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Biblioteca, Biblioteca de São Lázaro, Livros
©Joana FreitasBiblioteca de São Lázaro

Biblioteca de São Lázaro agora tem uma secção de livros LGBT

A nova secção LGBT da biblioteca de Arroios foi uma ideia de António Serzedelo. Mas há quem ainda tenha “muita vergonha” de tirar estes livros do armário.

Por Clara Silva
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A Biblioteca de São Lázaro, em Arroios, é a mais antiga da cidade de Lisboa. E talvez a mais bonita. Agora ganhou outro rótulo: é também a mais queer do país. Desde o final de Setembro que tem uma secção de livros LGBT, uma ideia que António Serzedelo andava a tentar pôr em prática há algum tempo.

O antigo presidente da Opus Gay (agora Opus Diversidades) e vogal da Junta de Freguesia de Arroios achou que estava na altura de dar a conhecer livros queer. “Há muita literatura sobre esta temática que é desconhecida dos portugueses, dos próprios gays e dos heteros”, diz. “É bom trazer a novidade para a cultura portuguesa através de uma biblioteca com espírito universalista.”

António Serzedelo, Opus Diversidades
©Inês Felix


Fundada em 1883, a biblioteca ainda conserva mobiliário dessa época e tem um belíssimo Salão Nobre, o seu ex-líbris, com uma sala hexagonal. Com mais de 20 mil documentos disponíveis para consulta, ganha agora novos títulos LGBT. “Livros de poesia, romances, livros de anedotas, livros de design, de ciência…”

“Há muita gente que disse que ia mandar livros, mas ainda não o fez, acho que por medo do coronavírus”, diz António. Aceitam-se doações de livros sobre estes temas e o próprio António doou alguns da sua colecção, como o de ilustração de Tom of Finland ou a Antologia de Literatura Homoerótica Portuguesa, com textos de 50 autores. “Tenho muita dificuldade em separar-me dos livros, mas não os consigo ler todos.”

Pelos vistos, há cada vez mais livros sobre o tema em português. “Muitos sobre a transexualidade, sobre travestismo, análises sobre o comportamento e a libertação das mulheres…” Mesmo assim, ainda há quem tenha “muita vergonha” de tirar estes livros do armário. “Os gays porque pensam ‘se estou a ler vão ver que sou’. Os heteros que querem poder informar-se, como é normal, têm medo que outros pensem que têm outra identidade sexual só porque estão a ler.”

O objectivo é que no futuro, assim que haja condições, aconteçam ali também tertúlias e debates sobre estes livros.

Rua do Saco, 1 (Arroios, Lisboa). Seg-Sáb 11.00-13.00/ 14.00-19.00.

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