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No Pow Chick’s, todos os dias são dia da asneira

Depois de dois anos a saírem de uma dark kitchen em Alvalade, as sandes de frango frito da marca Pow Chicks ganharam um espaço com porta aberta para a rua, junto ao Campo Pequeno. Se não sair de lá a lamber os dedos, é porque se enganou no sítio.

Hugo Torres
Escrito por
Hugo Torres
Director-adjunto, Time Out Portugal
Pow Chick's
Diogo Lima/Pow Chick's | Pow Chick's
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Mais do que traiçoeira, a língua portuguesa é espirituosa. Afonso Torres recebe-nos no novo Pow Chick’s com um entusiasmo e uma energia contagiantes. Elogia o produto (uma carta à volta de frango frito), explica o conceito visual (os diners americanos dos anos 1950 e 60), cita clientes satisfeitos (“com 70 a 80 pedidos na Uber Eats”), adianta planos de expansão (atenção, Estoril), detalha o processo de reabilitação, as benfeitorias no prédio e no espaço público, a decoração, a música, a produção artesanal de néones, as visitas da antiga proprietária (“a amiga” Aurora, do Snack-Bar Pica-Pau, que ali ficava), a boa vizinhança com o Street Smash Burgers ao virar da esquina, e insiste na importância vital da consistência na operação. “É uma obsessão”, admite o brand manager, referindo que é por isso que, desde Julho, quando abriu, o número de erros no serviço se aproxima de zero. É aqui que está a graça: Afonso Torres quer evitar erros a todo o custo, a nós só nos apetece fazer asneiras.

Asneiras no sentido dietético: grandes, suculentas e besuntadas. Sentados ao balcão, onde se alinham oito bancos altos e de onde vemos tudo a acontecer à excepção da fritura, damos por nós a pensar naqueles humanos obstinados, aqueles milagres da espécie que conseguem regrar-se e cumprir um regime alimentar equilibrado, saudável e criterioso na maior parte do tempo, e que têm reservado para uma ou outra vez o que designam de “dia da asneira”. Damos por nós pensar se o Pow Chick’s seria um bom sítio para lhes sugerir. A resposta chega muito rapidamente, quando nos entregam as entradas e provamos as Mac and Cheese Balls, umas bolinhas de massa cremosa com queijo e molho da casa, e tornar-se-á definitiva no final, depois de duas sandes, uma dose de batatas fritas em palitos ondulados e um generoso milkshake de morango: sim, é. Ficamos, porém, com peso na consciência: para o resto (a maioria) das pessoas, para as pessoas normais, uma sugestão destas aumenta o risco de tornar o dia da asneira a regra – até porque a excepção já não é.

Pow Chick's
Diogo Lima/Pow Chick'sBalcão do Pow Chick's

As Mac and Cheese Balls são perigosíssimas, nesse sentido. Se a ética do trabalho não se impusesse, deixaríamos as outras entradas (“sides”, todas a 4,90€) para uma segunda visita. São elas as Pow Chicken Bites, peito do frango cortado em pedaços e frito e crocantes, uma opção que pode ajudar a alimentar uma criança que não coma uma sandes inteira (vem com molho barbecue ao lado); e o Jalapeño Cheese, uma armadilha para esfomeados com demasiada pressa, já que o dito pimento, mexicano mas pouco picante, é recheado com queijo, que nos chega bem quente. O melhor é deixá-lo uns minutos à sombra (para esperar e enganar a fome, há amendoins e frutos secos salgados grátis).

Queijo é ingrediente que também não falta nas sandes. Há uma em particular que até faz disso gala: chama-se Cheese Chicks e o menu informa-nos, de forma sucinta e directa, que é uma escolha com “queijo, muito queijo” (provámos na segunda visita e a experiência é idêntica a trincar uma daquelas fatias de pizza em que o queijo estica, estica e parece não acabar). As estrelas da casa são, no entanto, a The Pow Chick’s, sandes de assinatura com queijo cheddar, bacon, picles e molho fil-pow; e a Hot Honey Chick’s, com mel apimentado, picles e maionese caseira. São as preferidas dos clientes, garante Afonso Torres, que sugere acrescentar um ingrediente extra na segunda: bacon (por mais 1,80€). Os extras (“toppings”) incluem queijo, coleslaw, cebola roxa, jalapeño ou picles (entre 0,50€ e 1€).

Pow Chick's
Eduardo Ramos/Pow Chick'sHot Honey Chick’s
Pow Chick's
Eduardo Ramos/Pow Chick'sFarm Chick’s

No total, o menu contempla seis sandes (duas a menos do que as do serviços de entregas). Custam todas o mesmo: 8,90€. A Chili Chick’s (queijo cheddar, jalapeños em conserva, cebola caramelizada e maionese), a Farm Chick’s (cheddar branco, alface, tomate, cebola roxa e maionese) e a vegetariana Not Chick’s, idêntica à Farm, mas sem tomate e substituindo o frango por NoChicken, ou seja, uma fatia de proteína à base de soja produzida pela empresa neerlandesa The Vegetarian Butcher. A galinha a sério, essa, é marinada em buttermilk, a que acresce um “rub secreto”. Para as sandes é usada apenas a carne da coxa, desossada antes de preparada. É depois panada à mão e frita ao momento.

A explicação está na ementa, onde constam ainda as Crinkle Fries, batatas fritas onduladas que, palavra de Afonso, “nunca são congeladas” (custam 3,50€ à parte, ou 12,90€ no combo com sandes e bebida); e as cookies de chocolate ou red velvet para a sobremesa (3,50€, com gelado são mais 2€). O que também pode servir de sobremesa são os milkshakes (de chocolate, morango ou amendoim, 4,90€), que à boa maneira americana podem acompanhar a refeição, ou terminá-la – ninguém vai estranhar. E há ainda uma terceira via: o lanche, já que o Pow Chick’s está aberto todos os dias, do meio-dia ao final da noite. O horário alargado serve também para aproveitar a proximidade ao Sagres Campo Pequeno, para poder ser uma alternativa viável para quem vai ou volta dos espectáculos.

Pow Chick's
Diogo Lima/Pow Chick'sEsplanada do Pow Chick's

São pouco mais de cinco minutos de percurso, a pé. Mas não é apenas o facto de ficar perto e o serviço ser expedito que torna o Pow Chick’s uma boa pit stop a caminho de concertos. Neste caso, o ambiente poderia ser algo tangível e indesejado – é uma casa de fritos, portanto tem tanto potencial para ser deliciosa como fedorenta. Um receio sem fundamento por estas bandas. “Aqui, a tua roupa não vai ficar a cheirar a fritos. Para nós, o sistema de exaustão era prioritário – tinha de ser para cima e não para o lado nem para o esgoto”, sublinha Afonso Torres. Quem quiser parar só para uma cerveja também pode. A marca disponível é a Coors (americana, claro) e, além do balcão e das mesas no interior, há uma esplanada no centro da avenida.

Esta é a primeira loja do Pow Chick’s, após dois anos a operar a partir da dark kitchen de Alvalade e de alguns pop-ups. Abriu em Maio. Antes, a marca já tinha expandido a operação para Carcavelos, onde tem uma outra dark kitchen a servir zonas como Cascais, Paço de Arcos, Cacém… E até ao final do ano deve inaugurar uma segunda loja, nos jardins do Casino Estoril. Vai dar asneira.

Avenida Elias Garcia, 35 (Campo Pequeno). 218 047 477. Seg-Dom 12.00-23.30

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