Café Garrett

Restaurantes Santa Maria Maior
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Café Garrett - Atum
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Fomos ao teatro descobrir uma peça com um guião criativo mas interpretações aquém das expectativas

Dia de semana, 21.00. Avenida da Liberdade cheia. Festival no São Jorge, concerto no Coliseu, parque de estacionamento dos Restauradores completo, trânsito de hora de ponta a gerar caos e apitadelas, Rossio com um considerável número de turistas e zero pessoas no Café Garrett. Minto. Quatro: um cozinheiro, um empregado, a minha companhia e eu. Nem mais uma mosca.

À volta, ensaios para aquilo que suponho ser uma peça de teatro itinerante. Gente a entrar e sair das portas ao lado – note-se que nenhuma entrou para o restaurante –, vozes altas a fazer muito eco no foyer, mas mesmo assim a dar alguma vida ao restaurante que se instalou há uns meses no Teatro Nacional Dona Maria II. Não fossem elas e o barulho de fundo seria o dos carros e autocarros a passar na rua.

\Chegou a ementa, pedi recomendações ao empregado e tudo o que recebi foi um “não sei, isso depende muito do gosto das pessoas” (a sério?). Mas depois de ter visto a incredulidade estampada na minha cara rectificou a resposta com algum jeitinho e lá fui encaminhado para um prato principal, na linha do que é uma das apostas da casa, o peixe.

Só que nem sequer enquanto esperava pelo começo da refeição fui inquirido sobre a vontade de trincar umas azeitonas, um pão, uns amendoins, uma garrafita de água, nada – e não era por excesso de trabalho. Ora não só faltava gente, uma música de fundo qualquer e ambiente, como faltava algo para entreter o estômago.

E foi nessa onda de faltas/falhas (servem as duas) de serviço e vida do restaurante que seguiram os pratos. Faltou ou falhou sempre alguma coisa ao longo da refeição.

A barriga de atum, cebola roxa e abacaxi (10,50€), a fazer lembrar uma marinada, tinha pouco sabor. O peixe não trazia o encanto de uma barriga de atum fresca e saborosa, o abacaxi estava demasiado verde e vinha com umas dispensáveis sementes de sésamo. À tomatada (7,50€), com tomate, ovos cozinhados a baixa temperatura e torradas de pão alentejano, faltava aromatização – havia um minúsculo ramo de orégãos frescos, mas não suficiente para dar sabor ao prato todo. De sublinhar que os ovos estavam no ponto, as torradas de pão alentejano eram autênticas (e não aquelas de pacote que se costuma apanhar por aí), o molho de tomate com cebola bem cremoso, algum sabor a pimenta, mas, lá está, a pedir uma erva aromática.

A dourada, bivalves e batata negra (16€), tinha boas intenções – aliás, toda a carta tem boas intenções e é criativa –, mas não chega a convencer. Dois filetes de dourada bons, algumas amêijoas e mexilhões num molho de ervas interessante e uns gnocchi de tinta de choco (a tal batata negra) sensaborões. O que faltava, porém, era a união de todos os sabores. Pena.

Já o bife à Garrett (18€) foi o pior prato da noite. Um lombo fininho, infelizmente comparável a muitos bitoques da cidade, sem molho, com alguns nervos, umas batatas estilo wedges, sem graça, e rúcula que pareceu de pacote. Faltou o quê? Qualidade da carne. Sobretudo pelo preço.

Para contrabalançar as faltas, a sobremesa cacau, chocolate e bolacha Maria (5€)tinha excessos. De tamanho e de açúcar. Nem a dividir se rematou o prato. Uma bola de gelado de cacau, uma fatia de salame de chocolate e mousse de chocolate, tudo montado sem o cuidado dos outros pratos.

Pelo que se paga, 35€ à cabeça com vinho, é preciso fazer uma série de afinações nos pratos e no serviço. E talvez ir lá numa noite em que haja peças de teatro (isto é, com mais gente).

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Francisco Beltrão

Publicado:

Nome do local Café Garrett
Contato
Endereço Teatro D. Maria II, Praça D. Pedro IV
Lisboa
1100-201
Horário Ter-Qui 12.00-00.00, Sex-Sáb 12.00-01.00, Dom 12.00-00.00
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