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O Rossio na Betesga #33: dragoeiros de Lisboa – em flor

Jardim Botânico da Universidade de Lisboa
Helena Galvão Soares Jardim Botânico da Universidade de Lisboa

“É uma árvore pré-histórica.” “Vivem mais de 1000 anos.” “Só tem flores de vinte em vinte anos.” “São muito raras em Lisboa.” Isto é tudo mais ou menos verdade, mas não inteiramente. A figura exótica do dragoeiro (Dracaena draco), com a sua copa de guarda-chuva fractal, tende a inflamar a imaginação de quem os vê. Mais ainda quando estão em flor, com uns grandes cachos de flores cor de pérola que convivem com cachos de frutos laranja vivo.

Começando pelo princípio: tecnicamente não é uma árvore, mas sim uma planta, porque não tem tronco lenhoso. E é uma espécie “pré-histórica”? Bem, todas as plantas são pré-históricas, há 6 mil anos já existiam com as características que têm hoje, mas as Dracaenas já existiam durante o Mioceno (desde há 5 a 25 milhões de anos) e as actuais são as miraculosas descendentes delas, umas relíquias desses tempos longínquos, por isso é que são tão estranhas comparadas com as plantas mais “modernas”.

 

Jardim da Estrela
© HGS

 

Quanto a viverem mais de mil anos, não se sabe. O mais antigo dragoeiro é o da ilha de Tenerife, Canárias, o chamado “El Drago Milenario”. A mais antiga atestação escrita da sua existência é de 1503 e diz-se que teria então 400 anos. Mas as datações actuais dão-lhe cerca de 800 anos. É possível determinar, por alto, a idade de um dragoeiro através das bifurcações dos troncos. Isto porque elas não surgem de forma aleatória. Cada feixe de novos ramos só surge após a floração, portanto é contar as bifurcações. Pequeno problema: o espaço entre florações varia de planta para planta (entre 10 e 20 anos) e a data da primeira floração também (entre 9 e 30 anos, tudo é possível).

Em Lisboa, o dragoeiro mais antigo é o do Jardim Botânico da Ajuda: era já adulto quando para lá foi transplantado, em 1768. Chegou a atingir os 23 metros de diâmetro, tornando-se um dos maiores exemplares do país. Em 2006 foram-lhe detectados sinais de doença e actualmente tem metade do tamanho, por apodrecimento de parte dos troncos. Devido ao seu valor histórico e botânico, tudo foi feito para o manter vivo, estando hoje amparado por uma estrutura de aço que faz lembrar um andarilho.

 

Jardim Botânico da Ajuda
© HGS

 

Na ponta oposta do espectro, temos a Tapada das Necessidades, onde existe um verdadeiro berçário. Para lá dos três dragoeiros adultos, encontramos, num terreno ao lado, 60 e poucos dragoeirinhos, entre os 0,5 e os 3 metros, alguns já com o seu primeiro feixe de novos ramos a formar uma bela coroa.

 

Tapada das Necessidades
© HGS

 

De destacar ainda, embora um pouco suja e ao abandono, a Mata dos Dragoeiros de Cascais, que foi classificada em 2012 de Interesse Público pelo seu conjunto de 36 dragoeiros com cerca de 130 anos.

 

Mata dos Dragoeiros do Parque Palmela, Cascais
© HGS

 

Apesar de estarem em extinção nos seus habitats naturais (Madeira, Açores, Cabo Verde, Canárias e Norte de África), há muito por onde ver dragoeiros em Lisboa e é aproveitar agora que estão no seu último mês do período de floração (Maio a Agosto). A título de curiosidade, a foto do dragoeiro em flor do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa foi tirada a 10 de Agosto de 2013, portanto se calhar o melhor é começar por aqui. Ah! E os ramos não florescem todos no mesmo ano, por isso pode sempre encontrar uma parte do dragoeiro florido.

Onde ver dragoeiros em Lisboa: Jardim Botânico da Ajuda, Jardim Botânico Tropical (Belém), Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (Príncipe Real), Parque Botânico do Monteiro Mor (Lumiar), Tapada das Necessidades, Jardim do Seminário da Luz (Benfica), Jardim do Museu da Água-Barbadinhos (Santa Engrácia), Quinta Conde dos Arcos (Olivais), Jardim da Estrela, Cemitério dos Ingleses (Estrela). Em propriedade privada, mas visíveis da rua: antiga sede da Fundação Oriente (Rua do Salitre 66), antiga Sede dos CTT (Rua de São José 10), Hotel The One Palácio da Anunciada (Portas de Santo Antão 112-134).

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