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Arte, Prémios Fundação EDP, Um Oásis ao Entardecer
©Gonçalo Rosa/Fundação EDP

A nova exposição do maat celebra a arte contemporânea portuguesa

Os Prémios Fundação EDP fazem 20 anos e a festa vem em forma de exposição que junta galardoados de várias edições e obras inéditas. Contamos-lhe tudo.

Por Maria Monteiro
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Ao virar do milénio, o mercado de arte português estava longe de ser o espaço dinâmico, sólido e múltiplo que é hoje. Eram menos as galerias e as premiações nas artes visuais eram ainda muito residuais. A criação do Grande Prémio Fundação EDP Arte e do Prémio Novos Artistas Fundação EDP, em 2000, veio agitar significativamente o panorama artístico nacional. Por um lado pretendia-se reconhecer a obra de artistas consagrados e, por outro, revelar novos talentos e possibilitar a continuação da sua investigação e produção artística.

Nas últimas duas décadas, os dois prémios têm constituído um apoio essencial ao desenvolvimento e apresentação de trabalho de sucessivas gerações e à sua internacionalização – ainda mais relevante num país com escassa iniciativa privada no que diz respeito à arte e à cultura. “Um oásis ao entardecer” é a exposição que assinala os 20 anos dos Prémios Fundação EDP e junta pela primeira vez obras dos artistas galardoados nas várias edições de ambos os prémios, no Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (maat), em Lisboa, até 18 de Fevereiro.

Arte, Prémios Fundação EDP, Um Oásis ao Entardecer
©Gonçalo Rosa/Fundação EDP


“Esta não é de todo uma exposição retrospectiva ou documental”, acautela Inês Grosso, que assina a sua curadoria com Rosa Lleó. Não se procura passar em revista a história dos prémios e mostrá-la de forma cronológica. Prova disso é que, entre o lote de obras expostas, só há uma que foi premiada, segundo a curadora. A selecção apresentada é uma mistura de trabalhos pré-existentes que fizeram sentido nesta proposta curatorial, obras novas que dão seguimento ao percurso de determinado artista ou, ainda, inéditos que resultam do diálogo e da interacção entre artistas de várias gerações e linguagens.

“Queríamos proporcionar encontros visuais e conceptuais entre eles e trazer para a exposição afinidades formais e temáticas”, explica Inês Grosso. A necessidade de engendrar uma “narrativa curatorial absolutamente horizontal” evidenciou-se durante o processo de concepção e planeamento do projecto, coincidente com os meses de confinamento e, por isso, feito maioritariamente através de ecrãs. “Estávamos todos fechados a falar constantemente e percebemos que não nos interessava fazer uma exposição compartimentada.”

Face a um “mundo mais fracturado”, nos sentidos literal e figurativo da palavra, as curadoras decidiram avançar com um conceito colaborativo e integrado. Mais: desafiaram os artistas a ”olhar a ideia de contaminação, associada à evolução da pandemia, de uma forma positiva”. “Queríamos perceber se estariam interessados em colaborações ou em fazer trabalhos que, de alguma forma, citassem e se apropriassem uns dos outros”, diluindo-se, assim, fronteiras geracionais, hierárquicas ou estilísticas.

Arte, Prémios Fundação EDP, Um Oásis ao Entardecer
©Gonçalo Rosa/ Fundação EDP


Deram-se, assim, vários cruzamentos entre nomes do Prémio Novos Artistas e do Grande Prémio. André Romão, vencedor do primeiro em 2007, mostrou-se entusiasmado por criar a partir do trabalho de Lourdes Castro, vulto da arte contemporânea portuguesa e vencedora do segundo em 2000. “O André disse-nos que passou a usar plexiglas em vez de acrílico por causa da Lourdes”, conta Inês Grosso. A curadora acompanhou o artista à Madeira para que pudesse conhecer e conversar com aquela que foi a referência do seu projecto.

Já Vasco Araújo, galardoado com o Prémio Novos Artistas em 2002, referiu ser “um grande admirador da obra de [Mário] Cesariny”, distinguido com o Grande Prémio no mesmo ano. “Mostrámos-lhe várias pinturas de Cesariny sobre os marinheiros e as linhas de água e, a partir daí, o Vasco criou quase uma ficção que referencia excertos de poemas seus.”

Além dos inéditos “contaminados”, houve artistas a fazer trabalhos novos que dão continuidade à sua prática artística. Diana Policarpo traz uma nova instalação sobre um fungo que cresce no centeio, da família do Cordyceps, que lhe valeu o Novos Artistas em 2019; Ana Santos fez uma nova escultura “que é uma variação de estruturas tubulares que tem feito”; e Claire de Santa Coloma, retida em residência artística na Austrália, enviou fotografias das suas esculturas “em lugares importantes para ela durante o confinamento”.

Há, ainda, obras pré-existentes de artistas como Ana Jotta, Eduardo Batarda ou Álvaro Lapa numa exposição em que a arquitectura de Diogo Passarinho assume um papel fundamental. “Queríamos que fosse um elemento unificador e organizador das várias partes”, descreve Inês Grosso. Configurou-se, assim, uma “arquitectura fluida e orgânica” que condiz com o oásis do título. “No momento em que tudo estava parado, esta foi a nossa ideia de refúgio e esperança.”

maat. Avenida de Brasília (Belém, Lisboa). Qua-Seg 11.00-19.00. 5€.

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