Delfina - Cantina Portuguesa

Restaurantes Santa Maria Maior
Delfina - Cantina Portuguesa
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Delfina - Cantina Portuguesa
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Delfina - Cantina Portuguesa - Bacalhau
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Delfina - Cantina Portuguesa - Gambas
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Não nos tivessem dado o arroz e esta cantina assim para o carote levava um chumbo dos antigos

Assim que entrei, duas reflexões pouco profundas:


1. porquê “Delfina – Cantina Portuguesa”?


2. o que se passa com a restauração e os sofás capitoné? Porque é que, de repente, aquele divã de pele gasta da minha bisavó, com barrocas para jogar ao berlinde, se tornou numa peça essencial das salas de comer de Lisboa?

Quem é a Delfina? E, sobretudo, como pode um restaurante onde os pratos principais começam nos 14€, com a parede forrada a espelhos, cadeiras estofadas e sofás Chesterfield ser chamado de cantina? Compreende-se a necessidade de arranjar novos engodos para que a rapaziada pense que vá pagar pouco num sítio com pretensões e os estrangeiros se sintam a comer very tipical portuguese; e também se percebe o desgaste dos qualificativos “taberna” e “tasca”. Mas, caramba, cantina?! De quem? Do presidente da Câmara Fernando Medina e do vereador foodie Manuel Salgado, com escritórios ali ao lado, na Praça do Município?

Minha não será. Ultrapassada a semântica, a culinária não ajudou. Na meia hora seguinte houve de tudo. Pão esfarelado, azeitonas temperadas com alho mofento, linguini nero com camarões rijos e secos (o molho com o mesmo sabor a alho velho), pratos trocados, um grupo ruidoso de jovens com MBAs a competir com a banda sonora dos Supertramp (aos anos, meu Deus) e uma carta enjoativa só de ler, com todos os clichés desta nova cidade gastronómica, dos pimentos de Padrón aos peixinhos da horta, do pica-pau às guiosas, da tábua de queijos à salada de salmão fumado, da alheira de Mirandela ao caril
– a habitual salganhada para agradar ao turista e ao artista, minuciosamente elaborada, desgraçadamente desalmada.

No meio de tudo isto, registe-se algumas coisas promissoras que não se conseguiu experimentar: o bacalhau cozido com todos (o meu prato preferido de todo o mundo de sempre), o frango do campo estufado com cogumelos e batatas à padeiro (aplausos, ultimamente parece que frango é só asinhas com molho barbecue ou yakitori) ou a açorda de tomate com espargos verdes e ovo estrelado (porque tudo o que leva espargos e ovo estrelado é bom).

De resto, do que se provou praticamente nada saiu incólume. A “sopa parva” (3,5€) era um creme de cenoura normal com couve crua à parva: boa ideia, mas a couve em juliana em excesso; as guiosas com cebolinho e farofa de sésamo (7,5€) estavam resfriadas; e o linguini nero (14,50€) usava uma massa preta industrial fraquinha, os mexilhões mirrados e os camarões insonsos e com lume a mais.

Por esta altura, a Delfina ia com um não satisfaz na pauta, como se pode depreender da prova.

Mas eis que chega o carolino
de legumes (14€). Os bagos de arroz vinham cozidos no ponto, envoltos numa goma sedosa, muito saborosos, a cenoura,
o tomate seco e os cogumelos (shitake, pareceu-me) a darem texturas e vitaminas – um prato reconfortante e quentinho como o afago de uma avó. A mesma excelente técnica de risoto foi aplicada no carolino de fígados, este ainda mais interessante, a carne frita à parte e depois vertida sobre o arroz e polvilhada de amêndoa torrada.

Muitos risotos afamados ficam aquém do que se conseguiu aqui com este carolino. A terminar uma mousse de chocolate com raspas de laranja e flor de sal, também bem boa (5€).

Contas feitas. Estamos em Lisboa, no centro de uma das cidades mais procuradas do mundo, com a gastronomia e o imobiliário em alta. Isso ajudará a explicar porque é que a factura rondou os 30€ por pessoa.

O resto não tem explicação.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Nome do local Delfina - Cantina Portuguesa
Contato
Endereço Praça do Município, 21
Lisboa
1100-365
Horário Todos os dias 07.30-23.30
Preço 25€ a 35€
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degustamos os pratos do Chef Luís Santos acompanhados pelos vinhos da Ravasqueira e explicação do seu enólogo num agradável convívio de foodies e do gerente do restaurante. 

Quanto à comida:
As entradas, acompanhadas de : 
Peixinhos da horta (com tártaro de gengibre), polme perfeita e vegetais consistentes a acompanhar o melhor molho com consistência de creme/espuma que gostei tanto que era capaz de jantar só isto com torradas. 

