Críticas de restaurantes

O panorama gastronómico de Lisboa avaliado por quem sabe. Com a ajuda das nossas críticas de restaurantes, escolha onde jantar, marcar um almoço de negócios ou organizar aquele encontro de amigos que nunca mais sai do grupo de Whatsapp
Loco 147
Fotografia: Manuel Manso Restaurante Loco
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Antes de navegar pelo slideshow abaixo, fique a saber que as críticas de restaurantes da Time Out são uma experiência relatada por quem anda há anos a fazer disto vida. Em anonimato, os nossos especialistas em Comer & Beber sentam-se à mesa, provam de tudo um pouco, pedem a conta e depois escrevem sobre o que acharam dos pratos, dos copos, do serviço, do espaço e de tudo o que pode transformar uma refeição numa experiência 5 estrelas – ou num pesadelo.

Isto de ser fiscal da restauração lisboeta não é fácil, mas encaramos o sacrifício como um género de serviço público. Sirva-se à vontade das nossas críticas de restaurantes. E repita.

Críticas de restaurantes - 5 Estrelas

Prado
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

Prado

icon-location-pin Castelo de São Jorge

António Galapito fez crescer um Prado ao pé da Sé, um restaurante onde trabalha o gado e vegetação orgânica. Usa os ingredientes que os produtores portugueses lhe dizem que estão bons e, por isso, não tem uma carta propriamente fixa. Todos os dias há qualquer coisa que muda, dos cortes aos peixes. Do outro lado do aparthotel The Lisboans, onde fica o restaurante, há a Mercearia do Prado, onde se vendem produtos a granel, compotas e fiambres de porco preto.

A Time Out diz
Wurst - Salsicharia Austriaca
©DR
Restaurantes

Wurst - Salsicharia Austríaca

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Não estamos a falar de um restaurante, no sentido clássico.
 Este Wurst – Salsicharia Austríaca 
é um balcão fofo com uma dúzia de lugares sentados em redor, enfiado num cantinho do Mercado fofo de São Bento. Disto isto, a comida é enorme. Não só serve as melhores salsichas da cidade, como tem este dom de permitir-nos comer gordura animal sólida com a consciência tranquila. É que as salsichas são biológicas, produzidas pela Wurst na Herdade do Freixo do Meio, perto de Montemor-o-Novo. E salsichas biológicas é como um chuto de heroína feito de papoilas livres de pesticidas e de talibãs. A traficante de serviço é Maria Fuch, austríaca de Salzburgo encantada
 com Lisboa, sotaque luso-germânico encantador e indumentária tirolesa.

A Time Out diz
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Feitoria
©DR
Restaurantes, Pan-asiático

Feitoria

icon-location-pin Belém

Sabor, qualidade, criatividade, aparato. Bastariam estas palavras para descrever uma refeição no Feitoria. E, por consequência, a cozinha de João Rodrigues. Mas antes, um pequeno intróito. O chef sucedeu a José Cordeiro 
à frente do Altis Belém. Agarrou a estrela Michelin ganha em 2012 e,
 mais do que isso, escalou um caminho surpreendente e consistente, bem sustentado pela qualidade da matéria-prima escolhida – prova disso é o menu Terra, uma exímia degustação 100% vegetariana de três pratos, em boa parte assegurada pela Quinta do Poial. Se merecia a segunda estrela, como foi vaticinado e acabou por não acontecer? Merecia.

A Time Out diz
In Bocca al Lupa
Fotografia: Ana Luzia
Restaurantes

In Bocca al Lupo

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

As crianças nem sempre são o melhor que há no mundo, mas resultam muito úteis para a crítica de restaurantes. As crianças mesmo crianças não vão em tendências nem em tops. Não lhes interessa se o restaurante é do chef A ou do chef K. Se a carne é maturada durante 12 dias ou 12 meses. Se o peixe é de aquacultura ou vivia numa gruta das Berlengas. A gente pergunta às crianças: Gostas? E as crianças respondem: “É óptimo”. “É horrível”. Às crianças só interessa o sabor e o prazer.

A Time Out diz
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Restaurante Loco
Fotografia:Arlindo Camacho
Restaurantes

Loco

icon-location-pin Estrela/Lapa/Santos

De início houve alguma bazófia e era fácil embirrar com o sítio. Quando alguém sente necessidade de proclamar a sua “corrente criativa constante”, frequentemente acaba sozinho num onanismo preguiçoso gritando aleivosias contra os brutos lá fora. Ninguém gritou no Loco mas a reacção a um projecto que se apresentava com “um outro nível conceptual”, “uma experiência total”, foi vigorosa. Um respeitável crítico gastronómico espanhol foi quem primeiro disse “nem tanto”. Depois de uma visita a Lisboa, Carlos Maribona escreveu no blogue do jornal ABC um texto amargo.

A Time Out diz

Críticas de restaurantes - 4 Estrelas

O Mariscador
Fotografia: Duarte Drago
Restaurantes, Frutos do mar

O Mariscador

icon-location-pin São Sebastião

Há muito que evito adjectivos quando alguém pede conselho sobre restaurantes. Se uma pessoa diz que um restaurante é incrível – muitas pessoas o dizem – o mais certo é que a outra pessoa, depois de lá ir, ache só ok. Isto é assim porque somos seres com papilas e gostos e educações diferentes, mas também porque pesa na avaliação outra coisa: a expectativa; e se a expectativa é alta há mais hipóteses de desilusão; há mais hipóteses de distorcermos a verdade. O crítico de restaurantes deve por isso ser um combatente profissional da expectativa. O que implica, muitas vezes, defender-se do marketing e da notícia na revista, da entrevista sentimental ao chef e da inauguração com famosos, da dica do colega de profissão e do convite do assessor de imprensa.

A Time Out diz
Windsurf Café
Fotografia: Duarte Drago
Restaurantes, Português

Windsurf Café

icon-location-pin Cascais

Há uma tendência na 
vida para nivelar por baixo. Afrouxamos se o pelotão não pedala, distraímo-nos se a concorrência é fraca. Acontece assim em tudo na vida – e 
na restauração é igual. Um restaurante mau arrasta outros restaurantes maus. Em Lisboa, existem algumas zonas gastronómicas niveladas por baixo. Vem logo à cabeça
 as Portas de Santo Antão, uma rua com mais armadilhas gastronómicas do que pedras na calçada – e logo a seguir o Bairro Alto, a Rua Augusta, a Rua dos Correeiros, as Docas. Sucede que em todas estas lixeiras encontramos faróis cercados por náufragos, gente limpa no lamaçal, erva verde entre cinzas – casos extraordinários de superação, verdadeiras excepções ao nivelamento por baixo. É sobre uma dessas excepções que vos quero falar.

A Time Out diz
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Ramiro
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Frutos do mar

Cervejaria Ramiro

icon-location-pin Intendente

Ei-lo à nossa frente. O lobo mau da Almirante Reis, o monstro de cauda serpenteante, o grande papão da restauração lisboeta. São 19.05, quinta-feira de Julho, quando enfrentamos a fila de espera do Ramiro. Cá fora mais de 70 pessoas, umas espalhadas pelo passeio, outras dentro da sala de espera exterior, um rectângulo fechado com decoração de merchandising de cervejeira. Aproximamo-nos da máquina das senhas, à porta, tiramos uma e ficamos a observar, fechados nesse galinheiro internacional. A tal máquina chama os números ao mesmo tempo que eles aparecem num ecrã, qual repartição de Finanças. Mas não é fácil perceber a lógica da fila.

A Time Out diz
Everest Montanha - Sala
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Nepalês

Everest Montanha

icon-location-pin Alvalade

Não há uma vez que passe aquela porta sem que haja um pequeno desentendimento. Os empregados, vestidos com um rigoroso uniforme nepalês, querem sempre instalar-me num sítio onde eu não quero ser instalado — mesmo se vou ao meio-dia e a sala está vazia. Não é embirração, é só um protocolo sobre ocupação de lugares seguido sem concessões há mais de uma década. São muito coerentes nisto e no resto. Há poucos restaurantes com comida tão sólida e consistente, em Lisboa. Dezenas de visitas e a cozinha é sempre entre o satisfaz mais e o muito bom.

A Time Out diz
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skora
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Dinamarquês

Skøra

icon-location-pin Lisboa

É reciso lembrar que 
a cozinha dinamarquesa protagoniza um dos grandes paradoxos gastronómicos do nosso tempo. Tem o restaurante de alta cozinha mais importante do mundo – o Noma, com residência em Copenhaga –, mas a popularidade do receituário tradicional está ao nível da do Níger. Uma das razões para isto acontecer tem a ver com a falta
 de produto. Comparando com os nossos peixes, vegetais ou carnes a Dinamarca é um país pobre. E nada é condimentado com muitas especiarias ou muito tempero. A salvação está nos molhos e nas curas. Confirmou-o a própria Ana Bassie, proprietária e chef do Skøra. Numa das incursões que fez à sala, adiantou que quer manter-se fiel a esse princípio, compensando a insipidez da matéria-prima com caldos de muitas horas. “Fazemos todos os dias o gravy, um caldo à base da cozedura de carne e vegetais”, disse.

