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Um El Gordo com barriga para a América do Sul inteira

Por Catarina Moura
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Salvador Almeida recebe quem entra no El Gordo todo vestido daquele verde alface e com um chapéu de Peter Pan a condizer. É farda de trabalho? “Não, sempre gostei de vestir umas coisas diferentes”, diz à frente das paredes pintadas com índios e cenas da vida rural da América do Sul. O pai de Salvador Almeida, Nuno, teve um restaurante com este nome há 30 anos no Bairro Alto. Depois mudaram os dois de vida e foram para o Rio de Janeiro – bastaram umas férias para surgir uma oportunidade de negócio e a vontade de ficar por lá. Também lhe chamaram El Gordo, que é a marca que nunca os abandona.

Fotografia: Arlindo Camacho

Depois de mais de dez anos no Brasil, o negócio tornou-se difícil – muita insegurança a somar a alguma burocracia – e a solução foi regressar à cidade de partida com a estrutura que ganharam pelo Rio e muita inspiração dos trópicos. Chegaram ao espaço que era ocupado pelo Pito do Bairro, de Olivier. Salvador mantém os franguinhos feitos na grelha junto à janela e acrescentou uns quantos cozinheiros com mão para a cozinha carioca e muita inspiração da Bahia. Basta olhar para a lista: há bobó de camarão com arroz maluco, que envolve batata palha, ervilhas e fiambre (18€), e moqueca de garoupa com batata doce (19€).

O Brasil não se fica por aqui. O mais seguro para iniciados a esta cozinha talvez seja pedir a feijoada brasileira, que vem com tudo o que merece – farofa, arroz, couve e laranja (13€ meia dose, 20€ uma dose). Os petiscos caseiros ainda vão a um filet à parmiginana (21€) ou a um franguinho com quiabo, típico de Minas Gerais (14€), tudo com a mão do cozinheiro Cláudio Silam.

Feijoada Brasileira
Fotografia: Arlindo Camacho

A carta do El Gordo também tem vista para outras paragens: há carnes de vários cortes, vindas da Argentina e do Uruguai, que se podem reunir todas numa parrillada, uma espécie de grelhada mista sul-americana (29,50€ a 74,50€); camarões à colombiana, servidos com uma espécie de migas secas com molho de tomate picante (11,50€); e vários ceviches – o tradicional peruano, com robalo e mandioca, traz grandes pedaços de peixe, ao contrário dos cubinhos que costumamos encontrar por Lisboa (11€).

Ceviche tradicional peruano
Fotografia: Arlindo Camacho

“É assim que se come no Peru e gosto de sentir bem e trincar o peixe”, diz Salvador, que para este novo El Gordo se inspirou nas viagens que foi fazendo pela América do Sul enquanto viveu no Brasil.

Para já só falta a carne de sol – a carne nordestina salgada e colocada a secar ao vento. O seu processo é longo e o melhor método para a fazer para este restaurante está em estudo – não é prático pendurar carne a secar no sertão da Rua do Alecrim.

Rua do Alecrim, 23 (Cais do Sodré).92 685 6879. Seg-Dom 17.00-2.00

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