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‘Mulheres sem medo’ é o guia feminista de que precisávamos

‘Mulheres sem medo’ comemora 150 anos de feminismo em banda desenhada, com destaque para os direitos LGBT e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Escrito por
Clara Silva
Livro, LGBT, Mulheres sem medo, Marta Breen e Jenny Jordahl
©DRMulheres sem medo de Marta Breen e Jenny Jordahl
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Em Junho deste ano, a série animada Destemidas, que passou na RTP, baseada no livro de banda desenhada Destemidas – Mulheres Que Só Fazem O Que Querem, de Pénélope Bagieu, esteve no centro de uma polémica. O episódio sobre a feminista lésbica Thérèse Clerc, com referências à despenalização do aborto, motivou algumas queixas e a RTP retirou-o do ar – para nova “dobragem”, justificaram na altura, perante acusações de censura.

No episódio, Thérèse deixava o marido, ia viver com uma mulher (há um beijo que também terá motivado algumas reclamações) e acolhia raparigas que abortavam clandestinamente no seu apartamento nos subúrbios de Paris. Um escândalo para alguns, mas, para bem de todos, os episódios sobre mulheres que lutaram pela igualdade – da cantora funk Betty Davis à vulcanologista Katia Krafft – voltaram a estar disponíveis no RTP Play.

Alguns meses depois, é lançado em Portugal um novo livro de banda desenhada para comemorar “150 anos de combate pela liberdade, igualdade e sororidade”, lê-se na capa. Mulheres Sem Medo, editado pela Bertrand, da autoria da ensaísta e jornalista norueguesa Marta Breen e com ilustrações de Jenny Jordahl, é o guia feminista de que precisávamos. São 120 páginas sobre o movimento feminista, da luta abolicionista ao movimento #MeToo, passando pela história das sufragistas, do direito ao aborto e à contracepção, até à reinvindicação dos direitos LGBT e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Neste último capítulo, o livro refere que a homossexualidade era proibida na maior parte dos países, mas que a legislação existente dizia respeito, sobretudo, “a homens que faziam sexo com outros homens”. No entanto, as referências a mulheres lésbicas já existem desde a antiguidade. O livro conta, por exemplo, a história de Safo (c. 630-612 a.C.), “a primeira escritora (conhecida)”, que vivia na ilha grega de Lesbos e costumava escrever poemas de amor sempre que uma das suas alunas deixava a ilha. “Os poemas de Safo eram tão veementes que a ilha de Lesbos deu origem à palavra lésbica”, lê-se.

Livro, LGBT, Mulheres sem medo, Marta Breen e Jenny Jordahl

O livro aborda também a perseguição às pessoas LGBT, em países e regimes onde a homossexualidade era vista como “uma doença mental” e as pessoas eram submetidas a tratamentos psiquiátricos, exorcismos e mandadas para campos de concentração. “As lésbicas não foram perseguidas da mesma forma, pois os nazis achavam mais fácil forçá-las a viver como heterossexuais.”

Mulheres Sem Medo conta ainda a história do movimento iniciado em 1969 no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, com confrontos entre a comunidade LGBT e a polícia, e que foi o “pontapé de partida para o movimento ‘Orgulho Gay’”.

Apesar de referir que o casamento entre pessoas do mesmo sexo já é legal em muitos países – e que as pessoas LGBT podem ter filhos, adoptar, alistar-se no exército e até ser padres – sublinha que a homossexualidade continua a ser proibida em 70 países. Muitos continuam a ser vítimas de crimes de ódio, como aconteceu no ataque a um clube gay de Orlando, em 2016, que matou 49 pessoas. “Em 7 destes países, [a homossexualidade] pode ser punida com a pena de morte.”

Em 2018, quando o livro foi editado em inglês (Women In Battle), o jornal The Guardian considerou-o “relevante e inspirador” e colocou-o na lista dos “melhores do ano” e dos “melhores para todas as idades”. Em Portugal, lançado mesmo a tempo do Natal, é um presente inclusivo para qualquer idade – e qualquer sexo.

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