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De Beirute para o Cais do Sodré

Há um novo restaurante em Lisboa que lhe oferece uma viagem ao Médio Oriente sem sair da cadeira. Fomos ao Cais do Sodré conhecer o Muito Bey e voltámos para contar a história

 Muito Bey  (Fotografia: Manuel Manso)
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Fotografia: Manuel Manso

Nada no Muito Bey é ao acaso: as lâmpadas suspensas lembram ao proprietário os cabos eléctricos que existem nas ruas de Lisboa e de Beirute. 

 Muito Bey  petiscos (Fotografia: Manuel Manso)
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Fotografia: Manuel Manso

Partilhar é a palavra de ordem no novo restaurante libanês: o menu é para ser comido a dois, a três ou a mais e conta com os tradicionais taboulehs, mutabal, hummus e falafel.

Manuché do  Muito Bey (Fotografia: Manuel Manso)
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Fotografia: Manuel Manso

O manuché é um pão caseiro que pode ser servido com tomilho, iogurte, queijo, carne ou cogumelos. 

Restaurante Muito Bey dia (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo Camacho

Apresentamos-lhe Ezzat Ellaz, o homem que trouxe os sabores de Beirute para o Cais do Sodré.

Kafta do Muito Bey (Fotografia: Manuel Manso)
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Fotografia: Manuel Manso

Esta é a kafta, que na verdade são duas espetadas: uma de vaca e outra de borrego (11,50€). Existe ainda outra de frango marinado (12€).

Restaurante Muito Bey dia (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo Camacho

As cores do Muito Bey unem Lisboa e Beirute: o azul faz lembrar a proximidade do mar, partilhada por ambas as cidades.

Restaurante Muito Bey  (Fotografia: Manuel Manso)
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Fotografia: Manuel Manso

Abriu no início de Outubro e transformou-se no restaurante da moda. Se quer experimentar, o melhor é marcar. 

Baklava do Muito Bey (Fotografia: Manuel Manso)
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Fotografia: Manuel Manso

Aqui está um dos doces mais decadentes do Médio Oriente: a baklava, uma massa folhada com frutos secos, mergulhada numa gulosa calda de açúcar (4€).

As mães libanesas acreditam que comer zaatar logo pela manhã, e antes dos exames, deixa as crianças mais sábias e inteligentes. Talvez por isso é que esta mistura caseira de tomilho e manjericão, muito usada nas padarias árabes desde a época medieval, aparece logo a abrir o menu do novo restaurante libanês de Lisboa, junto ao Cais do Sodré.

Além do zaatar – que vem sobre o manuché, um pão achatado e fofo, cozido no forno quando o cliente o pede – há outras opções de entrada neste restaurante inaugurado no início do mês. O jebné, por exemplo, que significa queijo fresco, é uma delas. Também há lahmé, carne picada com salsa, tomate e pimento; fotore, feito com cogumelos picados, salsa, tomate e pimento verde; e ainda labné, um iogurte cremoso coado durante algumas horas (tudo a 6€).

“Como labné ao pequeno-almoço e é tão simples de fazer. Pegas num tecido fino, num iogurte grego, juntas sal e deixas a escorrer durante a noite. No dia seguinte está pronto a comer”, explica Ezzat Ellaz, o dono, que correu meio mundo até cá chegar.
– “Porquê Lisboa?”, perguntamos.
– “Por variadas razões”, responde sorridente. “Porque havia muito pouca oferta de comida libanesa na cidade; porque acredito muito na gastronomia do meu país, que tem uma cozinha muito versátil; e porque há muito tempo que queria abrir um restaurante meu num sítio vibrante. E Lisboa pareceu-me o local ideal. Mas para perceberes como tudo aconteceu, tenho que te contar a história da minha vida”.

Ele falou. Nós resumimos. Ezzat cresceu em Beirute, estudou na Suíça, mudou-se para o Dubai para ser gestor de eventos, foi para a Alemanha tirar um MBA, e há cinco anos regressou à terra natal. “Esta parte da história é muito importante. Foi nessa altura que comecei a abrir vários restaurantes no Líbano, no Dubai, no Kuwait e na Arábia Saudita. Definia conceitos e estratégias e geria os espaços. Por isso, quando vim de férias a Lisboa, há três anos, sabia exactamente o que tinha de fazer”.

Ezzat estudou quais as melhores zonas da cidade para abrir um restaurante, onde é que as pessoas saíam à noite, onde comiam, o que comiam, a que horas o faziam e quanto gastavam. Ao fim de um ano de pesquisa abriu o Muito Bey, que foi buscar o nome ao acrónimo do aeroporto de Beirute (BEY) e à expressão portuguesa “muito bem” – “uma das minhas favoritas”, ri.

“A ideia é criar uma ponte entre os dois países. Não só na decoração, uma vez que tal como aqui, em Beirut também usamos muito os azulejos, mas também na comida. Cozinhamos os produtos portugueses com as nossas especiarias”, diz o libanês, acrescentando, que optou por usar bacalhau no samké harra (13€), um prato tradicionalmente feito com peixe branco.

A carta, que tanto contempla pratos principais grelhados e outros para partilhar, foi criada por Barbara Abdeni Massaad, uma chef e escritora libanesa, conhecedora da gastronomia do país. A mesma que contou nos livros, que estão agora para consulta à entrada do restaurante, a história das incríveis propriedades do zaatar.

Rua da Moeda, 4 A. Seg-Qui 12.00-15.00/19.00-00.00, Sex-Sáb 12.00-15.00/19.00-01.00. 93 515 7503.

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