A Time Out diz
Quitanda
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Frutos do mar

Quitanda

icon-location-pin Oeiras

Sentados na esplanada à beira-rio, a primeira sensação 
é de Tarrafal. À nossa volta está um gradeamento com arame farpado, alto como numa cadeia de alta segurança. Em 20 passos estaríamos com os pés de molho no Tejo, mas a cerca da esplanada do Quitanda transforma o rio numa miragem e o restaurante numa cadeia de alta segurança sem projecto de arquitectura. Olhando para terra, as coisas não melhoram. O Centro Náutico de Paço d’Arcos, onde o restaurante está instalado, parece uma piscina municipal do tempo em que as piscinas municipais eram construídas sem fundos europeus. Há uma sala no primeiro andar, relativamente arrumada, e há mesas no rés-do-chão lado a lado com os balneários, a secção de canoagem, placards com quadros competitivos e vitrinas onde se exibem os troféus do clube. No meio desta parafernália, eis então o tesouro do Quitanda: a banca do peixe.

A Time Out diz
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Jamie's Italian Lisboa
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Italiano

Jamie's Italian

icon-location-pin Princípe Real

A versão portuguesa do restaurante italiano de Jamie Oliver tem três pisos com 174 lugares sentados, com direito a sala privada no -1, e dois terraços com vistas incríveis para o castelo, seguindo, em termos de decoração, a mesma linha dos restaurantes Jamie’s Italian – presuntos e alhos pendurados no bar, à entrada, e decoração em madeira, azul e cobre. A carta é grande, tem o nome dos pratos em inglês para “preservar o espírito britânico" e faz referência aos “mais famosos” ou aos favoritos de Jool, a mulher de Jamie Oliver.

A Time Out diz
O Poke
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Havaiano

O Poke

icon-location-pin São Sebastião

O filme de promoção ao Gourmet Experience, do El Corte Inglés – onde está este Poke, bem como os restaurantes de Avillez, Sá Pessoa, Roberto Ruiz, Pepe Solla e Aitor Ansorena – foi bem esgalhado mas deu azo a uma piada. “Adivinha. Quantas vezes subiram os chefs do Gourmet Experience ao sétimo andar do El Corte Inglés? Resposta certa. Uma. Durante a gravação do vídeo que fizeram para as redes sociais.” Enfim, não é uma piada hilariante, nem sequer verdadeira, mas, como todas as piadas tem um referente – que é este: as celebridades da cozinha portuguesa andam a vender restaurantes como o Ronaldo vende camisolas.

A Time Out diz
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Taberna Fina, André Magalhães
Arlindo Camacho
Restaurantes, Cozinha contemporânea

Taberna Fina

icon-location-pin Chiado

A Taberna Fina fica num primeiro andar de um hotel de luxo e é uma sala pequena, quadrangular, com janelas para a Praça Luís de Camões. Lá em baixo, em redor da estátua do poeta, pela hora do jantar começa a juntar-se uma multidão em algazarra festiva, antecâmara do Bairro Alto. Cá em cima canta Norah Jones e as pessoas sussurram em ambiente sofisticado, entre paredes escuras. Está metade da lotação, uma dezena de pessoas – mas os três empregados de sala andam num frenesim. Uma das razões tem a ver com o próprio conceito do restaurante. Como só está disponível uma opção de degustação, com uma dezena de momentos, há sempre qualquer coisa a acontecer.

A Time Out diz
soi
Fotografia: Francisco Santos
Restaurantes, Asiático contemporâneo

Soi

icon-location-pin Cais do Sodré

Esta rubrica segue a regra de só fazer a crítica de um restaurante três meses depois de ele inaugurar. A ideia é preservar o soft opening, dar tempo à casa para afinar as coisas – uma regra discutível que, em todo o caso, beneficiou este Soi. Calhou lá ir na primeira semana em que o restaurante abriu, almoço rápido e frugal,
 e fiquei com a ideia de que estávamos perante a receita habitual para o asiático pós-moderno: soja daqui, erva-príncipe dali, molhos
 de supermercado chinês, pitada de molho vietnamita industrial, pad thais, agridoces, caldos apressados, decoração modernaça, néons, bambus e woks flamejantes.
 Voltei uns meses depois, novamente ao almoço, desta vez com tempo e estômago – e 
a comida pareceu-me mais consistente e original. A carta mantinha tiques de cozinha 
de fusão, com abundância de chilis e pastéis açucarados, mas aconteceu que tudo o que veio para a mesa estava uns furos acima da concorrência.

A Time Out diz
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Merendinha do Arco Bandeira
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Merendinha do Arco Bandeira

icon-location-pin Baixa Pombalina

Na parede há três quadros que me chamam a atenção. O primeiro, de frente para quem entra, anuncia o lema da casa, “higiene, honestidade e rapidez”. O segundo, à esquerda da porta, é a “Rapariga com brinco de pérola”, de Vermeer. O terceiro, mais à esquerda ainda, mostra o pequeno Jaime quando tinha uns 7 anos, a cuidar das vacas no lugar de Lamamã, numa imagem que anuncia as Festas da Vila de Paredes de Coura de 2007. Acredito que todos eles, literalmente ou não, dizem alguma coisa sobre a Merendinha. Explico. O primeiro declara três princípios que não se devem dar por garantidos em mesas de almoço e que, tanto quanto a minha experiência permite afiançar, são escrupulosamente cumpridos na casa.

A Time Out diz
restaurante rua
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Restaurante RUA

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

O Miso é uma das grandes maravilhas da cozinha japonesa e brincar com ele pode ser perigoso. Feito de caldo de dashi, extraído de algas kombu
 e de bonito seco (peixe parecido com o atum), é das sopas mais retemperadoras que os humanos inventaram. Ora, neste Rua, o miso apareceu com notas a cabeças de camarão grelhado, qual híbrido luso-japonês, meio miso, meio creme de marisco. Para tornar tudo ainda mais luxuriante, no topo vinha um camarão grande descascado, tenro e elástico, a acrescentar textura numa tigela cheia delas: tofu, cebolo, algas wakamé e folhas de capuchinha. Grande abertura, como um teaser do MasterChef mas em bom, sem as repetições insuportáveis do programa televisivo.

A Time Out diz
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Aya Bistrôt
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Japonês

Aya Bistrôt

icon-location-pin Grande Lisboa

Estava uma destas noites tempestuosas de Março, ruas desertas, acessos à ponte congestionados. Mesmo assim reservei mesa. Ia de Lisboa para a Cova da Piedade, na Margem Sul, o Google Maps dava-me 50 minutos de caminho. Não queria correr riscos. À chegada, ficou claro que 
as cautelas eram exageradas. O restaurante estava vazio, só uma pessoa para take away e o homem que procurava: Cícero. Não Cícero, o extraordinário político e pensador romano que Marco António mandou decapitar, mas Cícero, o sushiman brasileiro,
 o mais discreto e simpático dos discípulos de mestre Takashi Yoshitake. Se lê esta revista com regularidade, sabe que Takashi Yoshitake foi – e é – uma figura tutelar da gastronomia tradicional japonesa, em Portugal. Fundador do Aya, fechado em 2009, ensinou boa parte dos sushiman que hoje cortam peixe nas melhores casas da especialidade.

A Time Out diz
Tendinha do Rossio
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Tendinha do Rossio

icon-location-pin Baixa Pombalina

Cresci fora de Lisboa e o meu mapa mental da cidade testemunha isso. Para um gaiato da margem sul, o Terreiro do Paço será sempre a porta da frente
 do resto do mundo e se tiver de indicar o centro da capital aponto para a Baixa. Resumindo, sou um pombalino. Isso está também marcado na minha geografia afectiva dos apetites, uma espécie de carta onde se inscrevem as coordenadas de tudo aquilo que, consoante o lugar, me dá na gana comer se acaso estou esganado. Pois bem, se a fome aperta no centro, é provável que acabe na Tendinha. Serve este longo intróito para justificar a forma pouco crítica como salivo cada vez que me especo diante deste balcão de inox.

A Time Out diz
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Zazah
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Petiscos

Zazah

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Estava prestes a descartar os croquetes de alheira, quando ao meu lado ouvi um “crssssshhhh” notável, um camião TIR contra um Boeing 747. O som saiu directamente da boca fina de uma mulher fina que os mastigava finamente, sentada 
na mesa ao lado, uma artista 
de vestido preto admiradora de Chico Buarque – “É Deus no céu e Chico na terra”. Sendo um freak do crocante, resolvi experimentar. A minha boca não é fina e o que aconteceu 
à primeira mordidela foi um abalo de grau 8, uma coisa suficiente para acordar os patos do Príncipe Real. Com isto, engoli o dito e engoli um preconceito.

