Qosqo

Restaurantes Santa Maria Maior
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Subir a Machu Pichu sem sair de Lisboa é no restaurante Qosqo, o primeiro peruano da cidade. 

Publicado:

Nome do local Qosqo
Contato
Endereço Rua dos Bacalhoeiros 26A
Lisboa
1100-016
Horário Ter-Sáb 12.30-15.00 e 20.00-23.30. Dom 12.00-15.30

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Miguel C
tastemaker

Depois da minha experiência, o ano passado, n'A Cevicheria, comecei a nutrir uma certa desconfiança por estabelecimentos que apresentassem ceviche na sua ementa. Não tanto pela sua tentativa de "cavalgar a onda" da restauração pop, mas mais por ter chegado à conclusão que é um prato em que é muito difícil atingir o equilíbrio entre a sua acidez, "frescura" e o imprescindível picante, sendo por isso bastante improvável encontrar uma fórmula que me agradasse (ai que isto não soou nada pretensioso).


Convencido de que não iria encontrar esse El Dorado do peixe cru, abandonei por completo as minhas incursões pela cozinha peruana (excepto nos pisco sour) até ter finalmente ido, na última Sexta-Feira, ao Qosqo.


Em primeiro lugar, é preciso dizer que o propósito de ir ao Qosqo não é o de tirar fotografias à comida e ao espaço e partilhar a "inesquecível experiência" nas redes sociais (eu sei que fiz isto, mas qual é o blog pessoal que não tem um pouco de hipocrisia?). Isto porque não só saborear com atenção a comida vale a pena, mas também, porque a luz baixa não é propriamente amiga das objectivas de smartphone. 


Em segundo lugar, a dona e cozinheiros do Qosqo são mesmo peruanos, pelo que estamos safos das "reinterpretações", "reincarnações" e "actualizações" de comida do mundo com "um toque português". Isto viu-se logo no primeiro prato que pedimos, o "Ceviche Clássico". Um simples prato de garoupa aos cubos, banhada em sumo de lima e cebola roxa e acompanhada de batata doce ("camote"), milho peruano ("choclo") e picante peruano chegou à mesa e logo à primeira garfada percebi que o equilíbrio que procurava há tanto tempo tinha sido atingido. Não sei explicar, mas parecia que a acidez inicial do molho cedia logo lugar à frescura do peixe e dava depois ao picante a palavra final. Em suma, o melhor ceviche que já comi.


Foi também pedido um "Tiradito de Maracuyá" que mais não é do que uma sequência de lâminas de atum fresco marinado em sumo de limão e molho de...sim, adivinharam, maracujá. Não tão impressivo como o ceviche, foi ainda assim uma excelente forma de complementar a sua acidez natural.


A acompanhar este primeiro duo de pratos esteve outro de piscos sour. Não sou grande fã de cocktails ou misturas (pelo menos desde aquela Viagem de Finalistas, em 2007), mas as proporções que são tidas em conta na preparação destes piscos (quase mais pisco que sour) e o preço praticado no Qosqo tornam-nos absolutamente irresistíveis.


Por fim, o último prato que experimentámos elevou ainda mais o nível. Refiro-me ao "Tártaro de Quinoa com Atum Grelhado". Misturado com tomate e abacate, este tártaro teve o condão de mostrar a um carnívoro inveterado como eu que a comida fit até é boa e só é prejudicada pelo marketing (e pricing) que dela se faz. Uma vez mais, é como tudo na vida, são as pessoas que dão cabo das coisas. O prato estava tão bom, tão bom, que até me esqueci de o fotografar. Nos dias que correm, pensem bem no que isto significa.


Uma última palavra para o espaço, o ambiente e o serviço. A grande vantagem, como aliás na grande maioria dos sítios em que se come bem, é que as pessoas não estão ali para impressionar ninguém através de artifícios estético-teatrais. Assim, um serviço próximo e atento complementa uma cozinha já de si calorosa, um espaço com iluminação ideal para jantar a dois e um preço mais do equilibrado para a qualidade e quantidade apresentada. Provavelmente passará outra vez algum tempo até voltar a comer ceviche, mas desta vez já sei onde tenho de ir.