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"Setembro, a Vida Inteira". O documentário sobre o vinho que é um copo cheio de paixão

Setembro, a Vida Inteira, Malhadinha

Menos notas de prova e mais um retrato cinematográfico do mundo do vinho português, um caso de paixão para todos os meses do calendário. Setembro, a Vida Inteira, longa-metragem de Ana Sofia Fonseca, estreia-se dia 15 de Março no Cinema City Alvalade. Para ver até à última gota, sem receio de acusar no balão.  

Há uma vida que se joga em Setembro, mais do que em qualquer outro mês assistido pela embriaguez do risco, como todos o são. Estes 99 minutos acomodam esse instante da vindima que é afinal uma eternidade na vida de quem a faz e nos copos de um povo que ali afoga todas as suas alegrias e dores. De Janeiro a Dezembro, sem pausas no calendário e na afinidade com a paixão que move a natureza humana. "Porque nada fermenta como uma boa história, as vidas das gentes do vinho são passaporte para descobrir Portugal", descreve a jornalista Ana Sofia Fonseca, que nos respondeu de um trago a um breve P&R.

Ana Sofia Fonseca

 

Ana Sofia Fonseca

 

Como surge este Setembro a Vida Inteira? Pergunto também, questão que se calhar até se impõe antes, como surge o vinho, uma vez que já escreveu sobre ele e as suas histórias.

O vinho surgiu por acaso há uns 15 anos. Convidaram-me para escrever um livro, pensei escrever sobre mutilação genital feminina ou sobre a pesquisa da vacina da sida com base num grupo de prostitutas de Nairobi que é imune ao HIV, acabei a escrever a história do Barca Velha. A vida tem destas surpresas. O documentário, ou melhor, a ideia de que aquele universo dava um filme surgiu precisamente quando andava a pesquisar para esse primeiro livro. Estava no sótão da Quinta do Vale Meão quando a imagem da proprietária a avançar por meio de teias de aranhas, vestidos das descendentes da D. Antónia, iluminada pelos fios de luz que venciam as telhas, me fez pensar nisso.

Fale-nos um pouco desta aventura (e de eventuais desventuras). Como foi ver este trabalho num formato cinematográfico? 

É um processo complicado, acho que me deu umas quantas rugas, felizmente também uns sorrisos. Por um lado, é continuar a fazer o que sempre fiz - contar histórias; por outro, é reinventares-te. Esse é o grande desafio, se quiseres, é a um só tempo a parte deliciosa e a parte difícil.

Todo o tratamento no site é muito curioso, a começar pela apresentação das personagens, qual ficção lusitana digna de um enredo que no fim de contas é bem real. O que era para si essencial ao trabalhar e partilhar este filme?

O vinho é um universo de paixão, as suas gentes movem-se por paixão, contam a vida pelas vindimas. Confesso que pouco me importam as notas de prova ou as características técnicas, o que me seduz é a alquimia das histórias. O vinho senta-se diariamente à nossa mesa e sabemos tão pouco sobre o que cabe na garrafa que janta connosco… Este filme é uma viagem intimista ao universo do vinho, a uma alquimia chamada pessoas. Quis mostrar a vivência de uma realidade que vive ao nosso lado, que comunica com a nossa, mas que nem sempre conhecemos realmente. É um filme de histórias, de vidas.

Como aparece Jorge Palma a cantar fado no final?

Gosto muito do Jorge Palma e sempre pensei que, se um dia fizesse um filme, gostaria de o convidar para fazer a banda sonora. Desde o início, pensei que gostaria de ter o fado “Oiça lá ó senhor vinho” no filme, mas de uma forma que retratasse melhor o mundo do vinho português, um mundo onde a tradição caminha de mãos dadas com a inovação. Essa mensagem está nesta música, um fado antigo com uma interpretação nova e ousada. O Jorge é uma pessoa e um músico extraordinário, acho que achou graça ao “impossível”, ele a dar voz a um fado.

O que mais aprendeu com esta viagem pelo vinho e pelas suas gentes?

Pôs-me à prova de uma maneira incrível… tive de aprender coisas que viviam a léguas do meu mundo. Mas o ensinamento mais importante veio das pessoas, das inúmeras pessoas com quem convivemos. De facto, uma vida sem paixão são só dias no calendário.

Por fim, que vinho aconselharia para degustar enquanto assistimos a este Setembro?

Difícil… Um Vinho do Porto LBV com uma taça cheia de trufas de chocolate.

Vindima, Setembro a Vida Inteira

 

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