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Uma carta aberta aos periquitos de Lisboa
Inês MartinsUma carta aberta aos periquitos de Lisboa

Uma carta aberta aos periquitos de Lisboa

Por O Provedor
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Lisboa não é uma cidade tropical, muito menos por estes dias. Se tudo correr bem vamos manter-nos no Hemisfério Norte para sempre e um ano vai continuar a poder dividir-se em quatro, como a pizza quatro estações. O aquecimento global desafia esta hegemonia meteorológica, mas há outra coisa a fazer-nos duvidar da nossa localização geográfica. É um som. Não é um canto, um chilrear ou um piar. É um “crrrrááá”. O berro estridente dos periquitos de Lisboa.

Estas criaturas esverdeadas de bico cor de laranja andam aos pulos de ramo em ramo nos principais jardins de Lisboa. Podem ser avistadas na Estefânia, Alvalade e Lumiar, mas o Jardim da Estrela parece servir de morada para a maior família desta espécie invasora.

Não são uma ave autóctone e não se sabe ao certo de onde vieram. Mas a história que se conta é que um dia um periquito e uma periquita fugiram de uma gaiola e foram por aí a fora a reproduzir o mito de Adão e Eva – a reproduzirem-se, portanto. Se ouvir um dos seus "crááás" incline a cabeça para cima, repare nas suas espectaculares asas verdes e imagine que está no Rio de Janeiro e não na Avenida do Brasil.

Estes passaritos são um lembrete voador da adaptabilidade das espécies e da diversidade de Lisboa. Assim como as andorinhas assinalam a Primavera, os periquitos de Lisboa lembram-nos que o Inverno não vai durar para sempre.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Uma carta aberta aos vizinhos que não separam o lixo.

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