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Conheça os projectos mais verdes do Orçamento Participativo de Lisboa

Escrito por
Renata Lima Lobo
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Até 28 de Abril estão abertas as urnas, electrónicas e em papel, para mais uma edição do Orçamento Participativo de Lisboa. Em dez anos, foram apresentadas 6204 propostas de cidadãos, 1957 projectos chegaram a votação e 120 foram premiados.

Para a 11.ª edição estão reservados 2,5 milhões de euros, que aguardam os resultados das votações em mais 123 propostas que já pode conhecer melhor na plataforma online www.lisboaparticipa.pt.

As votações abrem numa semana em que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa avança com um novo e grande projecto verde para a cidade: os descampados junto à biblioteca de Marvila afinal vão ter — a pedido de um grupo de moradores dos bairros Marquês de Abrantes e Quinta dos Alfinetes — um jardim, um campo de jogos e um pavilhão desportivo em vez da planeada habitação de renda acessível, segundo avança O Corvo esta segunda-feira. Segundo o jornal online a proposta ainda deu entrada, em Dezembro, nesta edição do Orçamento Participativo, mas ao que parece já não precisa de ir a votos.

Numa altura em que Lisboa faz o caminho para ser a Capital Verde Europeia, na lista das propostas que ainda contam consigo encontra 23 propostas com "selo verde", uma distinção que ajuda a filtrar na plataforma online as ideias mais amigas do ambiente para o concelho. Conheça melhor algumas:

Requalificação do Largo Barão Quintela
Segundo o blog Lisboa de Antigamente, foi o barão Joaquim Pedro Quintela (que morava no que é hoje o Palácio Chiado) que em 1788 mandou terraplanar esta área onde se erguiam alguns casebres para construir um largo. Decorado a palmeiras, inclui uma réplica em bronze de estátua em pedra de Eça de Queiroz inaugurada em 1903 (o original, vítima de vandalismo está à guarda do Museu da Cidade desde 2001). Pois bem, há duas propostas que querem dar nova vida ao largo com o alargamento dos passeios, eliminação dos lugares de estacionamento, colocação de outro tipo de piso em volta da estátua de Eça de Queiroz e bancos de jardim (só há uns de pedra no passeio). Propõem ainda o corte do trânsito no largo, ficando a circulação automóvel destinada apenas a residentes na Rua das Flores e na Travessa Guilherme Cossoul.

Reconversão de zonas ajardinadas em Hortas Comunitárias com centros de compostagem
Em 2011, a Câmara Municipal de Lisboa inaugurou os primeiros dois parques hortícolas municipais — Quinta da Granja com 56 talhões e Jardins de Campolide com 22 talhões — e hoje o número já vai em 18 parques hortícolas espalhados pela cidade, servindo centenas de famílias. São atribuídos mediante concurso público divulgados pela CML (em www.cm-lisboa.pt), juntas de freguesia ou associações de moradores. A Quinta Pedagógica dos Olivais é um desses parques e recebeu recentemente um compostor comunitário. Mas não chega, pelo menos para os autores de duas propostas que passam pela criação de centros de compostagem em hortas comunitárias já existentes e aproveitar a medida para transmitir conhecimentos e boas práticas na área da agricultura urbana.

Sistema Integrado de Sinalização e Orientação Pedonal
As trotinetas e as bicicletas estão na moda, mas poucos falam em andar a pé. O que é estranho se tivermos em conta que o bipedismo foi a forma de mobilidade mais disruptiva da história da humanidade, separando-nos dos restantes primatas. Mais uma vez, existem duas propostas alinhadas, desta vez no sentido de polvinhar a cidade com sinaléctica de rua que promova não só a mobilidade à boleia dos transportes públicos, mas também pedonal. Alguma coisa já começou a ser feita na zona das Avenidas Novas, mas uma das propostas sugere mesmo que seja implementada em Lisboa um projecto semelhante ao londrino Legible London. Um sistema integrado de sinalização e orientação pedonal que ajuda residentes e visitantes a orientarem-se na cidade, a planearem o caminho mais rápido do ponto A ao ponto B, a descobrir novos caminhos e espaços e também conectividades entre diferentes meios de transporte. Assim já fica com a papinha toda feita, só tem de pôr um pé à frente do outro e fazer-se ao caminho. O que se faz caminhando.

Mercado Semanal no Bairro da Liberdade
O tema das hortas urbanas tem mais um talhão neste Orçamento Participativo. A proposta é simples: a criação de um Mercado Semanal no Bairro da Liberdade, em Campolide, mesmo ao lado do Aqueduto das Águas Livres. Ao aproveitar os produtos que brotam das hortas urbanas já existentes, a população local não teria de se deslocar a outras zonas da cidade para comprar os produtos mais frescos, acabadinhos de colher.

Quiosques informativos junto a abrigos da Carris
A esta proposta o Orçamento Participativo acrescentou outra chamada “Fechar as Paragens de autocarro e deixá-las maiores”. E casam muito bem. A primeira propõe a alimentação a energia solar dos ditos quiosques informativos com venda de títulos de transporte e a segunda paragens de autocarro fechadas e com ar condicionado. Que isto do aquecimento global não perdoa e tem-nos apanhado desprevenidos. Ora está chuva, ora está sol, ora as duas coisas.

+ Leia a edição da Time Out Lisboa que sai esta quarta-feira sobre os projectos e negócios mais sustentáveis de Lisboa.

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