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"E todas as Crianças São Loucas": o barco vai de saída

Por Miguel Branco
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E não deseja chegar. E Todas As Crianças São Loucas é a estreia da nova companhia As Crianças Loucas, a partir de sexta-feira na Escola de Mulheres. É levar o salva-vidas e saltar com os rapazes. 

Capitão que é capitão tira os sapatos na entrevista de emprego. Não, não tira. Só que isto também não é bem uma entrevista de emprego, é a escolha de uma tripulação para uma missão que nunca existiu, cujo objectivo é aniquilar o Coronel. E é claro que o Coronel também não é um Coronel, é uma figura tenebrosa de que só ouvimos falar, é a vida. 

Um barco, invertido ou suspenso, e que bem podia ser o esqueleto de um dinossauro, convoca a epopeia. Quem a cumpre são cinco crianças (ou cinco actores) que remam anseios para chegar ao fim do rio ou jogam aos barcos num sótão qualquer, nunca se sabe bem. Eis o enredo regado a maionese de E Todas as Crianças são Loucas, espectáculo de estreia de uma nova companhia chamada As Crianças Loucas, para ver na Escola de Mulheres até 17 de Dezembro. 

E se Fausto Bordalo Dias se baseou em Fernão Mendes Pinto para subir este rio que é a existência humana, As Crianças Loucas (estrutura composta por Bruno Ambrósio, João Cachola, Rodrigo Tomás, Sílvio Vieira e Vicente Wallenstein, que assumem a interpretação, e ainda por Sofia Fialho, Madalena Wallenstein, entre outros) partiram de Apocalypse Now e dos Doors. “Depois de vermos o Apocalypse Now comecei a escrever um texto a partir de uma canção dos Doors [“The End”, onde Jim Morrison diz: “And all the kids are insane”], de resto, o nome da companhia também vem daí. É um texto que fala sobre o momento em que fechas a porta de casa dos teus pais e vais para uma viagem que não sabes bem qual é, que se encontra um bocado com o que estamos a tentar fazer, a nossa ideia de profissão; estás sempre na incerteza, mas continuas”, explica João Cachola, autor do texto desta criação colectiva, duas condições que As Crianças Loucas previligiam enquanto companhia.

Recuperemos as palavras de Fausto, “O barco vai de saída”. E é que vai mesmo, ainda que se desconheça o destino, como Vicente Wallenstein confirma: “Acho que este texto é mais sobre não saber o que há no fim, nunca acontece a chegada, vamos descobrindo como é que lá chegamos, vamos criando esse sítio”. 

Tudo isto com música original e ao vivo de Fernão Biu (ZARCO, BISPO) e de João Sala (ZARCO e Ganso) que adiciona psicadelismo a esta espécie de descobrimentos 3.0, onde chegar à Índia é tirar-lhe as medidas e dar meia volta, sem nunca sair do barco. As Crianças Loucas é que são uma bela descoberta. Com quem vamos querer continuar a navegar. 

Espaço Escola de Mulheres, Rua Alexandre Braga, 24 A. Qui-Dom 21.30. 6€-12€. 

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