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Uma carta aberta aos malabaristas dos menus

Uma carta aberta aos malabaristas dos menus

A vida está má para os artistas de circo. Já ninguém quer pagar para ver animais amestrados, os palhaços estão em decadência e o malabarismo, a nobre arte de atirar coisas ao ar, está a ser apropriada pelos empregados de mesa mais destemidos da cidade. Falamos dos rapazes e das raparigas que estão à porta de alguns restaurantes (Rua das Portas de Santo Antão e Rua dos Correeiros) atirando cardápios para o ar como se estivessem debaixo de um grand chapiteau.

Para além de serem exímios arremessadores de ementas, estes artistas têm outra grande qualidade: são poliglotas e conseguem dizer “olá”, “já almoçaram?”, “não querem almoçar?”, “temos sardinhas, bacalhau”, “não, senhor, não o estou a tentar assaltar” ou “desculpe ter-lhe acertado no olho”, em dezenas de idiomas diferentes.

Toda esta arte é posta ao serviço de restaurantes medíocres, daqueles que cobram balúrdios pelo couvert e onde se ouve bem o “plim” do microondas segundos antes de a comida chegar à mesa.

São embelezadores de armadilhas para turistas ou grandes e ruidosos cartazes-humanos que nos avisam: “Por favor não comer aqui”.

Os malabaristas dos menus servem também de elementos móveis para uma possível gincana pelas ruas de Lisboa – colocam-se sempre estrategicamente à frente das pessoas que estão com pressa para ir a algum lado. O que seria a nossa cidade sem estes artistas de rua?

 

+ Uma carta aberta à cenoura ralada

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