A Time Out diz
A Provinciana
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

A Provinciana

icon-location-pin Santa Maria Maior

À segunda é certo que haverá sangue. No primeiro dia da semana a Dona Judite
faz sempre galinha de cabidela. À terça faz chanfana (de vitela, mas a preceito), à quarta pernil assado no forno (serve com feijão e couve cozida), quinta é dia de polvo à lagareiro (pequenino, inteiro, firme, com batatas assadas) e na sexta bacalhau com grão. Ao sábado não sei, confesso, nunca cá pus os pés, e ao domingo a casa fecha. É claro que também se pode dizer que segunda há bacalhau à minhota, terça lagartos, quarta dobrada com feijão, quinta cozido e sexta bacalhau à lagareiro. Mas isso é outro itinerário.

A Time Out diz
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Vela Latina
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Mediterrâneo

Vela Latina

icon-location-pin Belém

Uma das coisas que mais me fez salivar desde que a Rita me beijou de língua, já lá vão 30 anos, foi o arroz de alcachofras que comi num jantar recente no Vela Latina. À primeira garfada soltei um impropério (mental) seguido 
de uma hipérbole (vocal): “Isto 
é das melhores coisas que comi na vida”. A acidez da alcachofra laminada — muita — e o caldo suave e protéico deixaram-me extasiado e meditativo. O arroz, que acompanhava um magnífico filete de pescada, não tinha o fim lácteo e gordo do risoto; 
mas também não era o típico malandrinho. Havia ali truque. E eu havia de o descobrir. Dias depois, domingo de manhã, liguei para o restaurante e pedi para falar com o chef. Benjamim Vilaça, desde os
 anos 80 à frente do restaurante junto à Torre de Belém (resistiu à renovação recente do espaço), contou tudo.

A Time Out diz
Cave 23
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Cozinha contemporânea

Cave 23

icon-location-pin Lisboa

A abrir, sugeriram-nos um Porto Vieira de Sousa, meio-seco, 10 anos de idade, ligeiramente refrescado, para acompanhar os amuse-bouches. Embora se trate de um vinho especial, torci o nariz. Pareceu-me uma versão sofisticada do cocktail impingido à entrada, tão comum na restauração lisboeta, e pareceu-me potência a mais no arranque da refeição. Mas o chefe de sala insistiu, educadamente, e quando um chefe de sala insiste, educadamente, devemos segui-lo. Como se haveria de constatar, “potência a mais” é um conceito que não existe no Cave 23. O restaurante – pequeno mas bonito, luzes baixas, garrafas de vinho, madeiras – não tem carta e só nos foi dada a opção de uma degustação às cegas, sem se saber de quantos momentos, quantos pratos, quantos euros. Apresentou-se então o chef em pessoa.

A Time Out diz
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mezze, restaurante sírio, arroios
©Francisco Santos
Restaurantes, Sírio

Mezze

icon-location-pin Lisboa

É justificado o bruaá em torno do Mezze, o restaurante onde quem recebe e cozinha são refugiados do Médio Oriente. O projecto, muitíssimo falado na imprensa quando abriu, em Setembro 
do ano passado, tem a mão da Pão a Pão – Associação para a Integração de Refugiados do Médio Oriente, responsável por uma série de eventos 
e workshops, não apenas ligados à gastronomia. Tem também, lê-se no final da ementa, o contributo de uma série de nomes, mais ou menos conhecidos, da cozinha ao design, da música à televisão. Tanta atenção mediática (merecida, sublinhe-se) tornou o Mezze num daqueles restaurantes cujos primeiros passos foram acompanhados por enchentes de pessoas, com textos e fotografias partilhados e repartilhados nas redes sociais – acresce também o factor popularidade da cozinha do Médio Oriente no país.

A Time Out diz
Sud Lisboa
©António Nascimento
Restaurantes, Italiano

SUD Lisboa Terrazza

icon-location-pin Belém

O sururu em torno do SUD tem sido grande. Primeiro, foram as obras a juntar dois ícones da beira-rio, o Piazza di Mare e o BBC, num projecto do grupo SANA que envolveu uns milhões. Depois, foram as fotografias da esplanada e da piscina, que começaram a ser partilhadas em catadupa nas redes sociais assim que as portas abriram no Verão – uma espécie de “eu já lá fui, embrulhem”. E daí veio, nos restantes meses, a grande questão: então, o SUD é bom? Prontifico-me a respondê-la, à luz de um jantar feito à base dos pratos mais italianos da já de si mui mediterrânica ementa, nos próximos parágrafos.

A Time Out diz
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Pomar de Alvalade
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Pomar de Alvalade

icon-location-pin Alvalade

Nunca me tinha acontecido. Acabar a de fazer um elogio à comida quando o empregado, travessa vazia na mão, atirou. “Você gosta disso?! Eu não acho graça nenhuma ao prato”. Não foi um sussurro ao ouvido, não foi conspiração contra o cozinheiro. Foi um sincero e sorridente desabafo, vociferado para toda a sala ouvir, sendo que a sala, como de costume, estava numa algazarra festiva e indiferente. O episódio demonstra uma coisa que toda a população do bairro de Alvalade sabe. O Pomar, tasca com mais de 30 anos,
s erve com a confiança de quem nada teme. O sítio está lotado diariamente e assenta o sucesso em três coisas: bom produto, sobretudo peixe e marisco; boa cozinha; e um serviço expedito, espirituoso e franco, como se todos os empregados fossem vizinhos a quem podemos confiar o histórico do Google.

A Time Out diz
Focacceria Pugliese
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Italiano

La Focacceria Pugliese

icon-location-pin Campo de Ourique

A La Focacceria Pugliese é um restaurante de comida rápida em Campo de Ourique – tão rápida que há um desconto de 10% para quem faz take-away. Abriu há coisa de dois anos num espaço mais pequeno e mudou-se depois para a esquina da Tomás da Anunciação com a Coelho da Rocha, ganhando espaço e diversidade de oferta. Para o efeito, que é servir comida rápida a preços em conta, está ajustado. Nada do que se come é fora de série (incrível ou de perder a cabeça), algumas vezes vezes é requentado antes de chegar
 à mesa, mas nem isso difere de outros negócios do género em Itália (ou das pizzarias al taglio de Lisboa).

A Time Out diz
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café Tehran
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Iraniano

Cafeh Tehran

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Uma Iraniana a viver em Portugal desde os dois anos, abriu na praça mais cutchi-cutchi de Lisboa (essa, a das Flores) um restaurante com cozinha do Irão. E a pergunta que se impõe é: o que é cozinha do Irão? Influências do Médio Oriente, traços mediterrânicos, alguns estufados, muitos vegetais, frutos secos, ervas aromáticas e especiarias em barda. É, pois, uma cozinha perfumada, saborosa e diferente. E o trabalho de Pooneh Niakian, que recebe, recomenda e cozinha neste seu Café Tehran, é bem feito. Da mistura de frutos secos torrados com especiarias que abriu a refeição, mais viciante que uma taça de pipocas, à tarte de amêndoa e noz moscada sem farinha, acompanhada de um chantilly 
de cardamomo (que delícia, que leveza) com que fechou, gostei
 de tudo o que comi num almoço recente no restaurante.

A Time Out diz
Cantina Peruana
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Peruano

Cantina Peruana

icon-location-pin Chiado

Sentada à mesa da Cantina Peruana, no varandim do primeiro andar do Bairro do Avillez, numa noite de semana com casa cheia, apercebi-me de que José Avillez, além de chef, agora também é senhorio. Desconheço, e de nada me interessam, os detalhes contratuais, mas sei que de certa forma o que fez ao abrir as portas de uma das suas casas mais populares (não são todas?) ao chef e amigo Diego Muñoz, e ao afirmar à imprensa que a ementa é toda do peruano e só o ajudou nos acertos de cortes de peixe, na ponte com produtos portugueses e alguns sabores, está, de certa forma, a ser um daqueles senhorios que até dá o nome de um faz-tudo impecável quando arrenda a casa. Mais: todo o site da Cantina Peruana fala em Diego Muñoz, no chef que está aos comandos, Yuri Herrera, também natural do Peru, e isso só confirma a minha ideia.

A Time Out diz
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O Watt
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

O Watt

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

É bem possível que o carré de borrego com pistáchio d’O Watt, o mais recente restaurante de Kiko Martins, se torne num prato icónico desta cidade. O carré é um corte da costela do bicho, aqui desossado num lombo limpo e tenro, pincelado com extracto de romã. No topo, leva uma areia de pistáchio com flor de sal, que contrasta maravilhosamente com a acidez da romã e dos montículos de creme de iogurte com za’atar (mistura árabe de ervas, sésamo e sumagre). O prato é ainda adornado com pasta de hummus e espinafres e com grãos e espargos, menos emocionantes mas bem no enquadramento, compondo um dos pratos mais bonitos que me foi dado ver em 2017.

A Time Out diz
Local
©Francisco Santos
Restaurantes, Português

Local

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

E eis que este Verão o nome André Lança Cordeiro começou a ser falado com frequência pela comunidade de foodies (ou gastrónomos, você decide) de Lisboa. Tudo graças ao Local, o restaurante em open space só com 10 lugares e 18 metros quadrados que abriu no Príncipe Real. Os verdadeiros entendidos da área dirão que já conheciam o nome do chef
 do Palácio do Governador, sítio que marcou o seu regresso a Lisboa depois de vários anos a trabalhar em França e na Suíça. Os que tomam Memofante há vários anos lembrar-se-ão da
sua passagem pela icónica 2780 Taberna, em Oeiras. Eu tenho
 de admitir que apenas comecei
 a ouvir falar do chef cujo nome encaixa que nem uma luva com a área de especialidade quando este se instalou no Ânfora, o
 tal restaurante do Palácio do Governador, espaço que deixou para abrir o Local.

