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Seis gerações de pasteleiros depois, a Vermelhosa chegou a São Bento

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ManuelManso

Já começava a ser triste Marine não ter uma pastelaria. O pai foi pasteleiro e o avô teve um prédio de três andares nos arredores de Paris onde servia os seus bolos e recebia clientes para a hora do chá. O bisavô casou com a filha do patrão, dono da pastelaria onde trabalhava. Encurtando esta árvore genealógica, são seis gerações atrás de Marine a trabalhar com bolos em França. Assim se explica o “desde 1850” que aparece por baixo da nova Vermelhosa, a casa de chá e pastelaria que esta herdeira abriu em São Bento.

O nome nasceu da conjugação de vermelho e maravilhosa, duas das palavras portuguesas preferidas de Marine. "Têm boa energia", diz. Num dos parapeitos da sala luminosa com vista para o Parlamento, estão uma data de fotografias que não deixam dúvidas sobre o seu passado. Duas delas parecem fazer par: numa está o avô de Marine, ainda novo, quase da altura do balcão em que trabalha com o rolo da massa; na outra, Marine ainda não tem 10 anos e está em cima de um banco a esticar massa para um tabuleiro imenso de tarteletes. “Os meus pais disseram-me que aquilo se vendeu tudo, mas é mentira, estavam horríveis e foram para o lixo”, lembra.

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As tarteletes de morango, limão e framboesa
Fotografia: Manuel Manso

 

 

Até há pouco tempo trabalhava como freelancer em consultoria de comunicação, mesmo depois de se ter casado com um português e se ter mudado para Portugal, há uns três anos. Há cerca de um mês pôs esse trabalho em stand by para se dedicar completamente à pastelaria onde trabalha com outras três mulheres. “Cada uma tem a sua especialidade”, conta, “a da Carina é o arroz doce e ninguém sabe a receita [vendido em potes, 2€], a minha é o maravilhoso de chocolate”. Esta receita que já o avô de Marine fazia não é mais do que uma bola de merengue coberta de creme de chocolate e pepitas de chocolate (3€).

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O Maravilhoso de Chocolate, receita do avô de Marine
Fotografia: Manuel Manso

 

 

Na vitrine do balcão há ainda tarteletes de fruta — limão, morangos, framboesas — que eram a obsessão de Marine em criança (3€), ou o mil folhas de baunilha ao estilo francês (3,50€). De vez em quando também há uns choux de baunilha, café ou chocolate, bolos grandes para cortar à fatia e folhados feitos na casa para serem servidos como uma refeição leve, acompanhados de salada, à hora do almoço.

A partir do primeiro fim-de-semana de Maio começam os brunchs. Um dos menus “é para comer e dormir duas horas a seguir”, brinca Marine. Inclui uma bebida fria, outra quente, pão ou croissant, ovos, charcutaria, queijos e uma sobremesa (16€). Para além de um menu para crianças, há outro brunch mais comedido, com uma bebida quente e uma fria, iogurte com granola, uma tosta de abacate com ovo e uma sobremesa (14€).

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O chá é servido com ampulhetas para acertar o tempo de infusão
Fotografia: Manuel Manso

 

 

Para além da pastelaria, o forte desta casa são os chás. Os blends da Companhia Colonial, marca francesa de chás, são preparados com todas as regras necessárias. Uma cafeteira elétrica controla a temperatura da água que deve ser diferente para diferentes chás, e três ampulhetas vêm para a mesa para controlar o tempo de imersão das folhas na água quente. A lista tem uns quantos chás Grand Cru — as misturas feitas por esta marca francesa (3€).

Calçada da Estrela, 26 (São Bento). 96 451 9829, Ter-Sáb 8.30-19.00.

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