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Restaurante Erva

Restaurantes, Português Sete Rios/Praça de Espanha
3 /5 estrelas
Erva
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©Manuel Manso
Erva
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Fotografia: Manuel MansoRestaurante Erva
Erva - Vaca da Cabeça aos Pés
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Fotografia: Manuel MansoVaca da Cabeça aos Pés do Restaurante Erva
Erva
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Fotografia: Manuel MansoRestaurante Erva
Erva - Tempura de Bacalhau Fresco
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Fotografia: Manuel MansoTempura de Bacalhau Fresco do Restaurante Erva
Erva - Cocktail Chá das Cinco
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Fotografia: Manuel MansoCocktail Chá das Cinco do Restaurante Erva
Erva
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Fotografia: Manuel MansoRestaurante Erva

A Time Out diz

3 /5 estrelas

O Hotel Corinthia, em Sete Rios, remodelou completamente o seu restaurante de cozinha tradicional portuguesa. Chama-se agora Erva e aposta na sazonalidade. Um hotel cujo restaurante está no piso térreo e tem acesso para a rua tem meio caminho andado para não ser só mais um restaurante de hotel. O Corinthia, em Sete Rios, aproveitou isso mesmo para criar um novo restaurante, de cozinha portuguesa contemporânea.

Crítica

O primeiro pensamento foi para o decorador: o sítio parece um bosque, com plantas a sério, e isso é cada vez mais raro e bonito. O segundo pensamento foi para a pessoa que tem de regar aquilo: são muitas dezenas de vasos, talvez centenas – e pode bem ser que o Erva seja o primeiro restaurante do mundo com um jardineiro na equipa.

Adiante. Estamos em formato de restaurante de hotel, no caso o Corinthia, um mastodonte classificado com 5 estrelas,
 em Sete Rios. Normalmente isso não é bom, mas aqui o espaço fica no rés-do-chão,
 com entrada própria. O cliente autóctone não se sente tanto a entrar em território estrangeiro sem passaporte, como acontece noutras unidades hoteleiras da capital.

Só à segunda tentativa é que 
lá conseguimos comer, todavia. Da primeira vez, ao jantar, apanhámos a inauguração de uma exposição e a recepcionista estava às aranhas sem saber quantos lugares iam sobrar
 para passantes. “O melhor é voltarem noutro dia”, acabou por recomendar. Voltámos.

Outro dia, agora ao almoço. A refeição começou com
uma pergunta de escola de hotelaria. “Serviço de pão?” Claro. O serviço de pão vem com pães da Gleba (a padaria mais requisitada pelos chefs), vários e variados – broa de centeio, de milho branco, de avelã, de figo, de trigo – quase todos bons, à excepção do de avelã, com o fruto seco rançoso, sendo que estamos na época da avelã. A acompanhar, duas manteigas, uma de leite de vaca com citrinos, outra de ovelha, maravilhosa.

Seguiu-se depois um snack, “batatas bravas com tártaro
 de lulas e crème fraîche de lima”. Conjunto gostoso, mas não perfeito: a batata sem crocância, mais cozida que frita, tentáculos fritos também sem crocância e outros em tártaro, um crème fraîche de lima que parecia amostardado.

Calhou bem a entrada que se seguiu, o grande momento da refeição: “Carapau, salada algarvia com tomate e beterraba”. Comecei por torcer o nariz: os tomates foram em Agosto e, vá lá, Setembro. Mas quando pus o peixe à boca, que maravilha: cozinhado no ponto, gordo, suculento. O chef Carlos Gonçalves tratou-o muito bem, sobre um sumo de tomate aromático e fresco, acolitado por tomates cereja já sem expressão, como era de esperar, secundários perante o esplendor do peixe.

Os nossos governantes, em tempos, andaram a tentar vender a cavala como um peixe sustentável e incrível. Enfim, cavala é bom e há muita no mar. Mas o primo carapau é melhor, tem menos espinhas e
 é dos raros bichos marinhos que praticamente só se encontram na costa portuguesa. Talvez por isso
 a tradução do peixe na ementa do Erva esteja errada, aparecendo como “mackerel”, ou seja, cavala, quando carapau em inglês é “horse mackerel”. Eu sei que pode dar mais trabalho a explicar – e por isso se tenha optado por indicar um peixe parecido, que os estrangeiros conhecem – mas, caramba, está aqui uma boa história para contar aos camones, e comida com boas histórias é melhor.

Outra boa história é a da raia. 
Há raia em todo o mundo. Mas os portugueses são experientes no assunto, sobretudo no Algarve.
 No Erva fazem-na com alcaparras
 e azeitonas, receita clássica e maravilhosa. Pena a comida 
ter chegado esfriada. O mesmo aconteceu, aliás, com a “vaca dos pés à cabeça”, um óptimo prato. A carne a misturar chambão e língua, tudo num rolo em fiapos e pedaços, com cogumelos e puré de pastinaca em redor.

A terminar, uma sobremesa terrível. Pedimos o que nos
 pareceu mais extravagante e fomos penalizados com o pior doce dos últimos anos, num restaurante com ticket acima dos 40 euros. “O queijo de cabra da região da Maçussa, com alperce, limão e avelã”, pela módica quantia de 8,5 euros, era de uma intensidade tonta, sem qualquer harmonização entre os elementos.

Tudo isto aconteceu numa mesa junto à cozinha aberta, muito bonita, onde quatro rapazes de barba exerciam. Gosto de cozinhas abertas, mas a minha companheira fez um comentário pertinente, como sempre: “Eles não devem gostar”. Ora, então porquê? “Nem podem mandar uma caralhada se lhes cai uma frigideira no pé ou assim”. É uma maneira de olhar para a coisa. Outra maneira: “De qualquer forma, isto dá-lhes palco”, contrapus. “Devem cozinhar com mais brio”.

Falei e olhei para os semblantes dos rapazes. Não se notava grande alegria no trabalho. Mas sobre isso nada a dizer. Quem viu Roger Federer a jogar – ou Ronaldo ou Michael Jordan – sabe que um homem focado e competente, quando está no ofício, não sorri. Ou podem ser só tímidos.

Já quanto ao empregado
de mesa, a conversa é outra.
 O seu ofício é também isso. Ter alegria, ter simpatia. E o nosso empregado, com fatiota de chef de sala, esteve sempre com cara de pessoa a lidar com uma ressaca de whiskey filipino. Foi tudo mau. Não sabia que pães vinham no “serviço de pão” e, quando questionado, despachou e despachou mal: “São de trigo, são vários, variam”. Já na entrada, apesar de termos indicado que íamos partilhar tudo, só o carapau veio servido em pratos separados: os seguintes foram atirados para o centro da mesa, sem pratos aquecidos, sem explicações. Perguntado sobre o prato de carne, por exemplo, nada conseguiu adiantar; foi saber, visivelmente contrariado, e voltou para comunicar uma alarvidade, que a carne era “estufada só com pimenta preta”, e insistiu na alarvidade. Tanto mais grave quanto a carta é muito curta.

O Erva tem coisas boas. É muito bonito e confortável, aposta em bons produtos, tem pratos óptimos. Mas usa e abusa do forno tipo Josper (o brinquedo dos chefs) para cozinhar e aquecer comida e quase tudo parece de facto reaquecido. E tem uns empregados a servir que estavam mesmo bons era para... regar plantas.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Editores da Time Out Lisboa

Publicado:

Detalhes

Endereço Avenida Columbano Bordalo Pinheiro, 105
Lisboa
1099-031
Preço 30 a 40€
Contato
Horário Qua-Dom 12.30-15.30/19.00-01.00
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