A Time Out diz
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S Restaurante
©DR
Restaurantes, Português

S Restaurante

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Cresci a ler o David Lopes Ramos, saudoso amigo e crítico gastronómico do Público, e sempre me ficou na cabeça, como referência incontornável da cozinha alentejana, o restaurante A Bolota, de que ele tanto gostava e sobre o qual tanto escreveu, há quase 20 anos. Na altura, demasiado pobre para lá comer, lembro-me de sonhar com o dia em que pudesse ir à Terrugem, aldeia perto de Elvas, experimentar esse templo, um dos poucos da região a ser contemplado com estrela Michelin. Dramaticamente, todavia, Júlia Vinagre, cozinheira 
e mentora do sítio, sofreria 
um grave acidente de viação, acabando por deixar o restaurante demasiado cedo — e eu acabaria por não conhecer A Bolota, mesmo já quando poderia dar-me a um luxo ocasional.

A Time Out diz
Chutnify
Fotografia: Francisco Santos
Restaurantes, Indiano

Chutnify

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

É um princípio de sempre. Desconfiar de tudo o que se auto designe por moderno. A verdadeira modernidade não se apresenta, acontece. Daí que o slogan usado por este Chutnify, ainda por cima em inglês – “Modern Indian Cuisine”– , no toldo do restaurante, tenha significado ao mesmo tempo uma novidade e um alerta. A novidade. A ideia de se passar alguma coisa de diferente – qualquer coisa – na restauração indiana em Lisboa é, em si, uma boa notícia. Com uma ou duas excepções assinaláveis, 
há décadas que as mesas são 
as mesmas, os donos são os mesmos, os menus não mudam uma vírgula ou um prato, sempre o nível de picante ajustado ao povo autóctone–baixo, demasiado baixo –, sempre uma lista de caris infinda em que
 só muda a proteína.

A Time Out diz
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Estórias casa da comidfa
©DR
Restaurantes, Português

Estórias na Casa da Comida

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Um jantar recente no Estórias na Casa da Comida
 (para mim será sempre só e apenas a Casa da Comida) fez-
me relembrar a velha lição que aprende um crítico quando entra no ofício: há restaurantes para todo o tipo de gostos e a avaliação deve ter isso em conta. No caso, este ícone da restauração lisboeta está aqui para quem procura aquela cozinha portuguesa com alguns luxos, o serviço à moda antiga e um sítio hipersilencioso e sossegado – ouve-se um jazz moderninho vindo das colunas. E se a remodelação sofrida há alguns anos lhe retirou o corpo 
de aspecto mais pesado, a alma continua a ser da velha guarda. Assim como os preços. Quase 100€ por uma refeição de duas pessoas, com vinho a copo. Há mercado para isto? Há, pois.

A Time Out diz
Casa de Pasto - Sala de Jantar
©DR
Restaurantes, Português

Casa de Pasto

icon-location-pin Cais do Sodré

Lembro-me bem da primeira vez que fui jantar à Casa de Pasto. Lembro-me de ficar extasiada com a decoração, de ter passado a noite a descobrir pormenores nas prateleiras, tecto e paredes, daquela meia luz da sala muito bem conseguida e lembro-me até de ter achado piada ao design do menu – confissão: levei-o para casa e tudo. Já não sei ao detalhe o que comi, mas recordo o rissol de berbigão, uns legumes na brasa (agora desconfio que  já fosse o Josper, mas na altura ainda ninguém o tratava por tu) e, o mais curioso de tudo, é que me lembro do preço como se fosse hoje: 28€ por pessoa, por um jantar com umas amigas, alguma comida e vinhos.

A Time Out diz
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Ela Canela
©DR
Restaurantes, Português

Ela Canela

icon-location-pin Campo de Ourique

Se hoje em dia é impossível andar a par da quantidade de restaurantes de alimentação saudável que abrem em Lisboa (por mais lato que seja o conceito), por outro lado é fácil sinalizar os que são bons, autênticos e têm qualidade. Melhor dizendo: que não se limitam a atirar abacate sensaborão esmagado para cima de um pão de forma duvidoso, que por essas e outras receitas similares cobram fortunas e deixam a sensação que no site de uma qualquer guru da moda internacional se encontram melhores ideias para fazer em casa. O Ela Canela, em Campo de Ourique, é um desses casos em que a promessa de produtos biológicos e sazonais, a ausência de alimentos processados e o método de cozinha
 saudável resultam em pratos verdadeiramente gulosos.

A Time Out diz
Restaurante Midori, Penha Longa
©DR
Restaurantes, Japonês

Midori

icon-location-pin Sintra

Um dos grandes horrores de um fine dining são os bebés. Um bebé pode rebentar, não apenas com uma mesa, mas com uma sala inteira. Ora, no Midori havia um bebé. Era daqueles bebés pequenos, ainda a cheirar a leite; um ser que passou o tempo a babar a mesa, a apontar aos copos Zwiesel e a projectar colheres Cutipol contra o chão como se estivesse a jogar ao prego. Foram para aí umas dez colheres. Ainda elas iam no ar e já um empregado se lançava ao chão para as apanhar. Em segundos, outro empregado repunha o talher nas mãos do rapaz; importante era manter a micro-goela de macro-agudos fechada; importava, sobretudo, deixar o pequeno ser feliz e com ele o resto das pessoas; evitar que a bomba-relógio detonasse. Milagrosamente, conseguiram.

A Time Out diz
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Natraj
©DR
Restaurantes, Indiano

Natraj

icon-location-pin Grande Lisboa

A dica foi-me dada por um amigo odivelense. “Tens de ir ao irmão do Natraj do Rato. Fica em Odivelas e é dos melhores indianos da Grande Lisboa”. Fui lá. A chamuça de frango (1,25€) era das secas por dentro, praticamente só carne e especiarias, mas saborosa e com a massa estaladiça e sem óleo. O paratha (2€), um pão fino e redondo, surgiu em camadas, uma espécie de crepes finíssimos sobrepostos e besuntados com manteiga ghee, excelente para dar boleia ao achar indiano da casa. Acabasse tudo assim e já saía contente. Mas não. Havia ainda camarões em molho verde com hortelã, folhas frescas de caril, gengibre e cajus (11€): os bichos rijinhos, no ponto, imersos num creme fragrante e fresco. Grande prato.

A Time Out diz
Tascardoso
©Joana Freitas
Restaurantes, Português

Tascardoso

icon-location-pin Princípe Real

Muita tinta se tem escrito sobre o fim das tascas e restaurantes à moda antiga, como resultado directo (ou derivado) da modernização dos bairros. Não pretendo aqui entrar em detalhe sobre o assunto, mas apenas referir que num Príncipe Real cada vez mais desenvolvido e pululante, às vezes apetece comer por 10-12 euros uma refeição tradicional portuguesa com talheres de cabo já envelhecido (ou de um inox mais gasto) e é preciso puxar muito pela cabeça. É de louvar, por isso, que o Tascardoso, há mais de 30 anos se mantenha fiel à tradição dos preços baixos e comidas simples [Nota: este texto refere-se ao Tascardoso original, na esquina da Dom Pedro V com a Rua d’O Século e não ao que serve pratos do dia]. Clientela, aparentemente não lhe falta.

A Time Out diz
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Tantura
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Mediterrâneo

Tantura

icon-location-pin Bairro Alto

Não punha os pés no bairro alto há quatro anos, depois de um barrete num restaurante típico e posterior passeio pela Rua da Atalaia que me deixou o calçado salpicado de esparguete à bolonhesa vomitado por uma miúda de 15 anos como se fosse água a jorrar de um leão de fontanário. Desta vez fui ao almoço, feriado, altura em que a maltosa costuma estar a ressacar, e mesmo assim não consegui evitar os habituais despojos da boémia adolescente. No ar ainda cheirava a fermentado de álcool e urina e íamos numa gincana pela calçada a contornar latas e copos de plástico de meio litro. Felizmente, o Tantura não é ao ar livre e lá dentro só havia aromas bons e coisas bonitas.

A Time Out diz
Bica do Sapato
© Arlindo Camacho
Restaurantes

Bica do Sapato

icon-location-pin São Vicente 

Ainda é uma porta difícil de abrir. Uns quatro metros de altura de vidro. Não é preciso força, não
 é preciso habilidade, mas tem de
se ter confiança. Confiança para falar com a recepcionista que simpaticamente nos agride com o seu estilo. E confiança para entrar na sala de pé direito altíssimo, com uma chefe de sala altíssima que nos agride com a sua beleza. Pesa muito aquela porta. A pressão é enorme e nem todos passam o teste incólumes. Ainda antes de ter um pé lá dentro, fico sempre com a ideia de que toda a gente sabe que uso boxers H&M, que a peúga do pé direito tem um buraquito e que nunca vi uma peça do Teatro Praga. São pessoas com detector de simplório e simplório nunca aqui foi bem-vindo.

