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Megaprojecto contíguo ao Monsanto avança após 15 anos na gaveta

Encosta da Tapada
João Paciência Encosta da Tapada

Lisboa está a alguns meses de ver nascer mais um grande estaleiro. Desta feita, na antiga pedreira do Alvito. Um investimento chinês que se prevê chegar aos 300 milhões de euros.

O degradado Casal do Alvito, em Lisboa – onde nas últimas décadas casas, armazéns, sucatas e, mais recentemente, uma lixeira ilegal ocuparam o espaço de uma pedreira desactivada – vão dar lugar a um grande empreendimento imobiliário com habitação, escritórios e comércio. É um projecto antigo que vai finalmente ver a luz do dia pelas mãos do grupo chinês EMGI Group. A obra só deverá começar em 2020 e o prazo estimado de construção é de dois anos.

O investimento total de 300 milhões de euros foi revelado nesta terça-feira pela JLL, que mediou a transação entre o Millenium BCP e o EMGI Group. Não é conhecido o valor por que foram adquiridos aqueles 14 hectares de terreno nem o projecto, uma vez que aquele montante corresponde ao total do investimento a fazer e que inclui ainda a própria obra e “outros custos inerentes ao processo de promoção”. No entanto, as imagens de antecipação que acompanham o comunicado são há muito conhecidas: são as que o arquitecto João Paciência desenhou para o local entre 2004 e 2014, com o conjunto de edifícios construídos à volta de uma grande alameda e em socalcos, para maximizar a vista sobre o Tejo.

Delimitado pelo Parque Florestal do Monsanto (a Norte), a Tapada da Ajuda (a Oeste), o estádio do Atlético (a Sul) e a Estrada do Alvito (a Este), o projecto Encosta da Tapada terá 547 apartamentos, 25% dos quais a alocar a um programa de arrendamento a custos controlados (ou seja, 137). Os restantes serão “direccionados sobretudo aos compradores nacionais”. O plano de pormenor aprovado pela autarquia em 2015 e corrigido este ano prevê a construção de dez edifícios com um máximo de sete pisos (também os há com quatro e cinco pisos), servidos por 900 lugares de estacionamento, a esmagadora maioria dos quais na via pública (e incluindo lugares já existentes no vizinho Bairro do Alvito).

Agora, segue-se a conclusão do processo de licenciamento do loteamento, que “deverá ficar concluído no prazo de seis meses”. Em respostas a perguntas da Time Out enviadas por escrito, os responsáveis da JLL garantem que “a obra começará logo após deferimento do processo de licenciamento”. A construção, adiantam, “será faseada”. “Para a primeira fase estima-se [a duração de] dois anos”, o que significa que só deverá estar terminada em 2022. “O Plano de Pormenor Pedreira do Alvito em vigor estipula os parâmetros urbanísticos da construção futura, como o volume de construção, os usos e o número de fogos e estacionamentos. Contudo, o processo integral de licenciamento ainda contempla várias etapas futuras.” Quanto ao valor a que os apartamentos serão vendidos, a JLL adianta que essa parte do projecto “ainda se encontra em definição”.

 

Encosta da Tapada
João Paciência

 

A área de construção total é de 120 mil metros quadrados, com espaços verdes, novos acessos a Alcântara e “o desenvolvimento de equipamentos colectivos como uma escola e um lar de terceira idade”. As zonas arqueológicas da antiga pedreira – os fornos de cal – serão preservadas. Quando Lisboa soube da ideia de criar ali um complexo habitacional, em 2003, durante a gestão de Santana Lopes, também se veiculava a construção de uma piscina municipal – que avançou antecipadamente, apesar de o resto do projecto se encontrar parado. Os terrenos tinham sido adquiridos três anos antes, a uma miríade de herdeiros, por 16,5 milhões de euros. (O arquitecto era, então, Miguel Correia.) Há cerca de dois anos, segundo o “Público”, o Millenium BCP pô-lo à venda por 34 milhões.

“Estamos a falar de um projecto estruturante para a regeneração do Vale de Alcântara, com capacidade para trazer mais de 1000 novos residentes para a zona ocidental da capital, além de uma população flutuante muito expressiva”, diz Gonçalo Santos, responsável da JLL, em comunicado. “É um dos projectos com escala tão necessários para reter a classe média portuguesa na cidade.”

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