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Pizza e vinho: quando a química fica séria

Faz sentido acompanhar pizza com vinho? Se sim, então qual? Neste artigo encontra quatro pizzas clássicas, quatro vinhos e zero monotonia.

Liana Saldanha
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Há uns tempos, dissemos que na hora de combinar vinho e comida, há dois caminhos clássicos que podemos seguir: o da semelhança e o do contraste. Com a pizza não tem de ser diferente (e, não, pizza não vai bem só com refrigerantes ou cerveja): existe, aliás, uma química quase sexual quando abrimos o vinho certo para acompanhar uma fatia. Não é exagero: alguns vinhos conseguem tirar a pizza do lugar comum e transformar a refeição em algo mais especial, mais provocador, mais sexy. Sem mais delongas, vamos directo ao ponto porque sabemos que já estão curiosos: quatro pizzas clássicas e o que abrir com cada uma.

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Pizza e vinho: quando a química fica séria

Margherita com branco

A Margherita é a "namoradinha" da Itália: simples, fresca, perfeita. Mas não se deixe enganar, ela não é fácil de parear com vinho. Exige o equilíbrio exacto entre a acidez e umami do tomate, a gordura da mozzarella e o aroma intenso do manjericão. O Pormenor Branco entra em campo para dominar a jogada. Com a mineralidade típica do Douro, este vinho age como um reflector, enaltecendo a frescura dos ingredientes sem os atropelar. Não é um branco magrinho: tem textura, identidade e presença para limpar o paladar e manter o jogo a rolar.

Pormenor Branco 2024 (PVP: 12.80€)

Quatro Queijos com espumante

Aqui a química já é para ser levada mais a sério. Quatro queijos é uma ode ao excesso, uma bomba de untuosidade que pede contraste, não afinidade. O espumante Ataíde Semedo, mestre da Bairrada, entrega bolhas finas e uma acidez cortante que funciona como um reset entre cada dentada, impedindo que a gordura domine os sentidos e deixe a pizza enjoativa. É um equilíbrio técnico – e químico mesmo – perfeito entre a potência e a leveza. Seco, directo e com energia para segurar a intensidade dos queijos sem que os seus deliciosos sabores desapareçam. 

Espumante Ataíde Semedo Brut 2023 (PVP: 15€)

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Cogumelos com tinto

Cogumelos pedem um vinho que não passe por cima da delicadeza do seu sabor. A uva Baga, quando trabalhada com a sofisticação da Campolargo, revela uma estrutura firme e uma complexidade aromática que faz o aroma de "chão de floresta" do vinho ter uma conversa harmoniosa com o sabor terroso dos cogumelos. É um casamento por afinidade: a acidez alta e os taninos sofisticados trazem a tensão necessária para a combinação não ficar pesada, acompanhando a profundidade do ingrediente com elegância de uma baga bem trabalhada.

Baga Campolargo 2020 (PVP: 14,86€)

Salame picante com rosé

Picância, gordura e intensidade. Neste caso, o vinho funciona como um mediador de conflitos, e o Atelier Palhete é a fórmula perfeita. Por ser servido fresco e ter bastante aroma de fruta, ele "apaga o fogo" do salame, sem anular o sabor. Tem a leveza e o toque tânico discreto para lidar com a gordura sem pesar no paladar. É uma harmonização atrevida e cheia de energia. É daqueles pares que fazem querer comer mais... e beber ainda mais, não necessariamente por esta ordem. 

Atelier Palhete 2024 (PVP: 13,50€)

Outros copos

Durante um tempo, muita gente pensou que o vinho laranja era só uma moda passageira. Mas não: ele chegou para ficar. Também conhecido como ‘âmbar’ ou ‘branco de maceração’, é bastante antigo: nasceu há mais de 8 mil anos na Geórgia, quando deixavam uvas brancas fermentar com as cascas dentro de ânforas de barro (só as cascas das uvas, ok? Este vinho não tem nada adicionado da fruta laranja). Ou seja, o vinho laranja pode até parecer novo, mas é mais velho que a roda.

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Beber um vinho do Pico é provar uma história de resistência, beleza bruta e ligação profunda com a natureza. É sentir no paladar o equilíbrio improvável entre mar e lava, vento e pedra, tradição e futuro. As castas rainhas da ilha (Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico) são representantes da sua identidade e dão origem a vinhos minerais, com frescor vibrante e uma estrutura em boca que parece ecoar a própria rocha vulcânica onde nasceram.

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