A Time Out diz
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Sancho
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Sancho

icon-location-pin Avenida da Liberdade

Não estava viva para o poder dizer com toda a propriedade, mas pelos relatos que me chegam e pelas fotografias que vi, acredito que entrar no Sancho, numa transversal à Avenida da Liberdade, em 2017, é igual e entrar num restaurante tradicional de Lisboa nos anos 60. Madeiras escuras, grandes cadeirões de pele, mesas com toalha e saiote, um bar completo à entrada, duas salas (uma delas para fumadores, claro), empregados fardados com colete, sempre muitos, muito rápidos no serviço e simpáticos e engraçados no trato. O sítio tresanda a influências galegas, que são confirmadas por um dos empregados, e de certa forma ir lá é ter aquela experiência
de comer pratos à antiga
 (nem todos, mas muitos), do bom serviço

A Time Out diz
Taberna da Esperança
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

Taberna da Esperança

icon-location-pin Estrela/Lapa/Santos

Sempre achei ingrato herdar um restaurante. E não falo necessariamente daquela taberna que era do avô, passou pelos 
pais, e acabou nas mãos do filho mais ligado à causa, que agora a quer modernizar. Não. Falo de herdar um espaço no pleno da 
sua actividade, como a Taberna Ideal, e de uma marca que tinha peso na cidade (com tanta gente 
a tratá-la pelo nome original, parece-me que ainda tem). Afinal, é impossível esquecermo-nos,
 nós lisboetas, que foi a primeira taberna de onda moderna/cool/vintage (riscar consoante aquilo com que menos se identifica) da cidade, um projecto disruptivo e talvez – pela mesma altura da Tasca da Esquina de Vítor Sobral –, das primeiras a sugerir os populares pratos para partilhar.

A Time Out diz
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Cafe com Calma
© Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

Café com Calma

icon-location-pin Marvila

Na primeira visita, as coisas foram muito pouco calmas. Às 13.00 já havia fila e as empregadas geriam os lugares como se estivessem a jogar o nível 18 do Tetris de olhos vendados. Acabei sentado num canto de uma mesa, num canto da sala, virado para a parede, entretido a ler um cartaz que promovia cursos de permacultura. Atrás de mim, uma fauna de gente jovem e barulhenta, pessoas que plantam mais ideias do que batatas, a nova comunidade de Marvila em peso, não estivéssemos no centro do bairro, mesmo do outro lado dos antigos armazéns Abel Pereira da Fonseca. Não interessa agora se o hype com a zona foi precoce ou não, a verdade é que o sítio estava cheio de figuras que há anos víamos pelo Bairro Alto.

A Time Out diz
Il Covo
Fotografia: Francisco Santos
Restaurantes, Italiano

Il Covo

icon-location-pin Estrela/Lapa/Santos

É preciso boa vontade para falar em restaurantes secretos 
nos dias que correm. É certo que continuam a existir alguns sítios clandestinos, alguns restaurantes menos falados (ou que querem
 ser menos falados), outros mal divulgados, mas secretos-secretos, na era da internet, admita-se, há poucos. Este Il Covo, restaurante para cima de informal na Madragoa, entra na categoria dos “não secretos, mas pouco divulgados”. Deve-se isso ao facto de estar na Rua do Cura (já ouviu falar? Pois...), perpendicular à Rua do Guarda-Mor (já ouviu falar? Pois...), numa zona onde há mais jovens a beber copos na rua, do que à procura de uma verdadeira refeição italiana – eles é que perdem. Mas mesmo sendo o nome Il Covo uma tradução directa para “covil”, este esconderijo parece querer ser descoberto.

A Time Out diz
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Bar do Peixe
Fotografia: Ana Luzia
Restaurantes, Frutos do mar

Bar do Peixe

icon-location-pin Grande Lisboa

O Meco é uma aldeia sem jeito e sem passeios. As pessoas são obrigadas a andar na estrada, sendo que não se percebe para onde vão porque não há sítio para onde ir. No afã de construir moradias abarracadas, ninguém cuidou do espaço público e o que existe é um Barreiro térreo e campestre, uma Coina à beira-mar. A única atracção da zona é
 a praia do Moinho de Baixo. Mais conhecida por praia do Meco, fica a cinco minutos da povoação, é bonita mas também não é perfeita: maus acessos, estacionamento pago (não se sabe quem lucra, não há um recibozito que seja), os carros enterrados num descampado com toldos de serapilheira, o mar um violento quebra-coco com fundão, bom para derrubar velhinhas e afogar incautos.

A Time Out diz
Boa Bao
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Asiático contemporâneo

Boa Bao

icon-location-pin Chiado

A ideia foi juntar num restaurante a comida 
do Extremo Oriente e do Sudeste Asiático. Caris, pãezinhos chineses gua bao, dumplings, spring rolls vietnamitas, a
tom yum tailandesa, mochis
— os recordistas de vendas da gastronomia oriental debaixo do mesmo tecto, ao vivo e a cores. O conceito tem um lado confortável e pedagógico, mas havia sempre o risco de resultar numa imposturice culinária, cheia de atalhos e concessões. Ora, não foi bem assim, nem foi bem assado. Ao contrário do que se poderia pensar, não há neste Boa Bao, no Largo Rafael Bordalo Pinheiro, comida pré-cozinhada para enganar tugas e turistas à procura de exótico.

A Time Out diz
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Restaurantes

Gazpaxo

icon-location-pin Lisboa

O Gazpaxo não se apresenta como restaurante, mas sim como um comedor – mesmo quando comedor significa,
 em vários dicionários espanhóis que encontrei “espaço que se destina ao
 acto de ingerir alimentos”. Um comedor ibérico, dizem, com influências sul-americanas, e uma carta que varia consoante a disponibilidade do que o mercado oferece. Ora este comedor é um espaço minúsculo no Saldanha, com disponibilidade para dez pessoas, mesas redondas, bancos a saltar de umas para outras, e que só serve almoços (por enquanto, avisam). Uma boa opção para fugir ao trio de food courts da zona. Na cozinha e na sala estão só e apenas Maria e Sérgio Garcês, ele sempre de volta das comidas, ela a dividir-se entre os empratamentos e o serviço – sempre bem simpático, por sinal.

A Time Out diz
pesqueiro 25
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Frutos do mar

Pesqueiro 25

icon-location-pin Cais do Sodré

Não sou frequentadora assídua do site TripAdvisor em Lisboa. Muito menos comento ou vou lá procurar recomendações. Já o fiz noutras localidades, já correu bem, já correu mal. Mas para ser franca, não conheço a rapidez com que os restaurantes sobem ou descem de posição. Aqui há dias li uma notícia do Dinheiro Vivo que dava conta de o Pesqueiro 25, nova marisqueira de São Martinho do Porto, ter chegado ao primeiro lugar do ranking de 3700 restaurantes do TripAdvisor. E este tipo de distinções (como as dos melhores restaurantes do mundo, dos prémios disto e daquilo), já se sabe, dão sempre um falatório que acredito que traga muita gente ao restaurante.

A Time Out diz
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JNCQUOI
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes

JNcQUOI

icon-location-pin Avenida da Liberdade

É uma das mesas mais procuradas de Lisboa e fomos lá perceber porquê. No fim, sai-mos bem impressionados e escreve-mos um decálogo para restaurantes da moda.

1. Faz turnos para as reservas. Faz-te difícil.Quando uma pessoa telefona a reservar mesa e a chefe de sala diz que, esta semana, “já só há vaga para o turno das 19.00, com saída às 21.15”, ou se está perante um fenómeno ou se está perante uma idiota. Na noite em que jantei no JNcQUOI a casa encheu duas vezes. Fenómeno.

2. Põe a música altinha.Não alta nem baixa – altinha. De preferência, funk ou soul sem refrões orelhudos, uma coisa que não ofenda o pessoal do Lux e faça a tia menear-se por instinto. Tal e qual como no JNcQUOI.

A Time Out diz
Zaafran by Chef Khan
©DR
Restaurantes, Indiano

Zaafran by Chef Khan

icon-location-pin Lisboa

É muito raro encontrar humor na cozinha. Na verdade, é muito raro encontrar humor neste país, mesmo – sobretudo – quando falamos de entretenimento. Veja-se o futebol. O que se vê na TV é gente sisuda
 a dirimir tácticas como se estivesse a falar da guerra da Síria. Na cozinha é o mesmo. Tanto do lado de quem comenta, como do lado de quem pratica. Leva-se tudo muito
 a sério. Honra seja feita, por isso, ao chef Khan. Designer industrial, músico, iconoclasta, é mais conhecido por ser dono do restaurante Zafraan. A casa tornou-se popular como “aquele indiano diferente ali na rotunda da Estefânia”, não tanto por causa da comida, mas por nele se perceber uma estética ocidentalizada.

