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Peixaria da Esquina

Restaurantes, Frutos do mar Campo de Ourique
4 /5 estrelas
4 /5 estrelas
(1comentário)
Peixaria da Esquina - Sala
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©Grupo Vítor SobralA meio da semana, uma dose de peixe para desanuviar dos excessos
PEIXARIA DA ESQUINA
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©Jorge Simão
Peixaria da Esquina
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©Jorge Simão

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Fomos a Campo de Ourique avaliar o peixe que tanto nos venderam nos últimos meses

Quando me encomendam uma crítica, faço questão de ir sem grandes expectativas. Porque quando entrei nesta dura profissão de avaliar restaurantes, não o fazia e, ou os trambolhões eram grandes, ou a surpresa compensava o esforço (esforço?, qual esforço?, ó Francisco). Desta vez, contudo, quebrei a regra. Andam os meus amigos desde o Verão a dizer-me que o restaurante é óptimo, que os marinados são excelentes, que o Vítor Sobral deu uma boa volta à coisa... E eu, que até gosto desta nova onda de peixarias reinventadas, convenci-me que andava a perder um grande tesouro. Daí que, quando me encomendaram este serviço, por mais que tentasse, não consegui apagar os ecos do peixe que me tinham vendido.

Entrei no restaurante bem-disposto. Véspera de ano novo, casa cheia, gente à espera, barulho, empregados atarefados, tudo bons prenúncios. E se estamos em época de começar tudo com o pé direito, aqui foi o esquerdo que andou primeiro. Azar dos azares, fiquei sentado na pior mesa do restaurante: quase em frente à casa de banho, de caras para a porta da cozinha e com a janela que dá para o balcão da zona de cozinha aberta, parcialmente tapada por uma tábua. Ou seja, pouco aproveitei do ambiente.

Veio o couvert, com um pão alentejano em fatias grossas, duro e seco, que não me pareceu do dia, um excelente queijo de entorna bem amanteigado e um paté bom. Pedi torradas para acompanhar – achei que num sítio de peixe, com cascos de sapateira, açordas, etc., as teriam. Disseram que estavam a poupá-las, lá está, para as sapateiras, mas que as iam trazer na mesma. Esperei e nada. Pedi um vinho, não tinham. E agora perdoem-me saltar já para as sobremesas mas quero encerrar o capítulo das ausências: pedi as duas que me pareceram mais unânimes da ementa, mousse de chocolate e creme queimado de baunilha. Também não tinham. Num sítio com esta rodagem, porque mesmo do meu canto consegui ver rodagem de mesas, e onde se paga bem, espera-se pelo menos que o stock esteja mais bem estudado.

Voltando à refeição. Muito bom o marinado de salmão, com maracujá, gengibre, mel e coentros. O doce da fruta e do mel a ser bem equilibrado pelo ácido do vinagre, o peixe cheio de sabor, numa textura amolecida mas boa. Um prato forte, para dividir, como o fiz, mas a bater nas quatro estrelas. Ligeiramente abaixo o marinado de atum, com manga, pimento e poejo, demasiado salgado e avinagrado, a esconder o sabor do peixe, que também não era a melhor peça.

Agradáveis os camarões com abacate e coentros, numa reinvenção engraçada, quase a funcionar como um dip de camarão com pão crocante à volta (não panado, atenção), para molhar no creme de abacate. Bom, não histórico. E depois veio a desilusão da noite: as lapas com manteiga de alho, limão e salsa. Duras, não me pareceram frescas, sem qualquer sabor do molho. Comemos cinco ou seis e o resto ficou na travessa.

De sobremesa uma tarte de caramelo salgado com pistáchios. Mais uma vez boa, não histórica. A base da tarte podia ser mais fina, não se esfarelar com tanta facilidade e unir-se melhor ao caramelo.

Escusado será dizer que saí desapontado. Cabisbaixo, até. Tanta parra, tão pouca uva. Não lhe daria mais do que três estrelas. Até porque paguei 40€ (com vinho) por cabeça.

Mas antes de me sentar a escrever, quis voltar para experimentar o prego de atum que vi desfilar para algumas mesas. E voltei, ao almoço. Senti- -me noutro restaurante, com outro atendimento, outro cuidado, uma cozinha bem melhor. E numa mesa bem melhor, diga-se.

O couvert trazia o pão fresquinho (era o mesmo, mas do dia) e trazia umas excelentes torradas fininhas. Pedi manteiga, chegou num frasco com flor de sal e cebolinho picado. Pedi umas amêijoas, estavam deliciosas, gordas, num molho pouco aguado, como se quer, alho laminado, muito boas. Vieram uns excelentes camarões com alho e malagueta, bom marisco, o molho com o toque certo de picante, um leve sabor a louro, alguma acidez, cinco estrelas. E veio o prego de atum, naco alto, muito mal passado, temperado só com sal, com óptima mostarda, num pão leve. Um prego sem pieguices, portanto.

E, desta vez, escusado será dizer que saí agradado. Pus tudo na balança e subi a parada até às quatro estrelas.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Francisco Beltrão

Publicado:

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Horário Ter-Sex 19.00-23.30, Sáb-Dom 12.30-15.30/19.30-23.30
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