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Periferias reinventa-se e regressa online na Primavera

O festival promete programação para as quatro estações do ano. O regresso faz-se online, mas há planos para voltar à rua e às salas de espectáculos.

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Escrito por
Raquel Dias da Silva
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Na 10.ª edição do Periferias – Festival Internacional de Artes Performativas de Sintra, a companhia de teatro Chão de Oliva leva a cultura a casa através de espectáculos online, entre os dias 18 e 21 de Março. Mas promete sair à rua no Verão e voltar às salas de espectáculos no Outono e Inverno. Até lá, o convite é simples: aproveite, no conforto do lar, as diferentes propostas de teatro, poesia, música e até parlapié.

“Num ano desafiante para o mundo da cultura e em que todos precisamos de algum ânimo, não podíamos deixar de celebrar, com pompa e circunstância, os dez anos de vida do Periferias”, diz Nuno Correia Pinto, presidente da direcção do Chão de Oliva. “Como tal, optámos por dividir o festival em quatro momentos e adoptar um modelo híbrido, com o sentido de responsabilidade que o actual contexto exige.”

Durante quatro dias, o Periferias Primavera garante uma programação diversificada a espectadores de todas as idades, com algumas actividades pagas e outras de entrada livre. As cortinas abrem a 18 de Março com a peça Bazuca News, do grupo artístico portuense Teatro da Palmilha Dentada, que decorre no disfuncional ambiente dos encontros em Zoom e recria uma entrevista dirigida pela “jornalista Maria Catarro” ao “ministro do ambiente”, durante a qual os espectadores são convidados a interagir virtualmente com os actores.

Já na sexta-feira, 19 de Março, poderá embarcar em Uma viagem pelo mundo da Poetry Slam, um encontro de poesia com convidados de vários países, como Itália, Guiné e Angola. No sábado, 20, haverá espaço para Conversas Periféricas, numa sessão virtual com alguns criadores, programadores e representantes de entidades nacionais, bem como com a Descampado, uma nova associação de várias estruturas de Artes Performativas, para um debate sobre o futuro e a importância de trabalhar em rede.

Nesse mesmo dia, à noite, o festival acolhe a estreia nacional, em formato digital, da peça O Triciclo, de Fernando Arrabal. O espectáculo, encenado pela companhia lisboeta Ninguém Teatro, conta a história de um grupo de marginais que tentam sobreviver numa sociedade desigual, hierarquizada, moral e politicamente opressiva, num desafiante jogo de sobrevivência e de procura da felicidade.

Por fim, a 21 de Março, os olhos dos mais novos vão poder deslumbrar-se com o PaPI-Opus 8, da Companhia de Música Teatral de Famalicão, que os convida a fazer uma viagem virtual ao mundo dos pássaros. À tarde, celebra-se ainda o Dia da Marioneta com duas Conversas Periféricas: num primeiro momento com o lançamento do livro Marionetas e Formas Animadas – Teorias e Práticas, de Miguel Falcão e Catarina Firmo; e num segundo, em parceria com a Unima – Portugal, que convida os espectadores a participar num diálogo aberto e curioso, totalmente dedicado ao tema do teatro contemporâneo de marionetas.

Para terminar em beleza, haverá ainda um concerto do músico NBC, que apresentará Epiderme, um álbum criado a solo durante o confinamento. E que, por ventura, poderá ouvir em loop até o Periferias voltar com mais programação.

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