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Bicicleta Kona
©Bruno AmaralA Kona do Bruno

Roubaram a Kona do Bruno e ele criou um site que ajuda a encontrar bicicletas furtadas

Roubaram-lhe a bicicleta. E, em dois dias, ele criou um site que ajuda a encontrar bicicletas roubadas. Falámos sobre a iniciativa e sobre a sua saudosa Kona.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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Rodas Furtadas é o nome do novo site que nasceu para ajudar todos os utilizadores de bicicletas a encontrar os seus velocípedes roubados. A ideia foi de Bruno Amaral que a 26 de Abril foi vítima de um furto: deixou a sua bicicleta em frente à Farmácia Ibérica, nas Olaias, e nunca mais a viu. Dois dias depois, o site estava online.

“Não sei quem a tem, mas queria que soubesse que tem a bicicleta mais famosa de Lisboa e que roubou ao tipo errado”, diz à Time Out. E esta coisa do “tipo errado” tem muito a ver com as suas habilidades profissionais. Bruno, além de ciclista urbano, é um estratega de comunicação e também um profissional da programação informática e, por isso mesmo, o Rodas Furtadas foi lançado em apenas 48 horas.

“A primeira coisa que me pediram na polícia foi o número de série da bicicleta. E não existe registo de propriedade como existe para os carros”, lamenta Bruno. Foi esse o mote para o lançamento do site, onde é possível reportar bicicletas roubadas através de um simples formulário que pede o número de série da bicicleta, a marca e o modelo, além de ser possível fazer upload do comprovativo de denúncia nas autoridades e de uma imagem do veículo.

Mas há mais. Imagine que quer adquirir uma bicicleta em segunda mão. Como pode ter a certeza que não foi roubada? Ora, em Rodas Furtadas encontra uma caixa de pesquisa que permite colocar o número de série de uma bicicleta para verificar se foi ou não roubada. O que só é possível saber caso a vítima de roubo já tiver feito o registo da sua bicicleta desaparecida. Já percebeu a mecânica, não já? Daí o alerta que está na página da internet: “Este site só é valioso se todos o usarmos.”

O Rodas Furtadas não tem qualquer propósito comercial. O objectivo de Bruno é apenas recuperar a sua bicicleta, além de ajudar outros ciclistas a fazer o mesmo, e a ideia até lhe está a dar despesa: a abertura deste novo site custa-lhe 5€ por mês. Apesar de recente, o Rodas Furtadas poderá ter uma actualização, com a ajuda de um API (acrónimo para Application Programming Interface) – uma tecnologia complexa para não entendidos, mas que permitirá a ligação de informação entre sites. Por exemplo, um site de vendas de artigos em segunda mão pode solicitar um número de série de uma bicicleta que esteja a ser vendida na plataforma e cruzar essa informação com a base de dados do Rodas Furtadas para perceber se é roubada ou não.

Uma Kona especial

Sim, a marca da bicicleta desaparecida de Bruno tem um grande potencial para a comédia e o próprio ciclista aproveita-o para comunicar nas redes sociais, com, por exemplo, o hashtag #SagadaKona, associado ao Rodas Furtadas. Mas, fora de brincadeiras, esta “bicicleta com personalidade”, como a descreve, é mesmo especial para o dono e qualquer uma que venha a seguir “nunca vai ser aquela Kona”, diz, sem perder a boa disposição.

A bicicleta, que já tem há dez anos, foi comprada na Cenas a Pedal, uma pequena empresa com sede em Lisboa fundada por Ana Pereira e Bruno Santos. E que além de loja é também uma escola, uma oficina e, no fundo, um espaço que acolhe tudo o que esteja relacionado com o tema das bicicletas, cinema incluído. “O Bruno e a Ana perguntam que tipo de vida queres ter com a bicicleta e mostram opções. Estão mais interessados no que precisas e não no que querem vender, são excelentes pessoas e merecem toda a ajuda do planeta”, elogia o ciclista que ainda tem esperança de encontrar a bicicleta perdida.

 

Gregory MS
©Bruno AmaralGregory MS

Chamar o gregório

Nem tudo são rodas. Sem falsas modéstias, Bruno confessa-nos que tem “um conjunto de competências raro” que lhe permite “fazer coisas giras e úteis que podem ajudar as pessoas”. Uma delas chama-se Gregory MS, uma inteligência artificial em forma de robot que é capaz de traçar um mapa do que está actualmente a ser investigado no campo da esclerose múltipla, permitindo que a comunidade científica utilize essas informações para gerir melhor os recursos disponíveis. Um projecto que teve oportunidade de apresentar no Fórum Saúde XXI, que aconteceu em Aveiro no passado dia 21 de Abril, e que ao nível do financiamento está dependente de doações.

Pode conhecer melhor o Gregory no site do projecto e conhecer melhor Bruno no seu site pessoal.

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