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Esculturas Infinitas
Pedro Pina

"Esculturas Infinitas": os moldes de gesso de antes dão forma a obras de hoje na Gulbenkian

A nova mostra põe lado a lado gessos do acervo das Belas Artes e obras de artistas contemporâneos. A exposição é de entrada livre.

Por
Francisca Dias Real
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Ter um molde é ter um rastilho aceso para reproduções, é permitir que uma coisa não seja única e se torne mais uma no meio de tantas outras. É precisamente o molde e a sua reprodutibilidade técnica e artística que servem de mote à exposição mais recente do Museu Calouste Gulbenkian, "Esculturas Infinitas. Do Gesso ao Digital".

O resultado final a que chamamos de obra de arte tem, muitas vezes, um invólucro ao qual pouca importância é dada – pelo menos à vista dos leigos na matéria. Falamos do molde. Os moldes em gesso tradicional ou com outros materiais mais modernos continuam a ser uma prática comum nos dias de hoje, são velhas técnicas que permanecem actuais e servem ainda de apoio a muitos artistas contemporâneos. É disto que vem falar esta mostra co-produzida pelo Gulbenkian e a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris, em colaboração com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

“A ideia era fazer uma exposição modular até porque todas as escolas de belas artes na Europa têm uma colecção assim”, explica Penelope Curtis, que assina a curadoria desta exposição, a última do seu mandato enquanto directora do museu. Penelope visitou há cinco anos, quando chegou a Lisboa, a reserva de gessos das Belas Artes e desde aí que a ideia para uma exposição começou a ser trabalhada. 

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Pedro Pina

“Para mim era uma descoberta porque era uma colecção muito rica, mas quase invisível. Achei que não era suficiente mostrar só a reserva, queria encontrar uma maneira de mostrar também as práticas das moldagens e encontrar as peças contemporâneas que ainda hoje fazem uso delas”. 

“Esculturas Infinitas” põe lado a lado obras da coleção de gessos da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa com esculturas de 16 artistas contemporâneos, um contraponto que não separa os novos métodos dos antigos, pelo contrário, prova a sua relevância ainda hoje. 

São estes artistas de hoje que continuam a usar as técnicas de moldagem para reproduzir superfícies e objectos, onde é possível continuar a estudar as obras de dentro para fora e de fora para dentro – até porque o interior dos moldes revela por vezes mais do que a obra final. “A forma de um molde pode ser tão fascinante quanto a forma da peça original”, refere Penelope Curtis no catálogo da exposição. 

Esculturas Infinitas
Pedro Pina

A exposição está, como é habitual, dividida em vários núcleos explicativos e referentes às diferentes épocas e fases de evolução do uso do molde. São eles: A escola de arte; Moldes de esculturas antigas; Moldes de monumentos; Capacidade de parar o tempo; Moldes: natureza e corpo humano; Aulas de anatomia; Reprodução infinita; À descoberta do interior; Materiais: passado e presente; e Escala e repetição. Assim, ao lado dos gessos históricos, e sem uma narrativa definida, há obras de David Bestué, Christine Borland, Steven Claydon, Michael Dean, Aleksandra Domanović, Asta Gröting, Simon Fujiwara, Oliver Laric, Jumana Manna, Jean-Luc Moulène, Charlotte Moth, Francisco Tropa, Xavier Veilhan, Marion Verboom, Daphne Wright e Heimo Zobernig.

Saltam à vista as figuras invertidas de Christine Borland, que contrapõem a mesma figura em posições diferentes: numa está dissecada quase numa reprodução da Pietà, e noutra assume-se viva como um anjo. Também os grandes painéis de Asta Gröting são de destacar – são impressões a grande escola de fachadas em Berlim que ainda guardam marcas da II Guerra Mundial. 

Francisco Tropa é o único português no meio desse leque e traz à exposição peças em bronze onde quer representar não só o exterior das peças mas o seu vazio interior, que lhes dá forma. 

Esculturas Infinitas
Obra de Francisco TropaPedro Pina

Logo à entrada da Galeria Principal, onde está a mostra, são reproduzidos vídeos de Rogério Taveira e Marie José Burki, que gravaram o interior de gessos nos acervos das Belas Artes e da Beaux-Arts de Paris. 

A exposição tem entrada livre e fica patente até 25 de Janeiro do próximo ano. Tal como tem acontecido desde a reabertura dos museus, as regras de segurança e higiene mantém-se, é obrigatório o uso de máscara e a lotação está limitada ao espaço.

Edifício Sede – Galeria Principal. Av. de Berna, 45A. Até 25 Janeiro 2021. Qua-Seg 10.00-18.00. Entrada livre (mediante lotação do espaço).

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