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CAL: a nova casa da companhia Primeiros Sintomas

Por Miguel Branco
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O CAL – Centro de Artes de Lisboa, na Rua de Santa Engrácia, é a nova casa da companhia Primeiros Sintomas. Fomos conhecer o espaço à boleia de Bruno Bravo e mostramos os cantos da casa. 

Prédio, prédio, prédio. A Rua de Santa Engrácia, entre Santa Apolónia e a Graça, é betão e aquela pinta totalmente residencial, sem cafés nem saída. Pelo menos para os carros, porque para os Primeiros Sintomas a saída é precisamente aqui, no número 12A. 

Levanta-se o portão branco de garagem e não há automóvel algum em repouso. É o CAL – Centro de Artes de Lisboa, a nova casa da companhia que assim abandona a Ribeira, espaço que ocupou nos últimos sete anos. Uma pérola escondida, tesouro recuperado à artista Adriana Queiroz, que nos anos 90 fundou e dinamizou um lugar multifuncional, perfeitamente equipado, com recursos técnicos prontos a usar, estúdios prontos a arrendar. Uma nova vida para a equipa liderada por Bruno Bravo e, no limite, para Lisboa, que ganha um novo teatro. 

A mudança para esta morada aconteceu a meio de Dezembro – material de escritório e figurinos às costas – e embora já fosse uma nuvem presente na cabeça do director artístico, houve uma série de interligações simultâneas que quase pareciam uma espécie de alinhamento cósmico: “Fomos convocados pelas senhorias da Ribeira para uma reunião e foi algo assustador perceber que queriam que saíssemos. O Cais do Sodré entretanto valorizou imenso. Ao mesmo tempo, há três anos que andávamos a considerar sair da Ribeira. Apesar de ser um lugar muito importante para nós tem uma plateia de 20 lugares e isso é difícil de rentabilizar. No meio disto, a Adriana Queiroz contactou-nos a dizer que ia sair, se queríamos arrendar o espaço e assim foi”, explica. 

Fotografia: Manuel Manso

Pois agora 20 vira 80, num auditório mesmo à entrada do CAL, depois de subida uma mini-rampa que reforça a ideia de garagem criativa, com cadeiras de várias cores. A visita guiada segue para o hall, onde o público deverá esperar que os espectáculos arranquem. Em frente os escritórios, onde também existe a ideia de uma pequena biblioteca dedicada a livros de teatro. Nas laterais, estúdios e salas de ensaios de várias dimensões, insonorizados, casos de banho com chuveiro, sala de figurinos, camarins, tudo a que têm direito. Como é natural, esse direito tem um preço que os Primeiros Sintomas pretendem equilibrar  com outras estratégias que não conseguiam implementar na Ribeira. “É um bocado assustador, devido à dimensão do investimento. Mas vamos abrir o espaço para aluguer, para ensaios e tudo mais, o que responde a uma necessidade da cidade, mas também a coisas menos teatrais, empresas, castings, o que for. Por outro lado, permite-nos cimentar a ideia de escola, com a nossa Oficina de Teatro, que arranca já em Janeiro, e que aqui pode ter duas ou três turmas”, afirma Bruno Bravo. 

Fotografia: Manuel Manso

Ele que é o homem do leme de uma estrutura que celebrou em 2017 os seus 15 anos de vida. E que vida. De um nomadismo inicial, saltimbancos de vários espaços menos convencionais ou de teatros mais comuns, os Primeiros Sintomas fixaram-se na Ribeira em 2010. “Ao contrário do que muita gente faz neste momento, achamos essencial ter o nosso espaço físico, para conseguir ter maior independência”, diz, “E o que queremos fazer aqui é a continuação do nosso trabalho na Ribeira, mas com melhores condições. Portanto, imagino que teremos mais espectáculos dos Primeiros Sintomas. Repara que nos últimos sete anos fizemos apenas três produções na Ribeira, era difícil. Ao mesmo tempo interessa-nos manter a ideia de acolhimento, o CAL permite-nos isso, estamos muito bem equipados a nível técnico”. 

E já que estamos quase a dobrar o cabo de 2017, diga-se que foi um ano recheado de coisas boas para os Primeiros Sintomas. Celebraram 15 anos de actividade, estrearam na Ribeira A História Assombrosa  de Como o Capitão Michel Alban Perdeu o Seu Braço, em Maio, e Lear, que foi o espectáculo de abertura de temporada do Teatro Nacional D. Maria II, em Setembro. E, por fim, mudaram de casa, naquele registo que já permite ter um quarto e pensar em ter filhos. “Estamos vivos e com fome”, conclui Bruno Bravo. Ui, cautela. O aumento do apetite é o primeiro sintoma. 

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