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Óscares 2018: Dez momentos electrificantes numa cerimónia morna

Óscares 2018: Dez momentos electrificantes numa cerimónia morna

Nada alguma vez se vai comparar com a colossal confusão de há um ano, o engano no anúncio do Óscar para Melhor Filme que acrescentou o termo EnvelopeGate ao léxico cultural de Hollywood. Mas se é verdade que na noite passada não assistimos a qualquer calamidade – talvez porque seria demasiado previsível – a cerimónia dos Óscares conteve ainda assim uma mão cheia de momentos a puxar à ovação, na sua maioria a merecer os hashtags #Metoo e #Timesup e de alguma forma relacionados com as muitas ramificações da queda de Harvey Weinstein. Eis dez momentos sobre os quais se andará a falar nas próximas 24 horas.      

  1. "This is for my old buddy Phil Hoffman" (“Esta é para o meu velho amigo Phil Hoffman"), disse Sam Rockwell no final do discurso de agradecimento pelo Óscar de Melhor Actor Secundário em Três Cartazes à Beira da Estrada, já com a música em crescendo e a convidá-lo a sair de cena. Foi muito rápido, muita gente pode nem ter dado por isso, mas a reacção ruidosa da plateia foi significativa: ainda estamos todos a fazer o luto pelos papéis que Philip Seymour Hoffman, prematuramente desaparecido, não protagonizou.
  2. "Representation matters," (“A representação conta/importa”): disse o realizador de Coco, Lee Unkrich, depois de receber o Óscar por Melhor Filme de Animação. Com grande à-vontade no pódio (já lá tinha estado para receber o Óscar por Toy Story 3), Unkrich agradeceu ao povo do México e às suas “"infindavelmente belas cultura e tradições”. Significativamente, o seu discurso não incluiu qualquer referência a qualquer “grande e lindo muro” ou a quem o vai pagar.
  3. Kumail Nanjiani, o actor e humorista paquistanês, estrela de Amor de Improviso, criou um dos grandes momentos políticos da noite quando, ao apresentar uma montagem de cenas que celebravam a diversidade no cinema, garantiu a todos os espectadores brancos que não seria difícil identificarem-se com os seus filmes e colocarem-se no lugar do outro: “Não é difícil, eu fi-lo toda a vida”.  
  4. "I did it all by myself!" (“Fiz tudo sozinha!”), exclamou Allison Janney ao receber o Óscar de Melhor Actriz Secundária pelo seu desempenho em Eu, Tonya, uma espécie de paródia à personagem que lhe valeu o prémio: a monstruosa figura da mãe e manager da patinadora norte-americana Tonya Harding. A vitória de Janney, embora não sendo consensual entre os nossos críticos, era esperada tendo em conta os prémios arrecadados até aqui.
  5. Maya Rudolph, que não é rapariga de sair de palco sem deixar a sua marca, garantiu às audiências qualquer coisa do género: “Não se preocupem, que ainda há muito mais gente branca para subir ao palco”. Paul Thomas Anderson, o companheiro da comediante e actriz norte-americana, foi um dos grande derrotados da noite: A Linha Fantasma apenas arrecadou o Óscar de Melhor Guarda-Roupa, para Mark Bridge (que ganha a taça do discurso mais rápido da noite).
  6. Matt Damon foi alvo de mais uma piadola do apresentador Jimmy Kimmel, seu “inimigo público” de longa data, que depois de apresentar uma montagem de cenas de filmes de guerra que incluía imagens de Damon em O Resgate do Soldado Ryan, pediu solenemente desculpa ao público: “vocês merecem melhor que isto”. Esta embirração de um pelo outro é já lendária e, na verdade, é bem mais engraçada do que qualquer momento de Pequena Grande Vida, o filme com que Damon chegou a esta cerimónia.
  7. O génio da fotografia Roger Deakins (Skyfall, Fargo, Sicario) finalmente triunfou, à 14.ª nomeação nesta categoria, pelo seu trabalho em Blade Runner 2049. Foi possível ouvir o suspiro de alívio da audiência quando o vencedor foi anunciado: é raro um talento tão grande como Deakins acatar graciosamente tantas derrotas durante tanto tempo. Na vitória, o britânico foi igualmente gracioso e celebrou a equipa com que trabalha continuamente há cerca de 30 anos.
  8. Emma Stone, a vencedora do Óscar para Melhor Actriz em 2017, pelo seu desempenho em La La Land, apresentou os nomeados para o prémio de Melhor Realizador. Com um sorriso rasgado introduziu a lista de nomeados como “estes quatro homens e Greta Gerwing”, espoletando uma onda de aplausos para a realizadora de Lady Bird – que acabou por ir para casa de mãos a abanar.
  9. "Se me for concedida a honra", disse a Melhor Actriz Frances McDormand, enquanto pousava o Óscar aos seus pés, "gostava de ter todas as mulheres nomeadas em todas as categorias ao meu lado nesta sala esta noite”. Foi um momento agitado de solidariedade, com McDormand extasiada e a rir na hora do seu triunfo.
  10. Foge, de Jordan Peele, tornou-se no primeiro filme de terror a vencer o Óscar para Melhor Argumento Original – um momento histórico para este género cinematográfico. E quando A Forma da Água foi indicado como Melhor Filme, o seu realizador, Guillermo del Toro, sublinhou o feito, encorajando “todos aqueles que usam géneros fantásticos e a fantasia para contar histórias reais” para que continuem a fazê-lo. "This is the door. Kick it open and come in", rematou.
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