Muito Bey

Restaurantes, Libanês Cais do Sodré
4 /5 estrelas
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Muito Bey

Descobrimos a nova Meca gastronómica da cidade e a palavra trendy do momento. Vai um "mezze"?

Desde que o Muito Bey inaugurou, em Outubro do 
ano passado, 32 indivíduos e 
um dromedário fizeram-me a pergunta: “Já foste àquele libanês novo ali no Cais do Sodré?” Já, respondi-lhes. Eu; uma turba excitada de hipsters com MINI Cooper; a base de dados da agência Nomad; foodies que querem ser sempre os primeiros; e os outros que andam sempre atrás destes.

Basta ver a clientela de barba crescida e cabelo rapado, ou abrir o Instagram, para se perceber
o fenómeno. A restauração lisboeta está a ter a sua Primavera Árabe. Depois da aragem latino-americana, da corrente de ar
do Extremo Oriente, os ventos parecem soprar do Levante. À excitação com ceviches, sushis, tapas e petiscos sucede agora a exaltação dos “mezze”, palavra que designa pequenos pratos de comida do Médio Oriente, sobretudo do eixo Síria-Líbano-Jordânia.

O hype coincidiu com o projecto Pão a Pão, que ajuda os refugiados sírios em Portugal e pôs centenas de portugueses a provar coisas como tabulé e baba ghanouj. No mês passado, uma série de jantares no Mercado de Santa Clara, cozinhados pelos próprios refugiados, tiveram lotação esgotada e mereceram aplausos efusivos. O sucesso da iniciativa foi tal que o Pão a Pão quis prolongar a experiência: o restaurante Mezze deverá abrir ainda este ano.

Temos, portanto, uma tendência. Mas uma tendência antiga.

Convém lembrar que corria o ano de 711 quando os sarracenos entraram pela Ibéria cheios de novos produtos e receitas boas. Montaram sede na Andaluzia, mas espalharam-se até ao Cabo da Roca, por aqui permanecendo umas centenas de anos. O legado não se limitou à alfarroba, à alcachofra e a outros vocábulos começados por “al”. Dos figos
às laranjas passando pelo escabeche, houve uma série
de outras coisas que os mouros deixaram no nosso estômago colectivo.

Talvez por isto, poucos estranharão a comida deste Muito BEY. Na mesa há pão, frutos secos, azeite e azeitonas, saladas, grelhados, ervas aromáticas – tudo coisas familiares, frescas, saborosas e saudáveis que qualquer nutricionista luso prescreveria como dieta.

Do que se provou – e foi muito –, destaca-se o seguinte.

Fabuloso o mutabal, mais conhecido por baba ghanouj (6,50€): beringela assada e esmagada com tahini (pasta de sésamo, que também entra no hummus) aqui com bagos de romã a espevitar tudo – fumado, doce, ácido, amargo, um creme lânguido e misterioso como as noites do califa, excelente para imergir o pão manuché, achatado e assado no momento.

Outro prato vencedor é a kafta (11,50€, por vezes grafado como kofta): espetadas de carne de vaca e borrego (versão ocidentalizada, no Médio Oriente estes kebabs só costumam levar borrego) moída com cebola e salsa, suculentas. Ainda dentro dos clássicos, o falafel (7,50€), porventura o pastel mais perfumado do mundo (cominhos, coentros, alho, paprika...) é aqui mais amargo do que nas versões israelitas que proliferam no Ocidente, por ter na base puré de fava (tradição egípcia) além do de grão. Muito bons, também, os fígados de galinha salteados com molho
de romã (saudit djej, 7,5€) e o labné meklié (7,5€), o tradicional iogurte coado e panado.

Continuando nos fritos, o kibbé (7,5€, três unidades)
 seria sempre um favorito, mas desiludiu: embora o Muito BEY faça uma receita rica, juntando pinhões ao recheio de carne, não se sentiram as habituais camadas de borrego e vaca e o croquete veio queimado. Houve ainda outras falhas, sobretudo pratos demasiado salgados (pickles, tabulé) e um serviço ora inseguro ora altivo.

