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Torre rotativa de agricultura vertical
©Nuno FoxA torre rotativa do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta

Lisboa é a primeira cidade da Europa com torres rotativas de agricultura vertical

Uma startup portuguesa fez chegar a Lisboa as primeiras torres rotativas de agricultura vertical da Europa. Uma ideia que está a ser introduzida no bairro de Alvalade.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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Lisboa abraça cada vez mais a ruralidade, uma tendência que não só recupera tradições de uma cidade antiga, como aproveita a inovação para fazer nascer os agricultores urbanos do século XXI. E é a pensar neles que a startup portuguesa Upfarming está a instalar as primeiras torres rotativas de agricultura vertical da Europa em Alvalade.

Esta história começa no Museu de Lisboa, mais concretamente no pólo do Palácio Pimenta, onde há pouco mais de um ano inaugurou a exposição Hortas de Lisboa (patente até 12 de Dezembro), que dá conhecer o passado hortícola da cidade, além de imaginar um futuro sustentável com hortas na paisagem urbana. Esse futuro foi pensado pelo Atelier Parto, desafiado pelo museu a desenhar a sala mais visionária da exposição, sobre a alimentação em meio urbano nas próximas décadas, uma tarefa que ficou a cargo do co-fundador Tiago Sá Gomes. Para desenvolver o projecto, convidou Bruno Lacey, britânico especialista em jardins verticais que se tinha mudado para Lisboa e juntos acabaram por encontrar uma solução para um futuro não muito distante e pouco ou nada utópico: torres rotativas de agricultura urbana, as upfarms, estruturas com seis metros de altura e 22 prateleiras de cultivo com 2,4 metros de largura cada, que vão rodando lentamente ao longo do dia.

Cada uma destas torres suporta mais de 800 vegetais diferentes (alface, cebolinho, sálvia, acelga, espinafre, rabanete, flores comestíveis, entre muitos outros) e tem uma capacidade de produção de cerca de 100 kg por mês em apenas 10 , ou seja, dez vezes mais do que na mesma área explorada pela agricultura tradicional. O movimento rotativo das prateleiras não só garante que todos os vegetais semeados beneficiem das mesmas condições de exposição à luz solar e rega cíclica, como os tornam acessíveis a qualquer pessoa, independentemente da altura ou capacidade motora, uma vez que os trabalhos de jardinagem são feitos ao nível do solo. Além de não serem necessários escadotes para a colheita, o consumo energético equivale ao de uma lâmpada doméstica de 40w e os fertilizantes utilizados são todos naturais. Uma solução simples, económica, sustentável e facilmente replicável. 

upfarming
©Nuno FoxTiago Sá Gomes, Margarida Villas-Boas e Bruno Lacey

Na exposição Hortas de Lisboa encontram-se maquetes com algumas propostas de locais na cidade onde podem ser instaladas, como escolas, hospitais, prisões, jardins e outros espaços públicos. Um desses espaços passou da maquete à realidade e está pronto a arrancar no Jardim e Parque Hortícola Aquilino Ribeiro (já lá vamos). Mas antes, faltava um elemento para completar a equipa criativa. Por um acaso, nessa altura Bruno cruzou-se com Margarida Villas-Boas que tinha uma vasta experiência na área de gestão e angariação de fundos entre Espanha e o Reino Unido e estava a terminar um mestrado na área das alterações climáticas. Quando a exposição inaugurou, já andavam a tratar de lançar um crowdfunding com o objectivo de construir a primeira torre da Europa, conseguindo angariar os 30 mil euros propostos em menos de 24 horas. O protótipo acabou por ser instalado nos jardins do Palácio Pimenta e desafiou os visitantes a testemunhar lá o futuro.

Do Céu para a Mesa

A Upfarming tem duas vertentes: uma orientada para o negócio, que pode ser adquirida por qualquer empresa; e outra orientada para as comunidades locais, destinada a projectos de impacto social, como o que está a germinar em Alvalade, criado em parceria com o Programa Municipal BIP/ZIP – Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária, que há mais de dez anos sai em apoio das populações mais vulneráveis, promovendo a qualidade de vida da cidade através de parcerias locais entre cidadãos, juntas de freguesia, associações, colectividades ou organizações não-governamentais. Este primeiro projecto comunitário da Upfarming chama-se Do Céu Para a Mesa e promove a autossustentabilidade alimentar pela horticultura vertical para consumo das comunidades locais, em particular dos bairros das Murtas, São João de Brito e Pote D’Água, localizados em Alvalade.

No Jardim e Parque Hortícola Aquilino Ribeiro já se encontram quatro torres que só aguardam por um ponto de luz para começarem a rodar. A Upfarming quer que, além da componente social, este projecto também seja gerador de sustentabilidade financeira para a comunidade. “Além de criação de postos de trabalho, há também cultivos que serão feitos estrategicamente com esse objectivo. Imaginemos uma produção de manjericão, por exemplo, que é colhida pela associação de moradores e posteriormente vendida ou em mercados locais ou em estabelecimentos comerciais do bairro. Esses lucros podem reverter não só para potenciar novas produções, como para investir noutros projetos que beneficiem a comunidade noutras dimensões”, explicam. Por exemplo, restaurantes ou mercearias locais podem subscrever uma mensalidade e contribuir para este projecto, ao mesmo tempo que servem produtos colhidos pela vizinhança.

ardim e Parque Hortícola Aquilino Ribeiro
©Time OutA estrutura com quatro torres erguida no Jardim e Parque Hortícola Aquilino Ribeiro

A ideia é que cerca de 70% da produção tenha valor comercial e os restantes 30% sejam destinados a actividades pedagógicas com as escolas, doação de cabazes, refeições comunitárias e outras tarefas que não tenham por objectivo esse rendimento. Do outro lado da moeda, quem adquirir estes produtos ficará muito bem servido de produtos com elevado valor nutricional e uma pegada ecológica quase imbatível.

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