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Café Mortara

Restaurantes Campo Grande/Entrecampos/Alvalade
Café Mortara
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Gabriell VieiraCafé Mortara
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Gabriell Vieira

A Time Out diz

A Lena D’Água tinha acabado de tocar no Maria Matos e eu chorei como uma criança a quem caiu o gelado no chão. Pode ter sido da emoção de voltar a uma comunhão artística, depois do início da pandemia. Pode ter sido daquela mulher ali, regressada dos confins da desolação, erguida por uma banda de jovens frescos e felizes. Pode ter sido de “A Culpa é da Vontade”, do Variações, ter tido a melhor interpretação de sempre.

Chorei. Chorei muito. Chorei feliz. Chorei tanto que, no fim, só me apetecia beber uma cerveja. Duas, três. Era assim que fazíamos antigamente. Íamos a um concerto e depois bebíamos umas cervejas. E agora eu precisava de repetir o ritual, mas não havia nada aberto.

De repente, já a chegar ao lugar do carro, eis uma porta aberta, eis duas mesinhas em frente a uma loja, eis duas pessoas a beber uma cerveja. Não era bem um café, não era bem um restaurante. Era uma lojinha mínima sem fogão, com uma mesa lá dentro e duas cá fora. E bebida. E comida.

“Estamos mesmo a fechar, mas se quiserem beber alguma coisa ou comer ainda dá”, disse Vítor Mortara, responsável do Café Mortara juntamente com Letícia Mendes, sua companheira. Ou comer! Comer o quê?

Os concertos não dão só sede, também dão fome. “Temos massas frescas”, esclareceu Mortara, um brasileiro de São Paulo com ascendência italiana e bigodinho hipster. Massas frescas e cervejas artesanais num cafezinho do Bairro das Estacas, nas traseiras da Avenida de Roma. Depois de um concerto. Maravilha.

Nessa noite, engolimos umas cervejas e aviámos apenas os canelone. Mas esta semana voltei. E corri tudo o que havia nas vitrinas. A abrir, mini-calzones, depois as pastas: capeletti de frango, ravioli de espinafre com ricota, canelone de mozarela e presunto speck. Tudo bom, aquela consistência elástica mas rugosa da massa fresca, molho de tomate guloso a espicaçar tudo.

Não havia os bolinhos de fubá, com reputação, mas havia uma bolacha de aveia e chocolate que cumpriu a função de acompanhar o café.

Há várias cervejas da Musa, e Vítor sabe do assunto, que por lá já passou. O mesmo não se dirá do vinho: entre os tintos, só uma opção e italiana e não particularmente interessante.

A micro-loja/restaurante é forte no take-away e no delivery, podendo as pessoas encomendar as massas frescas e cozê-las em casa. O preço é outro dos fortes da casa: cada dose de massas fica por 6,50€, uma refeição pode não chegar aos 10€.

Foi isto que nos deu a Lisboa pré-Covid. É isto que temos de tentar preservar.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Detalhes

Endereço Rua Teixeira de Pascoais, 1A
(Alvalade)
Lisboa
1700-363
Preço 10-15€
Contato
Horário Seg-Sex 11.00-14.30/17.00-21.00
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