A Fábrica de Santiago

Restaurantes Castelo de São Jorge
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Fábrica de São Tiago
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Crítica As técnicas de cozinha e a qualidade dos produtos não chegaram para convencer Marta Brown de que enfrentar o turismo do Castelo valha a pena

Quando entro num imponente hotel de cinco estrelas, sou recebida com sorrisos e simpatias de quem passou pela Escola de Hotelaria, encaminhada por salas e escadas de pedra antiga para uma bonita sala de jantar e peço, como prato principal, uma garoupa com puré de alho francês que vale 22 euros, fico à espera que venha um prato com a mesma elegância que o cenário onde é criado. E que corresponda ao valor que por ele pedem. Ora isso não aconteceu n’A Fábrica de Santiago. O que chegou à mesa foi uma posta de garoupa de pele tostada, o interior ligeiramente seco, assente numa cama de espinafres e salicórnia, tudo misturado sem cuidado, o puré à volta espalhado de forma tosca.

Falando deste prato em específico, mas à luz do que foram todos os outros que vieram para
a mesa, senti-me a conhecer o trabalho de alguém recém-saído da Escola de Hotelaria (o que sei não corresponder à verdade), com todas as ideias-chave do ensino. Vi a combinação de sabores – esqueci-me de referir que o puré vinha pingado com azeite de trufa, essa praga que assola tudo, desde pizzarias a restaurantes de hotel –, a linha do empratamento, os pinguinhos e folhagens 
que ajudam o prato a ganhar vida... Achei que havia muitas boas intenções, havia técnica e produtos de qualidade (apesar 
da secura da posta, o sabor da garoupa denotava frescura). Mas o que veio para a mesa não encheu o olho, não teve aquele aspecto bonito de um prato-para-fotografia, e nem sempre valeu os euros pedidos. E acima de tudo não encaixou com um boutique hotel na Costa do Castelo, cujos quartos e interiores dão vontade que seja Dia dos Namorados todos os dias.

Veja-se, logo de arranque,
 o couvert. Um cesto de pão alentejano, quatro fatias muito grossas – estando num hotel não pude deixar de achar que são as mesmas que se põem no cesto
 ao lado da torradeira rotativa do pequeno-almoço –, uma crosta estaladiça, mas um interior frio
 e massudo. Ao lado, azeite com vinagre balsâmico (boring), pasta de atum (sim, atum) e manteiga de ervas com alho. Está bom para uma tasca gourmet do Bairro
Alto, está mal para um hotel cinco estrelas. Veja-se também o amuse-bouche, um folhadinho tosco de queijo de cabra em massa filo, em cima de azeite e vinagre, debaixo de uma chuva de cebolinho. Um embrulho muito em voga há 10 anos, que julguei nunca mais ter de pôr a vista em cima.

Muito boa a sopa de peixe, um creme picante, com pedaços de peixe desfiado. Mas cara: 7,50€. Bons também os legumes assados com esparguete dos mesmos e molho de tomate. Bom, mas trapalhão. Uma torre de curgete, beringela, abóbora e espargos, em cima de uma pequena brunesa de legumes, sobre um niquinho de molho de tomate. Funcionaria melhor como acompanhamento de uma carne ou peixe do que como um prato a solo.

Em dose XL, cortado em triângulos (!), o lombo de novilho, com gratin de legumes e jus de vinho do Porto. Tudo montado à escola de cozinha, o gratinado de legumes típico dos anos zero. Um prato bom, mas a não valer 23€.

De sobremesa um brownie de chocolate, coulis de morangos e gelado de nata. Tudo servido num prato de sopa de tamanho grandinho, cujo resultado só podia ser um: enjoativo.

Acabo como comecei: pela simpatia e sorrisos de quem atende. Serviço condizente com as estrelas do hotel, comida a pedir mais aprumo e imaginação. Ou então preços mais baixos. 42,50€ por pessoa, só com um copo de vinho é ajustado à turistada que visita o Castelo. Tentar abrir assim o hotel aos lisboetas pode não correr bem.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

Nome do local A Fábrica de Santiago
Contato
Endereço Hotel Santiago de Alfama
Rua de Santiago, 10/14
Lisboa
1100-387
Horário Todos os dias 07.30-23.30
Transporte Bus 737
Preço 40 a 50€
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Absolutamente extraordinário. As ruas de Alfama que acolhem o restaurante Fábrica de Santiago estão bem presentes na experiência que este espaço proporciona. Com uma decoração muito simples mas a transbordar de elegância e classe, somos transportados para a Lisboa antiga, do fado e de Amália (que nos acompanhou todo o jantar em música de fundo). Uma oferta do chefe de tomate e mozzarella deu início a uma aventura gastronómica como poucas. O couvert era maravilhoso, o patê de atum era de comer e chorar por mais. Para entrada partilhámos uns peixinhos da horta, sem dúvida os melhores que já provei: leves, crocantes e deliciosos. A estrela da noite chegou no prato principal, o camarão tigre de Moçambique era uma coisa do outro mundo. Nunca tinha encontrado marisco com esta frescura e qualidade da carne, sublime. Para terminar, a surpresa de chocolate do chefe fechou com chave de ouro, uma sobremesa a relembrar os tempos da infância, extremamente bem conseguida. A formação do staff transparece na sua disponibilidade e conhecimento da carta, de um profissionalismo impressionante. Os preços... esses reflectem a qualidade que nos é oferecida. É uma experiência que todos devemos ter (e se pudermos, repetir sempre que for possível). Fiquei rendida, parabéns!


Opinião publicada na página do restaurante na Zomato.