Pimentos de padrón salteados com flor de sal: assados, frescos.

Dumplings acompanhados com soja. A surpresa foi não serem cozinhas ao vapor mas sim estarem com uma leve crosta crocante que adicionou um sabor extra. É uma opção diferente para comer um "pastel" de carne

Pica-pau com pickles: bem, será talvez dos ex-libris da casa. Pica-pau está tão batido nos bares de praia e tascas que quando se pede é naquela onda que raramente espero surpresas. Mas este pica-pau até doeu dividir com os restantes convivas porque é tenro, ácido qb. 

camarões com erva príncipe: a grande surpresa é a folha fresca de erva princípe. E o molho faz as delícias. 

Filetes de peixe-galo (com esmagada de batata doce e laranja): pome mais uma vez perfeita, mas de todos os pratos foi o único apagado. Isto porque o filete de peixe galo não estava seco mas não tinha nenhum sabor particular.  Ahh, a esmagada de batata doce tem pedaços de compota de laranja e de tiras de laranja. Muito bom. 

Bacalhau à Brás: outro prato que é tão habitual que não se espera nada a não ser porque se gosta deste prato e bummm que impacto. Talvez o que gostei mais. Perfeito o equilíbrio de sabores e o molho de ovo.  

Carolino de fígado de pato (com amêndoas torradas e queijo de S. Jorge): outra surpresa de quem gosta de comida. Já comi algumas variedades de fígado e nunca de pato. Macio e conjugação de ingredientes no ponto, não ficando enjoativo devido ao queijo de S. Jorge. 

Migas de Quinoa com plumas de porco preto grelhadas: As migas de quinoa foi na mesa o que suscitou maior curiosidade. Pessoalmente os sabores das migas estão lá, mas a quinoa é dura e não há aquela papa cremosa que adoro. Mas de qualquer das formas é muito bom o sabor e a surpresa. As plumas finas e bem grelhadas são tão boas que desapareceram rapidamente.

Caçarola de coxas de frango à portuguesa envolta em bacon, cogumelos e batatas à padeiro: outra delícia é divinal, caseiro mas cheio de novidades para ser impossível ficar indiferente.

Mouse de chocolate com flôr de sal e raspa de laranja: mais densa que o normal, 70% ou mais de chocolate e com os grãos de flôr de sal a se desfazerem na boca com um toque de raspas muito fininhas de laranja.

Os Vinhos, os vinhos, os vinhos excelente escolha para apurar o paladar e qualidade Premium.

Atendimento muito simpático, profissional e descontraído por parte das funcionárias com uma indumentária jovem.
Decorado com uma fusão moderna, fina mas despretensiosa e uma iluminação intimista.

Tastemaker

Este ficou na memória, ficou na lista das recomendações e ficou na lista dos "a repetir"!

O espaço está muito bem decorado. Bom gosto e qualidade é o que se respira no Delfina. Sente-se que tudo foi escolhido a dedo, houve um grande investimento nos pequenos pormenores e de facto nestes sítios sente-se a diferença. 
Diferença essa que também se fez sentir na comida...comida tradicional portuguesa, feita com produtos de muita qualidade e frescos. Não tenho dúvidas. Sabores cuidadosamente combinados, texturas e cores pensadas ao pormenor...é difícil destacar as estrelas. Para começar umas boas gyosas; um incrível pica pau do lombo; os peixinhos da horta talvez sejam os melhores que já comi; os camarões salteado deixam-me água na boa só de olhar para a foto. Seguimos para os filetes de peixes galo com purê de batata doce, Caril da Malásia com camarão e bacalhau à Brás. Os filetes e o Caril estavam óptimos óptimos, muito bem feitos e temperados. Noutro saco coloco o bacalhau à Brás, que é diferente de qualquer outro bacalhau à Brás mas deixa de ser um bacalhau à Brás e não me deixou encantada. Ainda faltavam os pratos de carne: as quimigas (migas de quinoa) com plumas de porco preto para mim brilham brilham brilham; o Carolino de fígado de pato com amêndoas e queijo da ilha, onde destaco o fígado que de facto estava óptimo (não adoro fígado atenção), e o frango à Delfina que é bom mas para mim mais apagado do que os anteriores. A mousse de chocolate com flor de sal...óptima! 
Tudo acompanhado com vinhos, espumantes e espirituosas do Monte Ravasqueira, todos eles acompanharam o grande nível da refeição.
A experiência, no geral, para mim foi espetacular! Eu ia com elevada expectativas e conseguiram superá-las!