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Bada: é uma casa coreana, com certeza

Haebin Moon mudou-se para Lisboa há um ano e abriu um snack-bar coreano no Intendente. É lá que cozinha especialidades do país-natal, como tteokbokki, e apresenta cocktails únicos.

Beatriz Magalhães
Escrito por
Beatriz Magalhães
Jornalista
Bada
Rita Chantre | Haebin Moon com o seu cão à porta do Bada
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É fácil dizer quando nos sentimos em casa. Mas nem sempre conseguimos explicar a origem dessa sensação. Por vezes, sentimo-lo em sítios onde nunca estivemos ou com pessoas que não conhecemos, daí que nem mesmo nós sejamos capazes de perceber porque estamos a sentir algo tão familiar. Quando entrámos no Bada, foi isso que sentimos que estávamos em casa. Não na nossa, mas na de Haebin Moon. Talvez tenha sido porque o espaço é pequeno e bastante simpático ou porque Haebin nos recebeu de braços abertos e nos deu a provar as suas melhores especialidades coreanas, como se estivéssemos mesmo em sua casa. Bem, de certa forma não está muito longe disso. 

A história do Bada começa com uma viagem. Haebin nasceu em Seoul, na Coreia do Sul. Na escola, estudou música, mas acabou por seguir um rumo diferente e há 12 anos que é bartender. Em Seoul, tem um bar de cocktails e aperitivos de inspiração italiana. Há cerca de sete, oito anos teve vontade de ver o que a esperava fora do país, então foi viajar pelo mundo. Esteve em Melbourne, na Austrália, e também em Dublin, na Irlanda, até que decidiu assentar em Lisboa. “Na Coreia, é tudo muito competitivo, as tendências mudam rapidamente e já estava a ficar cansada. Queria ter uma vida mais calma, então vim para cá. Adoro o tempo e as pessoas são muito amigáveis”, começa por dizer a coreana de 35 anos.

Bada
Rita ChantreCocktail Bada, com vodka, maracujá, lima, hortelã, flor de sabugueiro e preparado com clarificação com leite
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Rita ChantreCocktail Matcha High, com soju, matcha, chocolate branco e nata

Chegou há um ano, não só com a vontade de desacelerar o estilo de vida, mas também com uma ideia muito clara abrir um snack-bar coreano. “Para ser honesta, não foi fácil. O preço das rendas é muito alto. Demorei oito meses para encontrar um lugar com um bom preço e boa localização”, explica. O espaço, que fica na rua Damasceno Monteiro, perto do Mercado do Forno de Tijolo, inaugurou no Verão, onde antes ficava um café. O nome, Bada, está ligado à história da bartender. “Chama-se Bada porque a palavra significa oceano e eu vim do outro lado do oceano. E o meu nome, Haebin, também significa oceano brilhante.” 

Permanecem alguns vestígios do antigo negócio, como as paredes de mármore, mas grande parte das obras ficou a cargo da proprietária. Além de colocar um novo pavimento de madeira na zona da entrada, construiu o balcão em forma de L, também de madeira, que está voltado para a cozinha aberta. É, na verdade, uma mini cozinha, sem fogão ou forno, onde finaliza os pratos e prepara as bebidas. No fundo do bar, há uma sala com mesas e lugares sentados. Contudo, se quer sentir-se em casa, nada como sentar-se ao balcão. É da forma que fica a conhecer melhor a bartender e até o seu cão, Ziggy, que vai caminhando de um lado para o outro, sempre atento aos movimentos da dona.

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Rita Chantre
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Rita ChantreHaebin a preparar um cocktail

“As pessoas costumam sentar-se e beber alguma coisa. Costumam vir aqui conversar comigo. Estão interessadas em saber mais sobre a cultura coreana e sobre a comida. Vêm sozinhas e falam comigo. É um lugar sociável”, diz, contando que já tem uns quantos clientes regulares. São principalmente locais do bairro e estrangeiros a viver na cidade. Como, segundo Haebin, não há quase nenhum restaurante coreano autêntico em Lisboa, a procura é maior. 

Tendo em conta que é um snack-bar, a carta é simples e acaba por ter mais bebidas do que pratos. Começamos com um copo de soju, bebida alcoólica típica coreana, feita a partir de arroz e parecida ao sake, explica-nos a proprietária. Há de diferentes sabores, como flor de camélia e yuja, fruta cítrica coreana. São importados da Alemanha e os preços variam entre os 3,50€ e os 7,50€ ao copo. As garrafas vão dos 16€ aos 38€. Juntam-se licores, cervejas, opções não-alcoólicas (chá, latte, limonada) e cocktails de assinatura.

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Rita ChantreCamarão marinado em molho de soja
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Rita ChantreTteokbokki

Estes são cinco e custam 9€. Na visita da Time Out, tivemos oportunidade de provar o Bada, com vodka, maracujá, lima, hortelã e flor de sabugueiro, preparado com leite, uma técnica centenária de coquetelaria; e o Matcha High, que leva soju, matcha, chocolate branco e nata. Já o Maesil Old-Fashioned é feito com whisky de sésamo, xarope de ameixa oriental e bitter de ameixa (mistura que leva especiarias); o K-negroni tem gin, licor de framboesa negra coreana e Campari; e, por fim, o Yuza Spritz leva yuzu, licor de pêssego, espumante e água com gás.

Para comer, o tteokbokki (7,50€) é uma das propostas mais populares. Os pequenos bolos de arroz que, pela textura e forma, fazem lembrar gnocchi, são preparados com pasta de malagueta, molho de ostra, soja e queijo. A outra é o tuna mayo rice (10€), prato de arroz e atum que leva soja, wasabi, pickle de nabo e alga nori. Um dos favoritos de Haebin (e um dos nossos também) é o camarão marinado, ao longo de três dias, em molho de soja (7€). A sopa de carne de vaca com rabanete, alho francês e molho de soja (5€) não tem como enganar, especialmente nos dias mais frios. Salta ainda à vista uma especialidade coreana bem picante, a lula fermentada com rabanete (7,50€), e, claro, o kimchi caseiro (1,80€).

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Rita ChantreKimchi
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Rita ChantreLula fermentada

A carta completa-se com a salada de tofu (6,50€), o pepino com miso (4,50€), as sardinhas com pasta de malagueta e molho de peixe (8,50€) e a massa instantânea com kimchi (6,50€). Os pratos vão mudando de acordo com as estações do ano. No final do Inverno, sai, por exemplo, a sopa de carne de vaca para entrarem opções mais frescas.

Um dia, Haebin talvez venha a ter um outro restaurante, maior do que o Bada. “Seria bom. Gostava de o fazer com um amigo português”, confessa. Mas ainda é demasiado cedo para pensar nisso. Agora, diz estar 100% focada neste seu pequeno snack-bar. Chega-lhe e está feliz. Ainda bem para nós, que assim temos uma nova casa aonde ir comer.

Rua Damasceno Monteiro, 104C (Intendente). Ter-Sáb 18.00-23.00

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