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Adega da Tia Matilde

Restaurantes, Português São Sebastião
4 /5 estrelas
3 /5 estrelas
(2comentários)
Adega da Tia Matilde - Sala
1/4
Fotografia: Ana Luzia
Adega da Tia Matilde - Coelho à Caçador
2/4
Fotografia: Ana Luzia
Adega da Tia Matilde - Cabrito
3/4
Fotografia: Ana Luzia
arroz de lampreia da adega da tia matilde
4/4
Fotografia: Ana Luzia

A Time Out diz

4 /5 estrelas

É difícil escolher a razão pela qual a Adega da Tia Matilde é mais conhecida: se pela comida tradicional, se por ter sido durante anos um dos poisos favoritos de Eusébio. Mas se não está familiarizado com ela ainda (como não?) pode lá ir tanto para ver a justa homenagem ao Pantera Negra, como para provar as pataniscas, o cozidos, os filetes de garoupa, o coelho à caçador, o bacalhau à Isabel, a feijoada à transmontana, o leite-creme, tudo o que é português e bom, em doses sempre muitíssimo generosas.

 

Crítica: 

Clássicos há muitos, mas só alguns se aguentam com tanto gabarito ao longo dos anos. Este é um deles.

A máquina de serviço da Adega da Tia Matilde está tão oleada, mas tão oleada, que sempre que vou lá fico hipnotizada com a destreza de movimentos dos empregados. Passada rápida mas silenciosa, braços que aguentam pratos e travessas num equilíbrio perfeito, olhos que apanham a sala toda num só movimento de cabeça, resposta na ponta da língua a tudo o que se pergunta, aquele sorriso simpático sem ser exagerado e nenhum pedido anotado no papel, mas tudo decorado e repetido ao cliente em jeito de confirmação, sempre sem erros. O chamado serviço à antiga.

À antiga é também a vibração do restaurante. Muitos almoços de negócios (habitués que deixam o carro na garagem), muita gente engravatada, muitas famílias (avós e netos, vá-se lá saber porquê), o dono, filho da Tia Matilde, dos seus 90 e picos anos, sentado à mesa a ver o que se passa – e a circular pelas mesas a conferir “está tudo bem convosco?”, com mão apoiada no ombro –, alguns benfiquistas. Enfim, uma fauna que não muda muito.

O que também não muda muito é a comida tradicional pela qual esta adega ganhou fama e que continua a justificar frequentes excursões de lisboetas (e não só) ao Rego
– impossível ignorar o nome
do bairro. Os anos passam,
as gerações mudam – já vai
na terceira geração –, mas
os pratos continuam a ter a qualidade de outros tempos.
Seja o cabrito assado no forno, a caldeirada à Tia Matilde (convém encomendar para não esperar muito), o pato corado com arroz... a lista é interminável.

Numa visita recente ao almoço, depois de chegar já 
com a reserva feita e a mesa à minha espera, dei de caras com
o cenário do costume: o cesto de papos-secos pronto a ser atacado e a garrafa de água na mesa. 
E é mau? Oh, num outro sítio cheirar-me-ia a pão a caminhar para o duro, ali desde manhã cedo; aqui é sempre sinal de pão fresco e estaladiço.

[Só mais uma nota para o ambiente: está sempre uma senhora no guichet a despachar as contas, só há homens a servir à mesa, continuam lá as dezenas de fotografias daquele que era o cliente mais afamado da casa, Eusébio. Aqui é tudo muito anos 80 e muito competente.]

Pediram-se duas sopas para começar. Uma canja de pato e 
um caldo do cozido (2€ cada). Apuradíssimas, saborosas, a canja com massas e miudezas,
a sopa do cozido com couves, massa e cenoura, mas a chegarem já mais para o morno. E eu gosto de sopa a ferver, especialmente quando se tratam de caldos deste género. Para rematar as entradas, vieram duas pataniscas (2,50€, cada) excelentes, acabadas de fazer, sem gordura, mas com aquele ligeiro sabor da fritura que deve estar lá, só com bacalhau, sem embucharem. Tudo certo.

Muito bons os filetes de garoupa com arroz de tomate (17,50€). Uma meia dose bem generosa, com peixe de qualidade, polme no ponto, a acompanhar o filete à medida que o vamos cortando, o arroz bem molhadinho, a parecer risoto do bom.

Ao mesmo nível o cozido (15,50€), uma travessa com tudo a que o prato tem direito: óptimos enchidos, carnes (vaca e porco), batatas, arroz, o caldo a embeber tudo. Uma delícia.

Para acabar, e depois de
ter devorado com os olhos 
e babado de tentação com a extensa mesa de sobremesas
 – é um truque feio terem-nas expostas logo ali à entrada do restaurante, não é? –, escolhi a montanha russa (5,50€), nada mais, nada menos que um pratalhão de farófias. Como tudo o resto, muito boas.

Ou seja, Adega da Tia Matilde continua na mesma. Ainda bem.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

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