A Time Out diz
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Bota Sal
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Frutos do mar

Bota Sal

icon-location-pin Estrela/Lapa/Santos

Aberto desde Março de 2017, o Bota Sal é uma extensão do restaurante Sal, na Praia
 do Pego, ali na Domingos Sequeira, onde durante anos a fio viveu a mítica Bota Velha, que muitos bitoques virou e muitas imperiais viu serem viradas. E assim que se passa os olhos pela ementa, percebe-se que tem uma receita em tudo semelhante à do restaurante da Comporta: petiscos e pratos de mar, algumas opções de carne, e tudo com preços elevados. Sim, elevados. Pagar 1,80€
por um (um!) croquete de bola, pequenino, acompanhado de mostarda, por melhor que ele seja – e é excelente, num polme firme – é excessivo; e 2,20€ 
por um pastel de massa tenra, igualmente nota máxima, a
 valer uma entrada nos melhores da cidade, sem quaisquer resquícios de gordura, é, de novo, um excesso.

A Time Out diz
Aloha Café
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Vegetariano

Aloha Café

icon-location-pin Princípe Real

É provável que a esta altura do campeonato o público em geral, e os gulosos em particular, estejam cansados de ler, semana após semana, coisas como “novo espaço de comida saudável”, “pratos vegetarianos”, “opções sem glúten”, “batidos sem lactose”. Mas é um facto que a cidade está cheia de espaços virados para esse mundo e que há gente interessada na área (basta ver o exagero de livros de alimentação saudável que têm inundado os escaparates). E contra factos não há argumentos. O Aloha Café vem traçando esse caminho da comida saudável desde que abriu, no Príncipe Real, no início do ano, com uma cozinha também com bases macrobióticas, produtos biológicos e 100% vegetariana.

A Time Out diz
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Tapisco
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Petiscos

Tapisco

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

No fim de Fevereiro, o chef Henrique Sá Pessoa, sustentado pelo Grupo Multifood, abriu as portas a mais um restaurante em Lisboa, com uma oferta a 100% oposta à que tem no Alma, tanto em termos de comida, como de preços. Não há degustações nem pratos dignos de emoldurar, mas sim tapas e petiscos, numa mistura entre Portugal e Espanha, com preços acessíveis. E esta é que é a grande surpresa do Tapisco. E por acessíveis não me refiro, claro, às bagatelas pagas nas tascas ou nas petiscarias de Lisboa, mas
a refeições a rondar os 30€ por pessoa, com quatro/cinco pratos para dividir, um ou dois copos de vinho por pessoa e sem espaço para mais uma migalha de pão.

A Time Out diz
Miosótis Cafetaria
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

Miosótis Cafetaria

icon-location-pin São Sebastião

Para além de ser o super mercado com melhor selecção de produtos biológicos da cidade, o Miosótis é também o sítio de Lisboa que mais se parece com a universidade de Verão do Bloco de Esquerda. Em frente ao mostrador de legumes, três sexagenários de rabo de cavalo, pinta de tântricos, hesitam entre dez variedades de couves; atrás, é um corrupio de sandálias Birkenstock, saquinhos de pano ao ombro e mulheres sem soutien cirandando da ilha das batatas para a ilha dos tomates. Isto deve desde logo alegrar-nos, não apenas pelo divertido que é ver pessoas sem roupa interior a ensacar hortícolas, nem apenas por causa dos alimentos livres de pesticidas, mas porque à nossa volta há uma imensidão de frutas e legumes, de época e diferentes dos que se compram nas grandes lojas.

A Time Out diz
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Sr. Lisboa
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

Sr. Lisboa

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

O Sr. Lisboa é uma petisqueira moderna, nas traseiras da Avenida da Liberdade, Rua de São José, a esforçar-se por fazer diferente. Digo isto porque quem está à frente é gente nova, quem serve é gente nova e quem está na cozinha, do que se avista lá para dentro, é gente nova – mas bem-disposta, note-se. O esforço começa logo com a decoração, que traz a cozinha para a sala, com frigideiras penduradas no tecto, mesas feitas com tampos de vidro em cima de grelhas de fogão, e segue pela ementa de petiscos. Logo no couvert vem um molho de Bulhão Pato só para molhar
o pão, com dentes de alho, azeite de qualidade média, coentros e até limão para espremer. Bem bom.

A Time Out diz
Cervejaria Boa Esperança
©DR
Restaurantes, Frutos do mar

Cervejaria Boa Esperança

icon-location-pin Benfica/Monsanto

À pergunta habitual – O que é que aconselha? – o empregado da marisqueira mais invisível de Lisboa responde da forma habitual: “É tudo bom”, acrescentando logo de seguida: “Menos o empregado”. Sucede que nem a primeira nem a última parte da resposta são frases feitas ou piada. A comida do pequeno tasco da Avenida Gomes Pereira é mesmo boa. E o seu empregado é conhecido, em toda a Benfica e arredores, por ser de uma natureza rude, um indivíduo silenciosamente zangado. Dito isto, o homem revelou-se competente e honesto. Ainda na primeira visita, perante nova questão – Qual a diferença entre o prego especial (5,30€)
e o prego Sonhé (3,80€)? – muitas almas festivas teriam festivamente inventado 
que o primeiro era do lombo e o segundo de uma peça menos nobre. Mas não o nosso empregado fininho, austero e sério: “São
 os dois do pojadouro, só que o especial é
 de uma parte do pojadouro mais tenra”.

A Time Out diz
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Heim Café
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Cafés

Heim Café

icon-location-pin Santos

O Heim Café, pequena cafetaria de decoração minimalista em Santos, parece-me ser um grandioso segredo dos turistas. Isso, dos turistas e não para turistas. Um fenómeno cada vez mais comum entre nós, os lisboetas, directamente proporcional às hordas de estrangeiros que cá chegam e que, habituemo-nos, se vai tornar ainda mais frequente. Face it: eles às vezes conhecem melhores sítios do que nós. O simpático Heim, que significa “casa” na Ucrânia, de onde vêm os donos, está sempre cheio de seres
 cabelos loiros e peles claras (escaldadas pelo sol), tudo malta nova nos seus 20s-30s, que não traz guias na mão (deve trazê-los no telemóvel).

A Time Out diz
Aron Sushi - Mercado 31 Janeiro
©DR
Restaurantes, Japonês

Aron Sushi Saldanha

icon-location-pin Lisboa

Lula com ovas de bacalhau. Só assim. “Parece estranho, ainda por cima cru”, diz a minha companhia, lendo a carta. Parece, sim. Proteína animal com proteína animal. Nem uma batatinha, nem um feijãozinho verde. Estranho. E, no entanto, o ika mentaiko (8€) do novo Aron, no Mercado 31 de Janeiro, foi a melhor coisa que comi esta semana. Quando a lula entra na boca, cortada em juliana, é um veludo fresco pincelado por água de mar e citrinos; assim que 
a trincamos, a sensação muda: o amargo do cefalópode cru, o tecido esponjoso a secar-nos a boca, a pasta de ovas de bacalhau a olear as papilas outra vez, a ligar tudo, a intensificar a experiência – a levar-nos para uma praia no Japão, para Fukuoka, cidade que primeiro descobriu o encanto do mentaiko e onde os habitantes gostam de lhe acrescentar picante e sake.

A Time Out diz
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Maria Azeitona
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Maria Azeitona

icon-location-pin Grande Lisboa

Terça-feira de manhã. “Já estamos cheios”. Dois dias depois. “Para hoje, não temos mesa”. Ó diacho. E para amanhã? “Nem pensar. Para jantar sexta o melhor é marcar uma semana antes”. Quando é que volta a haver mesa, então? “Só segunda ao almoço”. Sem olhar para a ficha, tentem lá adivinhar onde fica este restaurante. Chiado ou Príncipe Real? Errado. Alfama? Longe. Mouraria? Buuu. Venteira? Bingo! Pois bem, um dos grandes fenómenos gastronómicos 
da Grande Lisboa acontece, precisamente, na Venteira, freguesia urbana da Amadora.

A Time Out diz
Pizzeria Romana Al Taglio
©DR
Restaurantes, Pizza

Pizzeria Romana Al Taglio

icon-location-pin Baixa Pombalina

Há uma Cadeia de Pizzerias mainstream cujo slogan me parece adequado à Pizzeria Romana Al 
Taglio: “O segredo está na massa.” É claro que os ingredientes postos em cima da massa contam, é claro que a combinação de sabores e o equilíbrio dos produtos em cada fatia também entram na matemática, mas depois de se provar umas quantas pizzas, chega-se à conclusão que a base tem um peso importantíssimo nesta pequena casa de pizzas à fatia que abriu na Baixa no final do ano passado. É feita com uma farinha biológica Molino Agostini, tem uma fermentação que pode chegar às 72 horas e,
 como deve ser em restaurantes da especialidade, é alta. Ora alta não quer dizer massuda.

