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Há uma nova revista dedicada à música electrónica

Há uma nova revista dedicada à música electrónica

É bianual, o primeiro número deve sair no final de Maio e chama-se Pista!.

A primeira pista para este texto é que a Pista! não nasceu na pista. Pedimos desculpa pelo trava-línguas, mas não fosse a leitura complicada e era uma frase na mouche. É que na pista de dança, numa boa pista de dança, ninguém consegue conversar. E portanto as pessoas que criaram a nova revista Pista! foram obrigadas a reunir-se numa mesa, no final de 2017: “Na altura existia apenas vontade de criar algo que viesse a dar visibilidade a uma série de novos projectos e que documentasse um dos períodos mais férteis da história da música eletrónica em Portugal. Falou-se em vários meios, várias plataformas e vários registos e, com o tempo, percebeu-se que o espaço onde todos estaríamos mais confortáveis seria o de uma revista”, conta Diogo Vasconcelos, director da revista e membro da Extended Records, editora portuguesa de música electrónica independente.

E de que pessoas falamos? Além de Diogo Vasconcelos, André Florêncio, Tomás Freitas, Mariana Freitas, Bernardo Bertrand e Beatriz Vasconcelos formam o eixo central da coisa. Estamos perante gente que, apesar de vir de mundos diferentes, é parte “da cultura de clube, agentes activos nesse mesmo meio enquanto produtores, DJs, promotores de festas e autores de programas na Rádio Quântica” e que quiseram abrandar um pouco os bpms da vida voraz, com pouco espaço de reflexão: “A ideia de criar uma revista impressa com muito texto e poucas imagens é um statement ideológico. Numa altura em que grande parte dos media estão a abandonar o formato impresso e a dedicar-se ao digital, privilegiando uma leitura mais rápida e imediata, a Pista! apresenta-se como uma forma de resistência. Na era do hiperlink, propõe uma revista tradicional de leitura profunda e demorada. Sem grande interesse em fazer listas ou críticas com pontuação, nem com grande interesse em noticiar a novidade, à Pista! interessa essencialmente documentar”, define Diogo Vasconcelos.

O foco incide especialmente na música de dança e não é por acaso. A Pista! acredita que tem sido na pista que as diferenças – mais visíveis, pelo menos – têm tomado lugar. “É um género cujo processo criativo é mais democrático e menos hermético, no sentido em que qualquer pessoa com um computador e software pode explorar. Como o jazz, na viragem do século XIX para o XX, ou como o punk na década de 70, ou o hip-hop no final de 80s, acreditamos que grande revolução sónica dos nossos tempos se deu no campo da música eletrónica e é nela que encontramos os projectos mais inovadores e estimulantes”, conta.

Para o primeiro número “#00 Fundações”, a revista vai dedicar-se aos anos 90 e aos seus agentes, ao quão essencial esse década foi para o evoluir da música electrónica em Portugal. “Este primeiro número é retrospectivo, mas será o único inteiramente com este registo, porque interessa-nos essencialmente a contemporaneidade. No entanto pareceu-nos apropriado, antes de começar a falar dos dias de hoje, reunir, compilar e documentar a génese da cultura de clube portuguesa, que remonta ao início dos anos 90”, conclui Diogo Vasconcelos.

A Pista! vai custar 9€ e pode ser encomendada online e em alguns locais a anunciar.

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