Cervejaria Liberdade

Restaurantes, Cervejarias Avenida da Liberdade
4 /5 estrelas
5 /5 estrelas
(2comentários)
 (Arlindo Camacho)
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Arlindo CamachoLagosta Thermidor
 (Arlindo Camacho)
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Arlindo CamachoCasquinha de santola
cervejaria liberdade (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo Camacho
cervejaria liberdade (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo Camacho

“Há vidas mais baratas,mas não são tão boas.” Devia ter uns 11, 
12 anos quando ouvi a frase pela primeira vez, dita em espanhol por um amigo do meu pai também espanhol, depois de uma grande almoçarada de praia algures
 no Sul de Espanha. Na altura pouca noção tinha sobre gastos em refeições e não me seduzia a comida como hoje – tenho pena porque com certeza deve ter sido um bom almoço.

Voltei a ouvi-la ao longo dos anos, sempre em português, 
com algumas variações de linguagem, em relação a outras coisas, mas quase sempre com um denominador comum: a mesa. Ou durante um grande jantar, ou na abertura de uma boa garrafa de vinho, ou num fim de tarde de copos e petiscos. Daí que me tenha lembrado dela – em espanhol, admito, lembro-me sempre em espanhol – quando passei a ombreira da porta da Cervejaria Liberdade para a rua, depois de ter pago 125€ por duas pessoas e por um jantar bem recheado de comida, pouco regado a vinho.

O que me leva a afirmar desde já que a Cervejaria da Liberdade é um restaurante caro. Bem sei que é uma marisqueira chique, que tem um serviço irrepreensível (já ouvi queixas em contrário, mas eu fui tratada nas palminhas),
 e que quando numa dolorosa entram ostras, recheios de santola e percebes, ela vai ser, bom, mais dolorosa ainda. E bem sei que a cidade de Lisboa está mais cara (ou mais de olho no turista), que os preços andam absurdos (basta ver o que andam a pedir por sardinhas este mês) e que se está na avenida mais cara da cidade. Ora, mas o sítio não deixa de ser caro, e não é só pelo marisco. É por tudo.

Já o era na outra vida enquanto Brasserie Flo, quando vinham ostras de França, quando havia esta panóplia de mariscos, mas quando o restaurante era mais parisiense do que lisboeta. Agora, com boa parte da equipa de sala e mesa a manter-se, e apesar de duas pequenas incursões pela cozinha japonesa e peruana, com sushi e ceviche (para quê?), o sítio tem alma portuguesa. E continua a fazer-se pagar bem. Deixa-me
 a pensar neste conceito estranho que é uma cervejaria chique, sem barulho de talheres, toalhas de papel e mesas sujas, mas isso daria pano para um painel de discussão que não cabe nestas linhas.

O outro lado da moeda é que tirando um arroz de tomate insosso, tudo o resto estava muito bom. Falo de umas gambas do Algarve pequeninas, que chegam logo com torradas de pão fino com manteiga, à laia de couvert, às quais se pode dizer “não, obrigada”, mas uma vez na mesa, é impossível. A dose contabiliza umas 150 gramas, vale 12€, mas as gambas são muito boas 
e frescas. Falo também de uma casquinha de santola (18€), com a carne do bicho a ser misturada num recheio com uns toques de mostarda, gema de ovo, alguma pimenta, sal. De uns percebes gordos e saborosos (95€/kg), e de umas ostras de Aveiro excelentes, fresquíssimas (3€/unidade).

Comeram-se ainda uns filetes de peixe galo bem feitos, polme fino e enxuto, o peixe também fresco, só a pecarem por duas coisas: a companhia ser um arroz de tomate ao qual faltava muito sal, o preço ser alto, até para o prato em questão (28€). Sobre os secretos de porco preto grelhados com açorda de amêijoas (20,50€), muito bem selados por fora, nada a apontar. E a entrar directamente para o top 5 das mousses de Lisboa está a mousse de cacau (8,40€, tau!). Amarga q.b., dura mas ao mesmo tempo a não perder a consistência de mousse, muito equilibrada.

Tudo a valer quatro estrelas, mesmo que não seja para todas as carteiras. É que infelizmente pouca coisa na Avenida da Liberdade é.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

Nome do local Cervejaria Liberdade
Contato
Endereço Avenida da Liberdade, 185
Lisboa
1250-141
Horário Seg-Dom 12.30-23.30.
Preço Mais de 50€
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Tastemaker

A Cervejaria Liberdade, um dos restaurantes do Hotel Tivoli Liberdade, é um espaço mesmo muito interessante. Um pé alto que é raro encontrar nos dias de hoje, uma disposição interessante e uma decoração luxuosa (ainda que falhe em alguns pormenores). A verdade é que, ainda assim, é dos locais mais bonitos da cidade para se fazer uma refeição. Tivemos de esperar alguns minutos até que a mesa estivesse pronta, apesar de termos feito reserva e de estarmos a falar de um restaurante onde facilmente a refeição passa os  60 euros por pessoa.
O menu apresenta um conjunto de opções "da terra" e "do mar". Para entrada propõem tostas com um delicioso presunto Joselito Gran Reserva... a prova de que o mais simples pode vencer!
O bife tártaro é preparado no momento, à frente do cliente, e de acordo com o seu gosto... achei muito saboroso, mas a carne podia ser menos picada, de modo a ter uma textura mais interessante. Quanto à posta à Mirandesa: saborosa, bem confecionada, com uns tradicionais grelos a acompanhar; as batatas que complementavam o prato não tinham qualidade... eram doces e amareladas, iguais às baratas que se vendem em qualquer hipermercado. Espera-se que um prato de 55 euros tenha apenas ingredientes de alta qualidade.
Os secretos Puro Bolota eram bons, mas não surpreendiam. Pelo contrário, a açorda de Ameijoa que os acompanha é simplesmente deliciosa! O que mais gostei de toda a refeição!
Para sobremesa, os ovos moles de Aveiro em crepe, laranja confitada e amêndoa caramelizada, acompanhada com um sorbet cítrico. A sobremesa é bastante boa, mas considero um autêntico atentado chamar ovos moles de Aveiro a algo que apenas é um creme pasteleiro bem confecionado.
Tenho a referir que o staff é pouco consistente. Um dos empregados era simpático, mas todos os outros que nos serviram eram pouco adequados e pareciam (bastante) inexperientes.
Em suma: um local muito bonito, com comida convencional que regra geral não surpreende, com um bar de marisco (que não provei), um staff aquém do que se espera encontrar num espaço destes e um preço de topo na cidade de Lisboa, que o coloca num patamar onde há restaurantes com muita mais qualidade.

tastemaker

Adeus Brasserie Flo (restaurante de inspiração francesa). Olá Cervejaria Liberdade!

Pode-se dizer que é um óptimo restaurante para se observar a movimentada 

Avenida da Liberdade, com aos seus rasgados vãos, por onde entra a afamada “luz lisboeta”.

Com um ambiente cosmopolita e informal, pode-se degustar os deliciosos pratos do menu.


A minha escolha recaiu num macio Creme de Marisco da Nossa Costa, seguiram-se os Filetes de Peixe-Galo Dourados, com Arroz de Tomate, terminando com o Duo Lisboeta de Arroz Doce e Leite-Creme.


Voltarei!