Optimista

Restaurantes, Português Chiado/Cais do Sodré
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Ensopado de mar
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Para apresentação à sociedade, o Optimista tem um site onde se dá a conhecer em jeito de manifesto. Lêem-
se coisas como “no Optimista queremos que se sinta feliz. Quando aqui vier, que seja porque o coração aqui se sente bem”; “nestas mesas haverá espaço para comer e beber, para rir, para chorar, para cantar, para oferecer, para propor e para pedir”; “(...) o objetivo da nossa comida é impressionar palatos e corações”. E por aí fora, até se ter a certeza que a mensagem fica gravada: um sítio de optimistas para optimistas. Óptimo.

E em duas visitas percebi que não era conversa fiada. Serviço atenciosíssimo, conhecedor e descontraído. A recuperação do espaço, uma antiga loja de maquinaria e ferragens, foi feita com gosto, desde a iluminação das paredes às jarras de flores, dos guardanapos de linho colorido às mesas de pedra. Resultado? O cliente sente-se bem e, por arrasto, optimista. Ah! E é impossível deixar de falar da cabeça de unicórnio pendurado na parede, símbolo, dizem os sócios do restaurante, do optimismo.

Mas por mais optimismo que se tenha, por melhor ambiente, por nem sequer haver preocupações se a comida demora ou não – não demorou, note-se –, já que o sítio, mesmo semivazio, é agradável de estar (verdade seja dita, um sítio agradável é o que almejam todos os restaurateurs do mundo), a comida tem de ser boa. E aqui nem tudo conseguiu manter-me na mó de cima (ou seja: optimista).

Começo pelo assim-assim. As pataniscas de polvo com pickle de cebola roxa (6€) vinham com excesso de gordura, queimadas nas pontas e demasiado sal em cima, além de terem embebido a acidez que escorreu do pickle e o resultado ser um conjunto muito forte na boca. Ao peixe do dia, uma dourada de aquacultura, com puré de couve flor e presunto, feijão verde salteado e couve kimchi à portuguesa (16€), faltava sal e vida. Algo seco o peixe, o presunto que poderia salgar o puré não apareceu, o kimchi estava fortíssimo, mas sem qualquer toque de picante (à portuguesa?) e no final o prato não convenceu.

Bem melhor o rosbife com couve braseada, esmagada
de batata doce e molho chimichurri (17€). Carne mal passada em fatias finas, servida fria, com o molho a dar-lhe sabor e a contrastar bem com o adocicado da esmagada de batata, mesmo no ponto. Boa também a tomatada com infusão de alecrim e ovo escalfado (5€), o ovo cozinhado a baixa temperatura, levemente picante. Interessante o couvert, com um molho à Bulhão Pato apurado, que só ficaria perfeito se viesse quente, e com uma boa manteiga de cogumelos. Já a broa de milho não acompanhou a qualidade do outro pão de trigo.

Para rematar tudo, um leite creme queimado (4€), e bem queimado, mas a deixar um travo a álcool e com uma consistência levemente granulosa.

Ora optimismos à parte [definição do Priberam: “costume ou sistema de achar que tudo é ou resultará o melhor possível], o Optimista fica-se pelas três estrelas. Não pelo preço, uns 30€ à cabeça com um copo de vinho, não pela pinta do espaço, mas pelas pequenas falhas na cozinha, que, volto ao manifesto do site, “(...) apresenta uma ementa rebelde que se recusa a entrar em caixas ou a vestir-se de etiquetas”. Mas de tão rebelde que é, nem sempre a mistura
de produtos resultou em algo positivo.


*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

Nome do local Optimista
Contato
Endereço Rua da Boavista, 86
Cais do Sodré
Lisboa
1200-109
Horário Ter-Sáb 12.00-15.00/19.00-00.00
Preço 30 a 35€
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