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Everest Montanha

Restaurantes, Nepalês Alvalade
Escolha dos críticos
4 /5 estrelas
Everest Montanha - Sala
1/4
Fotografia: Manuel MansoRestaurante Everest Montanha
Everest Montanha - Chicken Tikka Massala
2/4
Fotografia: Manuel MansoChicken Tikka Massala do Everest Montanha
Everest Montanha
3/4
Fotografia: Manuel Manso
Everest Montanha
4/4
Fotografia: Manuel Manso

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Atenção, continuamos a tentar dar-lhe a informação mais actualizada. Mas os tempos são instáveis, por isso confirme se os espaços continuam abertos.

Não há uma vez que passe aquela porta sem que haja um pequeno desentendimento. Os empregados, vestidos com um rigoroso uniforme nepalês, querem sempre instalar-me num sítio onde eu não quero ser instalado — mesmo se vou ao meio-dia e a sala está vazia. Não é embirração, é só um protocolo sobre ocupação de lugares seguido sem concessões há mais de uma década.

São muito coerentes nisto e no resto. Há poucos restaurantes com comida tão sólida e consistente, em Lisboa. Dezenas de visitas e a cozinha é sempre entre o satisfaz mais e o muito bom.

Note-se que estamos perante uma vulgar versão anglo-saxónica de um restaurante indiano-nepalês, como são a maioria dos restaurantes indiano-nepaleses de Lisboa. O que é que isto significa? Significa que os pratos são um apanhado de best sellers adulterados e redutores, feitos à medida de um povo com a púbis cor de laranja. Significa natas a mais em pratos que não levam natas. Significa lassis demasiado doces. Significa doses de picante para recém-nascidos. Significa menus em inglês e moradores do Pote d’Água a pedirem pratos na língua de Isabel II (“Era um prawn xacuti”, um “lamb nepal”, um “chicken mushroom”, um “garlic nan”). 

Ajuda, neste Everest, tratar-se de um bom restaurante anglo-indiano-nepalês. Apesar do menu, é um
 sítio que nos perfuma de cardomo e cominhos, que nos traz ervas frescas e picante — um maravilhoso detox da cozinha amaionesada de chef que invadiu a cidade, e do grelhado e do cozido da tasca. Uma refeição perfeita começa com os paparis de lentilhas, crocantes e secos, mais a chamuça. A versão da chamuça do Everest é comum em nepaleses, feita com carne picada de frango, pouca cebola e coentros. Não há grande refugado, os sabores são suaves, o recheio seco. Parece desinteressante mas é um estilo: a samosa do Everest é para ir sendo ensopada com o trio de molhos: malagueta verde (favorito), iogurte e menta, molho agridoce. Cada dentada é diferente, só não muda o estilhaço da massa a ser mastigada.

Ao mesmo tempo já chega à mesa o pão de alho, in english, garlic nan. Novamente, não é assim o pão das verdadeiras casas do subcontinente indiano que encontra na Rua do Benformoso, no Martim Moniz, mas este é muito bom também, com alhos picados à mão e coentros. Antes dos principais, aconselha-se ainda os baji de cebola, a sopa de lentilhas (“dal soup”), ou o queijo fresco frito — tudo de produção caseira.

Nos principais, tenho uma predilecção pelos camarões Everest (“prawn Everest”, uma misturada boa com queijo fresco, frutos secos e couve flor envolvida em molhanga espessa de caju — que julgo ser uma invenção do chef residente). Outros favoritos incluem o tal “prawn Xacuti” (não tem a intensidade do xacuti que comemos num goês, mas vem com coco ralado,
 o camarão rijo e suculento, perfeito, e um bouquet fragrante de especiarias); o “lamb Nepal”, bifinhos de borrego marinados, depois grelhados e envolvidos em pimento verde; ou — imagine-se — o frango tikka masala, ícone dos ícones do indiano anglófono, uma coisa com mais possibilidades de ter sido inventada em Glasgow do que no Punjab, o chop suey da República da Índia.

Uma nota especial sobre ele. Eu julgava que os peitos de frango eram só aquela coisa que despachávamos para
 a sobrinha de três anos. Mas o Everest transforma uma peça seca e farinhenta em cubinhos suculentos e saborosos, ligeiramente elásticos e tudo. O truque é o de sempre, mas aqui adivinha-se outro empenho, mais horas da carne 
a marinar no iogurte, depois a grelha branda à moda do tandoor, por fim um creme lácteo e cor de laranja, natas e tomate, especiarias e coentros. God save the Queen, god save tikka masala.

Claro que isto é tudo servido com um arroz perfeito, muito comprido e salpicado de cardomo a sério.

No fim, passo as sobremesas porque sei que me vão dar um shot de licor de manga. Sempre.

O Everest Montanha atingiu o estatuto de clássico. E andamos tão necessitados disto.

PS: Não falei na decoração. 
Tem o típico folclore das casas da especialidade, no entanto sóbrio.
 Nas paredes, ressaltam duas coisas:
 o enorme quadro em fundo dos Himalaias; e ampliações – muitas – de páginas da Time Out a recomendar o restaurante. É abrir espaço para mais esta.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Detalhes

Endereço Avenida do Brasil, 130 C
Lisboa
1700-075
Transporte Metro Rossio
Preço Até 20€
Contato
Horário Seg-Dom 12.00-15.00/19.00-23.30
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