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Carta aberta às varandas de Lisboa
Inês Martins Carta aberta às varandas de Lisboa

Uma carta aberta às varandas de Lisboa

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Nunca estas plataformas salientes das fachadas dos nossos prédios foram tão importantes. E nunca as pessoas que fizeram delas marquises nos anos 80 e 90 estiveram tão arrependidas.

É certo que os donos de uma marquise têm agora um espacinho extra para guardar o equipamento de ginástica que nunca mais usaram. Mas onde é que vão apanhar ar, sentir os primeiros odores da Primavera ou sorver uns raios de sol?

As varandas de Lisboa estão mais ocupadas do que nunca. Vemos crianças a fazer bolas de sabão, adultos a apanhar banhos de sol e famílias inteiras a “almoçar fora” sem sair de casa.

Uma varanda é um luxo. Uns pequenos metros quadrados empoleirados sobre a rua onde podemos fingir que há uma vida lá fora e nós fazemos parte dela.

Os vizinhos que não se cumprimentam na escada dizem olá de uma varanda para a outra. As flores esquecidas a um canto são regadas como nunca antes. E até os passaritos pendurados em gaiolas parecem cantar mais alto – isso deve-se, sobretudo, à trégua que estamos a ter do trânsito e do aeroporto.

Quem tem uma varanda pode fingir que está em casa porque quer. Que esta é uma Primavera igual às outras e que a distância de segurança é só aquela entre nós e o chão.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

+ Leia aqui a Time In Portugal desta semana

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