Quanto à decoração, quem vá ao Muito BEY à espera de tradição e folclore sairá frustrado. O espaço tem um ambiente moderno e arejado, tal como acontece aliás com grande parte dos restaurantes de Beirute, porventura a capital mais europeia do Médio Oriente, de onde é oriundo o dono.


Nada, em todo o caso, que dê cabo do hype ou faça esquecer as virtudes – perdão: os mezze.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Nome do local Muito Bey
Contato
Endereço Rua da Moeda, 8
Lisboa
1200-275
Horário Seg-Qui 12.00-15.00/19.30-00.00, Sex-Sáb 12.00-15.00/19.30-01.00
Transporte Metro Cais do Sodré
Preço Até 30€
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O pior atendimento que alguma vez experienciei. A senhora que estava a servir a nossa mesa fez algumas confusões com o nosso pedido, sendo que algumas coisas foram mandadas para trás.


Até que a Senhora referiu que não ia mandar mais nada para trás, e ali se gerou toda uma discussão.


Sendo que foram extremamente mal educados, a ponto de pedirmos o livro de reclamações.


Nem conseguimos apreciar a comida, com tamanha confusão que foi gerada.


Um sítio a não voltar.

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Foi através de uma oferta Dois por Um que tive a hipótese de experimentar este restaurante com uma decoração cativante e cheia de bom gosto. A comida é divinal. Não consigo esquecer os falafel - simplesmente maravilhosos. Tivemos mais olhos que barriga e pedimos uma enorme quantidade de pratos para dividir, que penso ser a melhor maneira de ficar a conhecer um pouco mais das especialidades libanesas. Não contentes, ainda nos arriscamos numa sobremesa que, não sendo superada pelos falafel, ganha um segundo lugar bem merecido nas nossas preferências. Pedimos uma baklava para dividir e valeu cada pedaço. O preço não é o mais acessível, mas para uma ocasião especial, vale a pena!  

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O meu pai é Libanês... Por isso sou fã incondicional de comida Libanesa. Até à abertura do Muito Bey, havia muito pouca escolha e o que havia não não tinha o espírito, ânimo e sabores com os quais cresci a minha vida toda. Aliás, sempre que ia a Paris fazia questão de percorrer restaurantes Libaneses para matar saudades - é o que mais há! Por isso quando abriu o Muito Bey, em pleno Cais Sodré, com um ambiente cool e convidativo e o melhor Mutabel que alguma vez comi (mesmo a sério -  peço desculpa à minha mãe e ao meu pai por dizer isso!), fiquei para além de feliz. Já almocei, já jantei, já experiemntei vários pratos (sempre evitando carne que não como), e a verdade é que tudo é bom. Mas os Mezze's são realmente as estrelas deste restaurante. O Hummus, Mutabel, Jebné, Flaiflé Hamra, são deliciosos, sem mesmo nada a poder melhorar. O pão Manuché é caseiro e acompanha todos os Mezze's na perfeição. O Tabbuleh é genuino, os Falafels também, o Samké Harra (bacalhau) foi novidade para mim - nunca tinha experimento - e é divinal. Uma posta de bacalhau com um molho rico de especiarias que só Deus sabe quais são... Perguntei mas ... Não me disseram (claro!).

Nunca comi as sobremesas, mas confesso que apesar de ter sangue Libanês, nunca gostei dos doces (são mesmo muito doces). Há cocktails óptimos e o ambiente é descontraído e stylish. Os preços variam, não é um sítio barato, mas a qualidade e autenticidade da comida compensam.

Aconselho a marcar mesa com alguns dias de antecedência - estão sempre cheios!



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Um novo libanês na cidade. Adoro comida libanesa e por isso sou suspeita. Leva-me sempre para um ambiente fora do tradicional e relembra-me as minhas boas memórias de restaurantes londrinos e alemães onde já experimentei muitos pratos desta zona.


Já fui duas vezes. Uma ao almoço e outra ao jantar. Ao jantar optámos por provar o hummus, falafel e o tajine samak. Não tínhamos muita fome e petiscos foram suficiente mas senti que os preços dos pratos frios (mezze frios) deveriam ser mais acessíveis. Ao almoço o menu é super completo. Comi uma sopa de lentilhas, uma espetada de galinha, sobremesa, bebida e café por um preço bastante em conta considerando a qualidade. A localização é muito boa.