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Cantinho do Aziz

  • Restaurantes
  • Castelo de São Jorge
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado
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  4. Cantinho do Aziz
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    Inês Félix
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A Time Out diz

3/5 estrelas

O bastião da cozinha moçambicana está uma sombra do que foi – ou nem isso, diz Alfredo Lacerda.

Há templos onde não devemos voltar. O regresso ao Aziz não foi trágico, mas foi uma desilusão. A pequena tasca moçambicana cresceu, abandalhou-se, deitou-se à sombra da fama e do turismo. 

Comecemos pela sombra. Primeira visita. Vou sozinho e com reserva para as 15.30. Sim. no Cantinho do Aziz podemos comer a tarde toda e isso é de valor. Chego e não está ninguém na esplanada, que parece ter esticado, sentando hoje meia centena de pessoas. A empregada aponta-me a mesa mais exposta ao sol, quando todas as outras estão vazias, protegidas por toldos. Enfim, não leva a dela avante, mas maça-me. 

Noutra visita, volto a ter problemas com o calor. Estamos já a sair do pico da onda que assolou o país, com temperaturas a rondar os 33 graus. Reservo mesa, desta feita para as 14.00. As mesas na esplanada estão todas cheias e mandam-me para dentro. A sala interior não tem ar condicionado, nem graça, louça desarrumada por todo o lado.

De resto, os empregados falam quase todos só em inglês e mal. Qualquer tentativa de comunicar, de saber mais sobre o prato, cai por terra. Sendo que há muito para conhecer sobre a cozinha moçambicana, país onde confluíram as comunidades portuguesa, goesa e sul-africana. 

Podíamos relativizar, podíamos sublinhar antes o espírito popular do estabelecimento. Mas acontece que não é isso que se paga, hoje em dia, no Cantinho do Aziz. Facilmente se chega aos 25-30 euros, apesar de haver um menu de almoço por 5€, que não é anunciado em lado nenhum. Também não vejo que seja incompatível ter-se um serviço conhecedor e ar condicionado e cuidado na comida e um sítio popular.

Na comida, em duas refeições, três coisas foram boas, tudo o resto foi médio ou fraco. A chamuça continua belíssima, a massa estaladiça, o recheio cheio de cebola. Não pica, mas vem com molho caseiro de malagueta, à parte. Vale a pena lá ir só para beber uma cerveja Cuca e uma chamuça. Nas entradas, gostei também da yuca (mandioca) frita. Quanto às asinhas de frango, eram micro-pedaços requentados, a boiar num molho de amendoim aquoso. 

Nos principais, desapareceram alguns pratos da lista, como a matapa. Dos que provei, envergonhei-me com o makoufe. O Cantinho do Aziz alarda que este prato tradicional de Moçambique, com camarão e caranguejo, foi considerado pela Time Out, em 2015, como o melhor de Lisboa. Tem-no escrito nas paredes, em inglês e português, na rua e no interior. Ora, se bem me lembro, não terá sido o melhor prato de Lisboa, terá sim entrado numa lista entre vários outros eleitos. De resto, já não é nem uma coisa nem outra. O makoufe que comi, sete anos depois, parece um ensopado de leite de coco, liquefeito e sensaborão.

Melhor que o makoufe foi o miamba wa macua, com banana pão e camarão, a boiar numa molhanga com óleo de dendém, porventura o melhor prato da carta, entre os que experimentei. De resto, fraco o frango à Zambézia, sequíssimo, tal como estava aliás sequíssimo o frango no prato de muamba, um amontoado de ossos, outra vez num molho pouco apurado, e ainda mais no frango com molho de amendoim, acompanhado por umas batatas fritas amolecidas. 

Nas sobremesas, boa a bebinca, normal a mousse de maracujá, falha do dito. 

Em síntese. O Cantinho do Aziz, em vez de investir, em vez de aproveitar o sucesso e o receituário de Jeny Sulemange para melhorar, acabou por tornar-se num cliché do étnico, sem nada da alegria moçambicana, sem carisma e sem cozinha. Uma pena.

Alfredo Lacerda
Escrito por
Alfredo Lacerda

Detalhes

Endereço
Rua São Lourenço, 5
Mouraria
Lisboa
1100-530
Transporte
Metro Martim Moniz ou Rossio
Preço
Até 20€
Horário
Seg-Dom 12.00-23.00.
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