A Time Out diz
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Cervejaria Liberdade
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Cervejarias

Cervejaria Liberdade

icon-location-pin Avenida da Liberdade

“Há vidas mais baratas,mas não são tão boas.” Devia ter uns 11, 
12 anos quando ouvi a frase pela primeira vez, dita em espanhol por um amigo do meu pai também espanhol, depois de uma grande almoçarada de praia algures
 no Sul de Espanha. Na altura pouca noção tinha sobre gastos em refeições e não me seduzia a comida como hoje – tenho pena porque com certeza deve ter sido um bom almoço. Voltei a ouvi-la ao longo dos anos, sempre em português, 
com algumas variações de linguagem, em relação a outras coisas, mas quase sempre com um denominador comum: a mesa. Ou durante um grande jantar, ou na abertura de uma boa garrafa de vinho, ou num fim de tarde de copos e petiscos.

A Time Out diz
DELIDELUX Avenida
Fotografia: MMP
Restaurantes

Delidelux (Avenida)

icon-location-pin Avenida da Liberdade

Quanto vale um bom empregado de mesa? A questão ocorre no fim da refeição, depois de ter pago quase 70 euros (calma, calma, o crítico tem de provar muita coisa), já a crème brulée no fim e eu basculando uma colherada de uma bochecha para a outra, nada de dentes, só aquilo a desgastar-se lentamente nas papilas até se transformar em saliva doce. O rapaz nem é um prodígio
 de correcção ou conhecimento, mas conseguiu convencer-me a comer um pouco de tudo. Porquê? Porque transmitiu a ideia de que já experimentou os pratos todos; e que os adora a todos. Ajuda, naturalmente, que a comida seja boa e ele não tenha que encenar nada.

A Time Out diz
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eatfish
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

Eatfish

icon-location-pin Cais do Sodré

O advento dos restaurantes de peixe deu-se há coisa de dois anos. Veio a reboque da moda dos ceviches e tártaros, da preocupação com a cozinha dita mais saudável e também, acredito, como resultado de vários anos a afirmar que temos uma costa riquíssima em peixe. Veio ainda em oposição aos restaurantes virados para carnívoros, com boom ocorrido pela mesma altura, sendo que aqui o restaurante de peixe ganha pontos (e baixa em preços – ou pelo menos devia), por usar quase sempre matéria-prima nacional. Não considero, porém, que o Eatfish, restaurante 100% piscívoro no Cais Sodré, aberto desde o início do ano, tenha vindo tarde e a más horas ou já na curva descendente da moda.

A Time Out diz
RIB beef and wine
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

RIB Beef & Wine

icon-location-pin Santa Maria Maior

Bati dois recordes da minha vida, em simultâneo, quando jantei no RIB Beef & Wine. Ser a única portuguesa num espaço onde cabem, à vontade, 80 pessoas, e outras 80 se se contar com a zona de bar e a esplanada; ser a pessoa mais nova do restaurante. E sublinho: o RIB Beef & Wine
 é o restaurante da Pousada de Lisboa, no Terreiro do Paço, Lisboa, Portugal, e não o salão de chá de uma estância termal da Suíça. É verdade que não é de estranhar tendo em conta que estava 1) na Baixa de Lisboa,
2) em meses já considerados quentes, 3) em 2017. Mas com um restaurante virado para a carne, que tanto furor causa por aí, podia ser que encontrasse outros falantes da língua (de Portugal, note-se).

A Time Out diz
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Rastilho
©DR
Restaurantes, Português

Rastilho

icon-location-pin Oeiras

Barcarena era um vale bucólico com uma ribeira, mas hoje quem olha da porta deste Rastilho vê uma igreja
 de um lado mas também um edifício mastodôntico de fachada oblíqua, como um desses aparthotéis futurísticos de Albufeira construídos nos anos 80. Aí vive uma multidão e vive, no piso térreo, o restaurante Muchacho, que anuncia no frontispício “sabores transmontanos”. Mundo estranho. Por agora interessa-nos uma casinha rústica que sobreviveu à esquizofrenia reinante e é um segredo mal guardado por uma pequena comunidade de jornalistas e de moradores.

A Time Out diz
Imperial de Campo de Ourique
©DR
Restaurantes, Português

Imperial de Campo de Ourique

icon-location-pin Campo de Ourique

A cozinha minhota tem uma longa tradição em Lisboa, é certo. Assim como este Imperial de Campo de Ourique, tasca na Correia Teles, tem uma longa história de vida em Lisboa
– trinta e muitos anos, não sei a data exacta. Mas nunca é tarde para o trazer às páginas da Time Out. Do serviço
aos grelhados, dos pratos de tacho ao vinho, do presunto às sobremesas, tudo merece ser falado e experimentado no restaurante do Sr. João. Falo do dono com tanta familiaridade não porque seja cliente habitual da casa, mas porque ao fim de cinco minutos lá dentro é-se íntimo.

A Time Out diz
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Dim Sum - Oeiras
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Chinês

Dim Sum

icon-location-pin Oeiras

Durante muito temoi um dos melhores restaurantes chineses da Grande Lisboa ficava no Cacém. Os donos tinham ligações a Macau, pelo que o forte eram os petiscos de Cantão (ali ao lado), internacionalmente conhecidos como dim sum. O sítio, pequeno e humilde, cheirava a fritos como uma rulote de churros mas a comida era autêntica e caseira, coisa rara num passado em que reinou o chop suey e o porco agridoce. Em 2014, a cozinha transferiu-se para Oeiras, junto ao Parque dos Poetas, e cresceu em tamanho e clientela.

A Time Out diz
hamburgueria B Temple
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

The B Temple

icon-location-pin Chiado

É preciso coragem para abrir uma hamburgueria na curva descendente da moda em Lisboa. Os anos gloriosos dos hambúrgueres já lá vão, quem tinha de vingar vingou, quem tinha de tentar a sua sorte e bater com a cabeça na parede, tentou e bateu. Dúvidas haja, basta desafiar alguém para ir comer um hambúrguer e ver a reacção. “Porque não vamos antes comer uma tosta de abacate ao Poço dos Negros?” Foi assim, com alguma descrença, que entrei no The B Temple, restaurante de hambúrgueres no Chiado. Sítio na onda norte-americana – e como eu gosto de uma mesa com parte da gama da Heinz e outros bons molhos – e decoração na linha industrial a conseguir transformar uma cave num sítio apetecível e fresco.

A Time Out diz
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Il mercato
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

Il Mercato

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Desde que o il Mercato abriu, em Fevereiro, que a imprensa citava como grande atractivo
 do sítio a mozzarella Barlotti, de Salerno, que chega de avião duas vezes por semana. Nas duas primeiras visitas não tive sorte nenhuma (“está esgotado”), mas à terceira foi de vez. Ei-la, por fim, uma bola de bilhar branquíssima sem mais nada. Assim que a trinco, um líquido aguado liberta-se do miolo esponjoso, e nota-se logo a acidez e o leve adocicado do leite de búfala. É, de facto, outra coisa, mas quem está habituado aos exemplares de supermercado, para além de acusar o preço (11,95€) vai estranhar a consistência rija e fibrosa. Por sua vez, a burrata di Andria, da afamada região de Puglia, viaja menos que a sua prima, mas é igualmente extraordinária.

A Time Out diz
Sé da Guarda
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

Sé da Guarda

icon-location-pin Oeiras

O Sé da Guarda é um desses restaurantes que eram 
tascas e passaram a snack bar às mãos dos agentes comerciais das marcas de bebidas. Parece uma arrecadação para onde atiraram todo o merchandising da Super Bock dos últimos 20 anos, de posters a relógios luminosos. Acresce que, nas paredes, o que não foi poluído com brindes já estava poluído com azulejaria diversa, ora de temática religiosa e campestre ora de cariz contemporâneo (painéis que parecem sobras do WC do recuado de uma moradia). Uma desgraça. Sem nenhuma importância. Só um profissional da contemplação e da escrita é que se lembra de registar isto. Perante o melhor peixe frito da Grande Lisboa, acompanhado pelo melhor arroz de grelos da Grande Lisboa, ninguém olha para a decoração.

A Time Out diz
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la pasta fresca
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Italiano

La Pasta Fresca

icon-location-pin São Sebastião

Quando o assunto é comida italiana, e mesmo sabendo a riqueza do receituário de Itália, gosto dos pratos simples. Uma pasta al pomodoro, feita com três/ quatro ingredientes, um risotto ai funghi, uma burrata de qualidade temperada com bom azeite, tudo isso me enche mais as medidas do que pratos muito condimentados, nascidos de misturas complexas, que juntam vários sabores. O La Pasta Fresca, restaurante que faz a própria massa e a
vende para fora, é um dos bons italianos da nova vaga. A pasta tem qualidade, mas cai, em alguns pratos, nesse excesso de produtos. Vejam-se os ravióli de gorgonzola e pêra.

A Time Out diz
Água pela Barba - Espaço
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

Água pela Barba

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Discordo a 100% da sabedoria popular no que 
à frase “nunca voltes ao sítio onde já foste feliz”, diz respeito. Sobretudo quando se trata de restaurantes. Voltar a um sítio, ou ter vontade de voltar, é, por si, um bom barómetro para decidir que um restaurante merece, à escala Time Out, as quatro ou as cinco estrelas. Porém, contudo, todavia, estava com algum medo de voltar ao número 29 da Rua 
do Almada, bairro da Bica. No sítio onde abriu em meados 
de Dezembro o Água pela Barba, tinha funcionado até inícios de Dezembro o Isco da Bica – consta que a mudança 
se fez numa semana.

