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Música, Folk, Márcia
©Duarte Drago Márcia

Márcia a sós com cada um, no Coliseu

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A cantora dá um concerto 360º, que promete proximidade ao público e panorâmica sobre uma década. Para saber tudo, repetimos perguntas feitas há um ano.

A meio da conversa, dá-lhe para cantar. Estamos às portas do Coliseu, a sala onde Márcia se há-de estrear daí a uns dias, ao fim de uma década de carreira em nome próprio. O tempo voa. E agora faz meia hora que falamos, vamos a meio de uma conversa que repete temas com mais um ano, quando pela primeira vez nos sentámos à volta do seu último álbum, Vai e Vem. E aí, a meio, dá-lhe para cantar. No gravador de entrevista fica todo o poema de “Cajuína”, a história do encontro emocionado de Caetano Veloso com o pai de Torquato Neto, o amigo e poeta tropicalista que se suicidou nos inícios de 70.

Já viste? Olha se ele não escrevesse isto? Ele diz ali tanta coisa que eu e milhares de outros pensamos sobre a vida. É por isso que nos relacionamos com a música, porque faz-nos entender o mundo, faz-nos aceitar as nossas limitações, a vida. Esse é um papel muito justo da música. Fazer-te sentir acompanhado. Faz parte de uma certa cura. Gosto de sentir que a minha música alcança isso. Acho que isso não te disse há um ano...

Não tinha dito. Mas a pergunta era mais ou menos a mesma, e a resposta também, ambas repetidas dessa outra conversa em que falávamos sobre Vai e Vem, o seu quarto álbum. Então como agora, perguntávamos se sentia necessidade de fazer a sua música intervir mais sobre o mundo em redor. Agora, como então, ela respondia que não, que lhe bastava a ideia de mudar um pouco do mundo de alguém de cada vez. E a verdade é que Márcia tem esse talento – mais raro do que se supõe – de partir da sua intimidade para criar objectos de valor universal. Uma música que se poderia dizer confessional, que ela diz de “desabafo” e que rendeu uma das mais sólidas discografias da música portuguesa na última década – isso dizemos nós. É essa década, num alinhamento que promete ser “abrangente” de todos os álbuns, que agora desagua no Coliseu, num concerto em estilo arena, com o palco rodeado de público a 360º.

Não te vou contar para não haver spoilers, mas o concerto vai ter momentos de grande proximidade com o público. Porque, ao longo destes dez anos, aquilo que me fez relaxar perante a ideia de ir para palco – que era uma coisa que às vezes me fazia tremer – foi a relação que se criou com o público. Foi o que me deu confiança, perceber que estou a partilhar coisas e não estou a ser julgada, que aquelas pessoas também estão a partilhar, que há uma espécie de comunhão. Daí ter escolhido fazer um concerto 360, tornar a coisa mais próxima.

Convidados, não haverá. Apenas Márcia e a banda do costume, que a faz falar quase sempre na primeira pessoa do plural.

Eu digo nós porque somos uma equipa, não é? Nós pensámos mesmo neste concerto. Nunca fiz um concerto em que tivesse tanto investimento, design, desenho de luz... o que me deixa nervosa, mas também entusiasmada, é que depois há sempre um factor de improviso, um factor de acaso...

E acaso podemos esperar ouvir novas músicas? Ela ri-se, não responde, e a gente contenta-se com a resposta. Antes, ainda a conversa não ia a meio, já tinha repetido o que se sabia – que a composição é compulsiva, necessária, um desabafo constante – e revelado que o novo disco já se vai fazendo.

Gostava que ainda fosse no próximo ano. Acho que tenho material para isso...

Ficámos de repetir a conversa no ano que vem.

Coliseu dos Recreios. Qua 21.00. 15-24€.

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