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JNcQUOI

Restaurantes Avenida da Liberdade
Escolha dos críticos
4 /5 estrelas
JNCQUOI
1/5
Fotografia: Arlindo Camacho
tortilha do jncquoi
2/5
Fotografia: Arlindo Camacho
JNCQUOI
3/5
Fotografia: Arlindo Camacho
JNCQUOI
4/5
Fotografia: Manuel Manso
salada jncquoi
5/5
Fotografia: Arlindo Camacho

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Atenção, continuamos a tentar dar-lhe a informação mais actualizada. Mas os tempos são instáveis, por isso confirme se os espaços continuam abertos.

O restaurante do JNcQUOI, um empreendimento do grupo Amorim Luxury com três andares, tem uma sala linda, um serviço atencioso, uma cozinha sólida com clássicos de Itália, França e Portugal, um chef que sabe o que faz (António Bóia) e um daqueles ambientes cool que todo os restaurateurs sonham e só alguns alguns alcançam. Seja no andar de cima, onde a carta é variada, seja no DeliBar, no piso intermédio, onde há um balcão com capacidade para 42 pessoas e uma carta própria, assinada também pelo chef António Bóia. É o restaurante perfeito para um programa de amigos bem regado e sem olhar a custos, sendo que deve obrigatoriamente fazer reserva. Aproveite para provar o lombo de bacalhau tradicional com crosta de broa de milho.

 

 

Crítica: 

É uma das mesas mais procuradas de Lisboa e fomos lá perceber porquê. No fim, saimos bem impressionados e escrevemos um decálogo para restaurantes da moda.

1. Faz turnos para as reservas. Faz-te difícil.
Quando uma pessoa telefona a reservar mesa e a chefe de sala diz que, esta semana, “já só há vaga para o turno das 19.00, com saída às 21.15”, ou se está perante um fenómeno ou se está perante uma idiota. Na noite em que jantei no JNcQUOI a casa encheu duas vezes. Fenómeno.

2. Põe a música altinha.
Não alta nem baixa – altinha. De preferência, funk ou soul sem refrões orelhudos, uma coisa que não ofenda o pessoal do Lux e faça a tia menear-se por instinto. Tal e qual como no JNcQUOI.

3. Dá boa comida às pessoas.
O hype e a publicidade enganosa não vencem se a cozinha for fraca. O JNcQUOI tem clássicos de França, Itália e Portugal, bons produtos, tudo processado de acordo com os melhores livros e as melhores práticas da cozinha internacional. A carta inclui coisas tão díspares como foie gras (18€), caviar Beluga (82€, 30g), bisque de lavagante (16€, obrigatório), caranguejo do Alaska (19€), chuletón (68€, 1100g), paletinha de cabrito (28€) e piano de entrecosto (18€).

4. Não precisas de um chef da TV, precisas de um bom cozinheiro.
O chef do JNcQUOI, António Bóia, nunca ganhou estrelas Michelin nem figurou em concursos de televisão, mas é reconhecido no meio pela sua técnica sólida e pelo seu eclectismo clássico e académico (foi responsável pela equipa olímpica de cozinheiros portugueses).

5. Cria um prato que seja o melhor da cidade no seu género.

O prato mais mediático de Bóia talvez seja o arroz de lavagante
 e garoupa (32€). Mas eu não descartaria um outro mais simples e popular, tão abardinado por estes dias: o bacalhau tradicional com broa (26€). No JNcQUOI ele é perfeito, sem invenções. O lombo alto, demolhado cientificamente, lascas cheias de goma, a broa tostada e crocante, grelos salteados, e umas batatas assadas (olho-de-perdiz?) saborosíssimas.

6. E uma sobremesa viciante.
O meu departamento de estudos gastronómicos diz-me que, para aí em 65% dos casos, o prato que as pessoas mais elogiam, depois de uma refeição, é a sobremesa, por vezes simplesmente por terem memória curta. O JNcQUOI deve ter informações semelhantes e não fez por menos: foi a Paris
e trouxe a Ladurée. Se tiver de escolher só um doce, vá pela tarte de morangos e mascarpone (9€, caramba!). É famoso também o pudim do Abade de Priscos, mas para mim tem álcool e preço a mais (9€).

7. Contrata empregados competentes e não te esqueças da boazuda e do gay.

A refeição começou com a minha companhia deliciada com a manteiga. Um empregado foi chamado para dar explicações: “É beurre de Isigny”, disse, sotaque irrepreensível. Logo a seguir vem outra empregada, outro perfil: os peitos a forçar o botão da camisa, o rabo num bamboleio pausado, olhos felinos; entrega a comida silenciosamente, sorridente, está lá só para desfilar. Do outro lado da sala, anda um rapaz de gestos afectados e frenéticos. Na sua exuberância gay, proporciona alegria a um grupo de brasileiros louros e dá colorido à sala.

8. Arranja uma instalação artística
O Ikea e aquela prima com jeito para a decoração já não chegam. Os restaurantes estilosos, hoje 
em dia, precisam de uma obra
 de arte, algo disruptivo que faça as pessoas suspirar de emoção.
 O chef Kiko foi, porventura, 
quem primeiro percebeu isto, pendurando um polvo gigante no tecto da sua magnífica Cevicheria. Mas este JNcQUOI arranjou um bicho ainda mais difícil de caçar: o dinossauro. Mas todo
 o restaurante é extraordinário, diga-se. Tectos altos, os mesmo janelões do antigo cineteatro Tivoli, mesas de pedras brancas ou pretas, árvores interiores, cortiça, madeiras e dourados, a cozinha aberta com o Josper
 a fumegar, sofisticado sem ser opulento, pode reclinar-se nos cadeirões e molhar o pão no azeite à vontade, e bom que ele é com os camarões mornos e alho cru laminado.

9. Acolhe todos da mesma maneira. A maior parte dos restaurantes fashion são procurados por gente não-fashion. No JNcQUOI, na noite em que lá jantei, havia uma aniversariante e sua família, com as crianças; corpo diplomático africano com vestido de grife; jovens empresários de sapatilhas Ralph Lauren; barrigudos com Rolex; turistas sem chinelo. Mas sobretudo havia pessoas que ouviram falar do fenómeno e quiserem ir ver o fenómeno como quem vai ver as luzes de Natal e as fotografa para o Instagram.

10. Faz com que tudo seja especial, preço incluído.
Os preços do JNcQUOI não são escandalosos, no sentido em que não há como não cobrar umas dezenas de euros por caviar, nem há como baixar muito o preço dos vinhos, mesmo sabendo que há várias opções acima dos 200€ a garrafa. Dito isto, uma pessoa consegue comer bem 
por 50 euros, sem se esticar nas bebidas. É muito, mas é um patamar razoável para chamar a um jantar na Avenida uma ocasião especial.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Detalhes

Endereço Avenida da Liberdade, 182/184
Lisboa
1250-096
Preço Até 50€
Contato
Horário Seg-Sab 12.00-00.00
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