A Time Out diz
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solar dos duques
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Solar dos Duques

icon-location-pin Campo de Ourique

Há duas formas de falar de Campo de Ourique. Uma, por quem lá vive e acha que é “óptimo”, “tem tudo à mão”, é perfeito para andar a pé “porque é todo plano” não fosse o caos “para estacionar o carro ao fim do dia”, seria o bairro-modelo para qualquer cidade do país. Outra, por quem lá vai ocasionalmente e dá voltas intermináveis até encontrar um buraco para arrumar o carro, sempre com turbas de mães com carrinhos de bebés a atravessar a estrada, e sai de lá já a formular a frase que mais se convencionou associar à zona, “Campo de Ourique é só pastelarias e lojas de crianças.”

A Time Out diz
Orelhas
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Português

Orelhas

icon-location-pin Oeiras

A ideia de que Lisboa está cheia de óptimos restaurantes de comida tradicional é uma treta. Há alguns bons, muitos razoáveis, mas sítios de excelência nem tanto. É preciso pensar sempre muito para nos lembrarmos de um e o mais certo é acabarmos a largar mais de 40€ no sítio novo-rico do costume, com fotos de clientes notáveis nas paredes. Este Orelhas, um clássico com décadas, embora alojado num dormitório de classe média em Queijas, continua a ser um bastião de comezaina tuga de qualidade e é mais sóbrio e mais barato (come-
se por 20€) do que a concorrência.

A Time Out diz
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RED
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

Red - We Like it Raw

icon-location-pin Campo de Ourique

O primeiro resultado que o google devolve assim que se pesquisa “red we like it raw” é o próprio site da marca com um subtexto onde se lê “... só servimos carne de qualidade. Carne que não precisa de ser embelezada com invenções do Chef.” Concordo com o primeiro período. E concordo com o segundo, apesar de não ter visto a máxima ser posta em prática nas sandes que comi. O rosbife, apesar de muito bom, foi sempre apagado pelos outros ingredientes. Matará isso uma sandes? Nem por isso. Apesar do desequilíbrio, o conjunto continua a ser bom e guloso. Explicação prévia: para quem ainda não deu com os dois contentores cinzentos instalados no Largo Vitorino Damásio e em frente ao Cemitério dos Prazeres, trata-se desta marca de sanduíches de rosbife (também há saladas e fatias em bruto).

A Time Out diz
lambrettazzurra
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Pizza

Lambrettazzurra Pizzeria

icon-location-pin Cascais

Até há pouco tempo, os lisboetas não perdiam tempo 
a discutir a naturalidade de uma pizza. De nada interessava se
era romana ou napolitana (ou até paulista – não esquecer essa estirpe que também existiu 
na cidade). A coisa dividia-se entre pizzas de massa fina, artesanais, cozidas em forno
 de lenha, típicas das boas pizzarias; e pizzas de massa grossa, massificadas, aquecidas em forno eléctrico, típicas 
das cadeias de restauração
 ou das arcas frigoríficas dos hipermercados. O que não quer dizer, note-se, que não houvesse, da parte dos pizzaiolos e donos dos restaurantes, essa distinção na génese. Acontece que ninguém queria saber. Agora, com a quantidade
de boas pizzarias que foram abrindo, houve uma necessidade de marcar pela diferença.

A Time Out diz
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Chuan Yue
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes, Chinês

Chuan Yue

icon-location-pin Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Quando se fala em cozinha emocional não penso em Adrià a fazer espumas ou o duplo encarpado. O que eu acho mesmo emocionante é entrar num restaurante sem saber ao que vou e o ar cheirar a uma rua de Chengdu e na ementa haver coisas como cabeça de peixe em óleo de malagueta ou fígado de porco salteado com aipo e algas. É assim este Chuan Yue, que nasceu no sítio do mítico Dragão d’Ouro, ao lado do Teatro Maria Matos. Entrei lá pela primeira vez há umas semanas, quando estava de passagem. Os janelões deixavam ver praticamente só asiáticos, muitos deles jovens chineses excitados por poderem voltar a praticar um dos seus desportos favoritos: queimar
 a boca com ma la, nome dado à sensação de picante e dormência provocada pela combinação de malagueta e pimenta de Sichuan.

A Time Out diz
pannacota do forneria
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Italiano

Forneria

icon-location-pin Parque das Nações

De há três anos para cá decorre em Lisboa uma competição muito particular entre as pizzarias. Não tem tanto a ver com a pasta, mas com a infra-estrutura. Todas proclamam ter o forno mais incrível da cidade. A Mercantina foi a primeira a lançar a tendência, marketing que a imprensa papou como se fosse trufa de Alba. O seu Stefano Ferrara, importado directamente de Nápoles, foi vendido como o Ferrari dos fornos, um colosso capaz de transformar farinha em pizzas em segundos. Pouco depois abriu a Forno d’Oro e a fasquia subiu ainda mais: era forrado a ouro e pesava sete toneladas. A ZeroZero, por sua vez, apostaria na tecnologia: o mais importante, afinal, era fazer a pizza girar – aparecia assim o forno rotativo.

A Time Out diz
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Gioia Food Lab
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

Gioia Food Lab

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Acho que me vou arrepender de deixar registado em papel aquilo que me veio à cabeça quando me sentei à mesa do Gioia Food Lab, mas [Marta Brown inspira] cá vai: assim que passei os olhos pela ementa e vi os preços do que me ofereciam, tive saudades da tão irritante pergunta: “já conhece o nosso conceito?”. Pizzas a 17,50€? Cremes de agrião e espinafres a 7€? Um risoto de cevada com cenouras e queijo fresco a 18€? Uma mousse de chocolate em texturas a 8€? Bem sei que os restaurantes em Lisboa estão cada vez mais caros, que este fica no rés-do-chão de um prédio de apartamentos para turistas, que é giro e cuidado, bem decorado, tudo isso.

A Time Out diz
Adega da Bairrada
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes, Português

Adega da Bairrada

icon-location-pin Alvalade

A geografia da gastronomia está cheia de casos destes, sítios onde só vamos para comer. A Adega da Bairrada fica na rua mais suja
 e feia do Pote d’Água, espécie de recuado manhoso do bairro de Alvalade. A entrada do restaurante é uma pequena porta em alumínio semifechada, as pessoas passam e julgam que dá para as traseiras de uma arrecadação. Sucede o seguinte. Lá dentro é como se estivéssemos numa casa grande de gente feliz e ruidosa. Uma clientela fiel acorre ali há mais de 
30 anos, de vários pontos da cidade, alguns de São Bento (Jerónimo de Sousa é cliente), muitos do Aeroporto (é poiso do pessoal da TAP) e da burguesa Avenida de Roma.

A Time Out diz
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Nómada, restaurante
Fotografia: Ana Luzia
Restaurantes, Fusão

Nómada

icon-location-pin Avenidas Novas

Alguns gastrónomos diabolizam o sushi de fusão, não por faltarem razões para criticá-lo, mas por serem snobs preconceituosos. Em teoria, o risco do sushi de fusão é o mesmo do da cozinha moderna que eles veneram sem critério: na ânsia de se criar um prato exótico, muitas vezes inventa-se um disparate. Dito isto, há exemplos de sucesso. Será o caso deste Nómada? O espaço é pequeno, bonito, o papel de parede a dar-nos conforto. Na origem do restaurante estão ex-funcionários de um bastião
 do género, o Sushic de Almada, pelo que não é de estranhar que a linha da cozinha seja a mesma, com virtudes e defeitos semelhantes: peixe de qualidade (sem grandes extravagâncias), boa técnica, algumas combinações interessantes, maionese e 
outros molhos aos molhos, fritos abundantes, demasiadas coisas adocicadas.

A Time Out diz
Café Colonial, Príncipe Real
Fotografia: Arlindo Camacho
Noite

Café Colonial

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Por estes tempos, ir jantar a um restaurante da moda, num bairro da moda, é coisa para apanhar uma de três coisas: uma carta
 de cocktails, uma carta com um toquezinho asiático e uma carta com um lado sul-americano. No Colonial, encontrei-as a
 todas. Quanto às duas últimas,
é verdade que o conceito, diz o site, é inspirado “nas influências portuguesas deixadas pelo mundo, em especial no Brasil, África e Ásia.” E também é verdade que esse tipo de cozinha está em voga em várias capitais europeias.

A Time Out diz
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Bao
Fotografia: Ana Luzia
Restaurantes

Bao

icon-location-pin Santa Maria Maior

Na Rua João das Regras, junto à Praça da Figueira, continua
 a haver prostituição sénior. 
Mas isso não importa quando Monica Bellucci, a comunidade loira brasileira, os pensionistas franceses e os grupos hoteleiros acham que Lisboa é a cidade do momento. Este Bao assentou aí arraiais há quatro meses e fê-lo de peito feito. Vamos ao nome. Os gua bao
são uns pãezinhos tradicionais,
de origem taiwanesa e
 chinesa, cozinhados a vapor, frequentemente recheados
 com porco e mel.

A Time Out diz