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Também queremos: tudo o que invejámos de outras cidades em Fevereiro

Por
Luis Leal Miranda
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Um parque gigante de baloiços, um ginásio de pula-pulas ou uma sauna flutuante: também queremos! 

1. Esplanadas-igloo

Uma ideia que nos faz pular de alegria nas vagas de frio polar.

Se quisermos ser literais, não há nada mais cool do que um igloo. Mas se quisermos ser uns precisos, corrigimos imediatamente a frase anterior: um igloo não é “cool” (frio) porque se trata de um tipo de construção que serve para preservar o calor. É neste argumento aborrecido que nos vamos apoiar para falar das esplanadas-igloo: infraestruturas montadas ao ar livre com a forma de uma dessas “cabanas de gelo”, que servem de aconchego nos dias mais frios. É uma maneira de estar na esplanada sem estar ao frio. Em Londres e Nova Iorque são vários os terraços, varandas e ruas que têm estas cúpulas transparentes de bem-estar. O Bar 54, em Times Square, por exemplo, ostenta dois belíssimos igloos aquecidos, com sofás e serviço à mesa para que ninguém tenha de sair da sua própria bolha. Em Londres a referência é o Coppa Club, mas são cada vez mais os bares a montar estas esplanadas de Inverno. Cá por Lisboa estamos prontos para dar as boas-vindas a estas tendas glorificadas. Na rua, mas no quentinho destas maravilhas da arquitectura do lazer, podemos finalmente discutir por que é que, passados tantos anos, o Capitão Iglo nunca foi promovido a comodoro ou almirante.

2. Uma espécie de ginásio insuflável

Como o Inflata Nation, em Manchester, que nos faz queimar calorias a dar pulos de alegria.

Durante a primeira década das nossas vidas os insufláveis são uma presença constante. Tão comuns que se disséssemos ao nosso eu de dez anos que daí para a frente eles seriam uma raridade, ele não acreditaria. É triste que nos separemos tão cedo dessa maravilha que são as superfícies de plástico cheias de ar. E a obsessão pelas bóias-flamingo/cisne/ unicórnio do Verão passado diz-nos que os adultos estão preparados para voltar aos insufláveis. Em Manchester um grupo de visionários que apercebeu-se disso mesmo e criou o Inflata Nation, um percurso de obstáculos gigante onde é possível exercitar todos os membros do corpo. Uma infraestrutura saltitante que põe a um canto todos os castelos insufláveis que já vimos. Existem aulas para os que querem realmente ficar em forma – uma hora queima 700 calorias – mas quem procura apenas um pouco de diversão pode ficar-se pelos escorregas e pela piscina de bolas. Em Lisboa gostávamos de ver uma réplica insuflável do Castelo de São Jorge. Simular a morte de Martim Moniz seria divertido e nada doloroso. Vamos pensar nisso.

3. Uma sauna flutuante

E não, não estamos a falar de um cacilheiro em Julho durante a hora de ponta.

Debrucemo-nos sobre as WA Sauna de Seattle. Consta que há várias vantagens em passar umas horas numa sala desenhada com o único propósito de escalfar seres humanos. E os especialistas garantem que melhor ainda é passar de um ambiente onde estamos rodeados por água quente no estado gasoso para outro lugar onde só há água fria no estado líquido. Isto é, praticar o estranho desporto escandinavo de saltar da sauna para o rio. É para facilitar este processo que o ateliê de arquitectura goCstudio, em Seattle, desenhou as WA Sauna, pequenas saunas flutuantes que podem ser instaladas (ancoradas?) na margem de um lago ou rio. Este projecto de arquitectura flutuante tem várias vantagens: evita o pagamento de uma renda num prédio e torna a mistura quente-e-frio (falamos de temperaturas, não de sobremesas dos anos 90) muito mais fácil de alcançar. As WA Sauna foram um projecto de crowdfunding financiado pelos entusiastas da sauna através da plataforma Kickstarter. E esta talvez seja uma boa altura para vos lembrar a todos que o projecto da piscina flutuante no Tejo não conseguiu nunca os votos suficientes para passar no Orçamento Participativo. Vamos fechar-nos agora um pouco numa sala húmida a pensar nisto.  

4. Um parque gigante de baloiços

Porque estamos fartos de esperar que anoiteça e o parque infantil esvazie para ir baloiçar.

No átrio da Tate Modern, em Londres, fica o Turbine Hall. De certeza que há uma palavra melhor que “átrio” para descrever a grandiosidade do espaço, mas “vestíbulo” também não é uma delas. Adiante. É no Turbine Hall do museu londrino que está uma das nossas instalações preferidas do momento: mais de 30 baloiços gigantes, de várias cores, unidos entre si tubo a tubo como na fantasia molhada de um canalizador. Antes que comecem com coisas – sim, isto é arte. Obra do colectivo dinamarquês Superflex, que se dedica a este tipo de intervenções bem-humoradas. Em 2011, por exemplo, recriaram num restaurante nova-iorquino os WCs da JP Morgan, instituição financeira envolvida em vários escândalos (manipulação de mercados, corrupção, especulação, enfim, o costume). Os baloiços da Tate Modern fazem parte de uma exposição maior e não servem apenas para oscilar de trás para a frente. Têm como objectivo apontar o dedo ao sistema capitalista que nos faz viver vidas entediantes, de movimentos repetidos e inconsequentes. Como aqueles que fazemos no baloiço. É claro que o racional da obra é importante, mas não podemos deixar que isso nos distraia do essencial: baloiços gigantes! Yeaah! 

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