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Restaurantes, Português Areeiro/Alameda
3 /5 estrelas
4 /5 estrelas
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Fotografia: Manuel Manso
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Fotografia: Manuel Manso
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Fotografia: Manuel Manso
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Fotografia: Manuel Manso

A Time Out diz

3 /5 estrelas

Crítica

Coisas que cheiravam a desastre.

O nome
“People” podia ser uma loja de roupa de má qualidade.

A carta

Os cogumelos portobelo, as trouxas de maçã e chèvre, o atum braseado, as gambas à la guilho, tudo banalidades que Lisboa ainda não derrotou.

A decoração
Ambição moderna no estilo Querido mudei..., papel de parede com caras de pessoas, estofos, espelhos – não me admirava se tivesse tudo vindo da cabeça da dona de uma boutique chamada People.

A ardósia-prato
A ardósia serve para escrever a giz, não serve de prato. Acabem com isto, por favor.

Coisas que cheiravam a sucesso.

O ambiente
A casa estava cheia e com muita gente acima dos 55 anos, o
que normalmente é bom sinal, sobretudo quando estamos no Campo Pequeno, reino de jovens burocratas da saladinha e da tosta de salmão.

A carta
Não havia só lugares comuns;
 ao lado, coisas interessantes, como um lombo de robalo com azeite de trufa e puré de batata, alguns risotos originais, cordeiro fumado.

O serviço
Impecável: simpático, disponível, atento e honesto. Muito honesto. Veja-se esta situação, logo a abrir. A ler a carta, o empregado ao meu lado. “O peixe galo é fresco?”. “Não, não é fresco. Nós congelamo-los, depois eles são marinados e fritos com farinha de milho.” Isto é bonito e isto é raro. A resposta não teve qualquer hesitação, era a voz de alguém sincero e seguro. E está bem assim. Prefiro um filete que foi congelado fresco e descongelado lentamente do que outro ressequido pelo frigorífico.

Pode dizer-se que, por causa deste episódio, o sítio começou a ganhar. E não desiludiu na primeira entrada: sopa de ervilhas com presunto crocante. Não vejo que se possa fazer melhor, um clássico, o creme gomoso, o presunto seco, estaladiço. A seguir, voltaram as perguntas: “O robalo é de mar?” E voltou a verdade: “Não é”. Não sendo, era fresco e inodoro e
não tinha textura farinhenta de certas aquiculturas. Faltou-lhe lima e sal, mas uma considerável dose de funcho safou o conjunto.

E eis que chegam os filetes
de peixe galo. A solução da farinha de milho é claramente vencedora, deixa sempre a fritura menos empapada,
os filetes rijinhos, com a elasticidade típica do peixe. Pior o acompanhamento de arroz de amêijoas, servido num tachinho à parte, aguado, os bivalves magrinhos e sensaborões, tomate adocicado de lata e tudo.

Por recomendação, seguiu-se o prato do dia. Costeletas de borrego com gnocchi, por cima um molho do tipo jus de carne, a finalização avinagrada e doce provavelmente resultado do derrame de balsâmico.

Lembrar que o balsâmico 
foi uma praga da cozinha de teleculinária. Em tempos, dar um toque de chef era desenhar uns riscos de balsâmico, e não havia amador ou profissional que não brincasse ao balsâmico. Hoje já parece ridículo a muita gente mas perduram resquícios da moda, como se vê. Dito isto, o prato era bem servido, as costeletas estavam bem boas, os gnocchi idem, ligeiramente caramelizados.

O mesmo nível nas sobremesas. O mil-folhas de ovos moles
(4€) podia ir para a mesa de um restaurante de alta cozinha, as folhas transparentes e crocantes, os ovos moles frescos, canela e amêndoa laminada torrada em volta. O semi-frio People (“uma especialidade cujo segredo não revelamos”) não era assim tão especialidade nem assim
tão segredo, tarte de natas com bolacha Maria gelada, chocolate quente por cima – soube bem (4€).

O resultado final
Não estamos perante um restaurante de excepção culinária (nem os preços, entre os 15€ ao almoço e os 25€ ao jantar, são para isso). Mas há pessoas na cozinha e na sala
que sabem o que fazem e fazem muita coisa bem. Pode ser uma boa opção para quem quer almoçar no Campo Pequeno, zona cheia de restaurantes medíocres. Garantido é que não vai ser enganado e que o vão tratar bem. E isso já é bastante.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Detalhes

Endereço Campo Pequeno, 42 A/B
Lisboa
1000-080
Preço 15 a 25€
Contato
Horário Seg-Qui 12.00-15.30/19.00-22.30, Sex 12.00-15.30/19.00-23.30, Sáb 19.00-23.30
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O espaço é muito pequeno para tantas pessoas. As mesas são demasiado próximas umas das outras e há muito barulho.
Contudo, os risottos valem muito a pena! O de rosbife, cogumelos e rúcula é muito bom mesmo. Dos melhores que já comi em Lisboa.
Para sobremesa: o folhado tinha uma massa perfeita apesar do doce de ovos ser demasiado doce; o semifrio é também muito interessante.
O staff é muito simpático.