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El Negro Taqueria

  • Restaurantes
  • Grande Lisboa
  • 4/5 estrelas
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El Negro Taqueria
Francisco Romão Pereira / Time OutEl Negro Taqueria
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A Time Out diz

4/5 estrelas

O melhor antídoto para a selva da praia de Carcavelos pode ser uns tacos mexicanos, garante Alfredo Lacerda.

Num destes domingos de calor fui à praia de Carcavelos. Uma emoção. Às 11.30, já tinha levado com uma prancha de surf na tola, uma bola de raquetes de praia no lombo e com centenas de tatuagens nos gémeos a dizer “Joana”, para além de pessoas com todo o tipo de nádegas presas por um fio. Pelas 12.00, achei que estava bom. Tinha fome. Pesquisei “restaurantes em Carcavelos” na internet e acabou por me aparecer o El Negro – agora no Mercado de Carcavelos.

Há uns três anos o El Negro ficava numa esquina das traseiras de Carcavelos. Era um
sítio luminoso, com cores garridas e tropicais, como costumam ser os mexicanos. Tive lá um almoço belíssimo, com salsas de chiles diferentes para molhos diferentes, incluindo uma de habanero capaz de nos abanar, e tortilhas caseiras e suculentas.

Entretanto, tentei lá voltar e não consegui. Percebi então que o sítio tinha fechado. Não ajudou a pandemia, mas a pandemia não explicará tudo. Questionei-me sobre o surpreendente destino do El Negro. Como pode um sítio com comida boa desaparecer, quando ao lado há outros, que nunca viram um chipotle, permanecer?

Ora, são muitas as variáveis do sucesso. Da gestão à localização, da fixação do preço às compras, da decoração à comunicação, há dezenas de factores envolvidos no êxito de um restaurante. Chegar à cozinha e fazer um al Pastor como deve ser é só o último passo numa longa cadeia de talentos que é preciso ter para servir clientes e levar dinheiro para casa. Enfim, desconheço os donos do El Negro e os seus talentos. O que eu sei é que demorei mais de dois anos até voltar a provar os seus al Pastor.

As novas instalações do El Negro Taqueria são perto das antigas. O Mercado de Carcavelos foi renovado – qual, não? Tem agora sítios de brunch, roulottes de pão de queijo, Santinis e afins. Ficam todos virados para o exterior, um terreiro em calçada que pode ser demasiado árido num dia de Verão ao almoço.

O El Negro tem também espaço partilhado no interior do mercado com o Castiço Wine Bar, nada muito cuidado. E cá fora há mesas de merchandising de cervejeira, nem todas à sombra, com cadeiras de plástico. Ou seja, não se lá vai pela decoração nem pelo conforto.

A magia começa a acontecer quando a comida chega, mesmo que chegue com talheres descartáveis. Mais tarde, ficaria a saber que grande parte do negócio, hoje em dia, está centrado no takeaway. E que os mesmos donos do El Negro têm ao lado uma pizzaria,
na mesma modalidade: o mais novo quis uma e estava belíssima, uma boa surpresa. O domínio das farinhas e das massas-mãe notou-se também nas gringas mexicanas, tortilhas de trigo saborosas e elásticas, com recheios variados, como a de frijoles com queijo derretido.

Quanto às tortilhas de milho dos tacos são compradas fora, mas de boa qualidade. Não é a mesma coisa do que uma boa tortilha caseira com farinha de milho nixtamalizada, acabada de fazer, mas cumpre. Enrolaram uns tacos de camarão, suculentos, com maionese de chipotle. E, claro, os afamados al Pastor, saborosos, mas que talvez pudessem estar mais apurados dos sabores acholatados e terrosos dos chiles secos e do achiote. O achiote é uma pasta feita de umas sementes laranja-avermelhadas, também conhecidas por anatto. Para além do corante típico que conferem ao al Pastor, costumam dar também alguma acidez.

Gostei também muito do taco de bacalhau frito, pequenos gomos do dito, crocantes por fora, húmidos e saborosos por dentro, sem perderem a textura de bacalhau. Nas salsas, sabores para todos os gostos e níveis de Scolville, a tabela que mede o poder de fogo das malaguetas. Vieram também totopos acabados de fritar, ainda que o óleo parecesse já gasto.

Em síntese. O El Negro pode ter ganho clientela e visibilidade com a mudança para o Mercado de Carcavelos. Mas a cozinha tem conhecimento e talento suficiente para que alguém pegue nela e a instale num espaço próprio, como deve ser. Em todo o caso, depois de um mergulho na selva arenosa de Carcavelos, sabe muito bem ir lá encher a barriga de tacos saborosos, cervejas ou umas “águas frescas” de goiaba ou hibiscus.

Alfredo Lacerda
Escrito por
Alfredo Lacerda

Detalhes

Endereço
Mercado de Carcavelos
Praça Dr. Manuel Rebello de Andrade 3
Carcavelos
2775-596
Preço
15€-20€
Horário
Qua 12.30-15.00/ 19.00-22.30, Qui 19.00-22.30, Sex-Dom 12.30-15.00/19.00-22.30.
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