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Teatro Maria Vitória
Fotografia: Gabriell Vieira

Teatro Maria Vitória suspende espectáculos e corre o risco de fechar

É o último reduto do teatro de revista em Lisboa, e no país, e corre o risco de não voltar a abrir portas. Depois de meses de luta, a toalha foi mesmo parar ao chão.

Por Renata Lima Lobo
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Sem apoios e sem público. O Teatro Maria Vitória, que esteve seis meses fechado, tendo reaberto em Setembro, tem sido mais uma das vítimas colaterais da pandemia e esta quarta-feira anunciou a suspensão dos seus espectáculos, sem saber se alguma vez voltará a abrir portas.

No início de Outubro falámos com aquele que é o último dos grandes produtores de teatro de revista no Parque Mayer. Hélder Freire Costa está no leme do Maria Vitória desde 1975, depois de ter aprendido com alguns dos lendários produtores do Parque Mayer, como Vasco Morgado e Giuseppe Bastos, o seu principal mentor. Ao longo dos anos, foram várias as crises enfrentadas por Hélder Freire Costa, mas como explicou então à Time Out, esta caiu-lhe como uma bomba em cima. “Regressámos no dia 9 de Setembro com muita dificuldade. Nas cadeiras da frente ninguém se pode sentar, nas outras é uma aqui outra acolá”, lamentou. Mas há apenas um mês havia uma luz ao fundo do túnel, que se pode extinguir se tudo continuar como está.

Teatro Maria Vitória
Fotografia: Gabriell VieiraHélder Freire Costa, no palco do Teatro Maria Vitória


Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o Teatro Maria Vitória lamenta ter de avançar para a suspensão da sua actividade. “Tentámos que tudo retornasse à normalidade quando voltámos a abrir as portas no início de Setembro, mas falhámos, é impossível continuar a suster um teatro dadas as condições que o país vive. Quando fechámos portas em Março, o espectáculo que tínhamos em cena [Pare, Escute… e Ria!] estava a ter uma carreira de sucesso, tínhamos grupos excursionistas que se deslocavam de norte a sul do país para assistirem às nossas Revistas à Portuguesa, tínhamos famílias desde jovens aos mais idosos a irem ao teatro. ”, lê-se no comunicado que descreve ainda a situação actual. “Agora com o dever cívico das pessoas se recolherem em casa, não faz qualquer sentido alguém sair para lazer, muito menos para um teatro. Nada disto está a fazer sentido!”, contestam.

O teatro diz que tentou conseguir “todos os apoios a mais alguns”, que foram todos negados, e sai em defesa da importância de ser o único teatro que produz revista à portuguesa, um género com estrutura e roteiros próprios. “Fomos nós que lançámos alguns dos maiores atores que este país tem! Até há tempos fomos o único teatro a funcionar no Parque Mayer e a sua restruturação deve-se à nossa luta e persistência, mais propriamente do empresário e produtor Hélder Freire Costa que conta com quase 60 anos (!) dedicados ao teatro”.

O comunicado acrescenta que este é o género “que o povo mais gosta” e questiona o critério para não terem sido atribuídos apoios ao Maria Vitória. Se a situação não melhorar, é provável que o teatro, fundado em 1922, feche definitivamente as portas e com ele termine a revista à portuguesa. “A Sr.ª Ministra da Cultura Graça Fonseca, que tem sido inexistente até ao momento, caso não atue, ficará ligada a um dos momentos mais negros da nossa cultura em Portugal: o fecho do Teatro Maria Vitória e a respetiva extinção do Teatro de Revista”.

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