecto de vida da família Bento. O pai, José, começou a trabalhar aos 12 anos no Brasil, onde estava emigrado. Passou por padarias e lanchonetes em São Paulo e foi lá que conheceu Paula, uma lisboeta. Casaram, tiveram uma filha e decidiram regressar. Pedro, o segundo filho, já nasceu em Portugal, mas a ligação com o país onde os pais viveram 25 anos nunca se perdeu – aliás, a mulher de Pedro é carioca. Desde miúdo que, nas férias ou quando tinha tempo livre, ajudava no espaço, mas quando terminou o curso de Gestão, seguiu o próprio caminho. Trabalhou na Sumol+Compal, na Heineken e, em 2019, decidiu que estava na hora de agarrar o negócio da família. “Sempre soube que queria fazê-lo e não quis esperar que fosse uma inevitabilidade, quando os meus pais não pudessem continuar por algum motivo, ou uma coisa à pressa.”
Os pais confiaram desde o primeiro minuto, até quando não perceberam bem as ideias de Pedro. “Uma vez disse ao meu pai que devíamos tornar o espaço pet friendly, ele perguntou o que era isso, mas aceitou logo. No dia seguinte cheguei lá e ele já tinha retirado a placa [que proibia a entrada a animais].”
Todas as manhãs, o Atelier d’A Lanchonete é invadido por um aroma intenso a café. A responsabilidade é da máquina que faz ali mesmo a torra. “Os grãos vêm com uma primeira torra, mas terminamos o processo aqui. Temos café do Brasil, da Etiópia e da Colômbia. O cliente pode escolher o que prefere ou optar pelo blend do dia.”
Com esse café de especialidade faz-se o Espresso (1,20€), o Americano (1,50€) ou o Café coado (4,50€). Há quem opte também por levar para casa. Cada saco de 250 gramas custa 10€, em grão ou moído na hora – o processo demora cerca de dez minutos.
Além do café, há Matcha Latte (4,50€), Chai Latte (4,80€) ou Kombucha (4€). Os sumos são naturais e variam entre a oferta do dia (2,90€), a limonada de maracujá (2,6€) e o suco verde (4,5€), com sumo de laranja, polpa de cajú e espinafres. Para fazer uma viagem rápida às praias do Rio de Janeiro, o melhor é escolher o matte leão com limão (2,50€).
Para já, as portas estão fechadas ao domingo, mas é possível que isso venha a mudar. “Vamos esperar um pouco para ver o movimento nesta zona.” O objetivo agora é consolidar a marca A Lanchonete e inovar, tirando partido do potencial do Atelier. Porém, Pedro Bento já sonha com os passos futuros. “Gostava de sair de Lisboa e explorar outras localidades de Portugal.” E A Lanchonete no Rio de Janeiro? “Ah, isso seria o sonho.”
Avenida da Ilha da Madeira, 45A, Restelo. 213 010 499. Seg-Sáb 09.00-18.00
O chef Pedro Pena Bastos concretiza o sonho de ter um restaurante "mais próximo" e português – sentámo-nos com ele à mesa do Broto. Já o grupo do Praia no Parque abriu um novo espaço na Linha: chama-se Bugio e tem uma carta inspirada no Mediterrâneo. Mas há mais: a emblemática Bica do Sapato, em Santa Apolónia, ganhou uma nova vida. Está em soft opening e promete muitas novidades para o futuro.
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