Sé da Guarda

Restaurantes, Português Oeiras
4 /5 estrelas
5 /5 estrelas
(3comentários)
Sé da Guarda
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Sé da Guarda - Cozido
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Cozido da Sé da Guarda

O melhor peixe frito da Grande Lisboa come-se num pequeno lugar em Algés. Fomos lá e ficamos encantados com isso e com tudo

Crítica

O Sé da Guarda é um desses restaurantes que eram 
tascas e passaram a snack bar às mãos dos agentes comerciais das marcas de bebidas. Parece uma arrecadação para onde atiraram todo o merchandising da Super Bock dos últimos 20 anos, de posters a relógios luminosos. Acresce que, nas paredes, o que não foi poluído com brindes já estava poluído com azulejaria diversa, ora de temática religiosa e campestre ora de cariz contemporâneo (painéis que parecem sobras do WC do recuado de uma moradia).

Uma desgraça. Sem nenhuma importância.

Só um profissional da contemplação e da escrita é que se lembra de registar isto. Perante o melhor peixe frito da Grande Lisboa, acompanhado pelo melhor arroz de grelos da Grande Lisboa, ninguém olha para a decoração. Sei de pessoas que saem de lá a dizer que estiveram no paraíso. Ficam cegas, ficam saciadas, ficam felizes.

A culpa é da comida, claro. No meu caso, em particular, a culpa foi do cachucho. Foi pelo cachucho que entrei no altar da Sé.

O cachucho é um peixe injustamente desprezado pela restauração e pela cozinha doméstica. Na praça, custa meio dúzia de euros por quilo, e é certo que não andou a comer farinhas de aquacultura. No Sé da Guarda fritam-nos com um polme fino e sequíssimo, crocantes por fora, húmidos por dentro, sem óleo queimado (raridade), os lombos inteiros e brancos.

Ando quilómetros por causa do cachucho, mas vou lá também por outras coisas.

Pela fritadeira passam ainda petingas, carapauzinhos, pescadinhas de rabo na boca, raia, choco, tudo fresco e passível de escrutinação em vitrina. Nos dias maus, acompanha-se com arroz de tomate ou feijão frade com cebola e salsa, nos dias bons trazem arroz de feijão ou arroz de grelos feitos no momento, malandrinho, o carolino no ponto.

O truque é dar uma olhada na página do Facebook, actualizada pelas 10h30 com os pratos do dia, e ir muito cedo (abre às seis da manhã, não exagere) que a casa enche e nem o mercado de Algés, mesmo ao lado, desvia a clientela fiel, tratada pelo nome ou por “amor”, “fofinha” e “minha querida”.

No dia em que escrevi isto a lista tinha duas dezenas de entradas, entre elas pezinhos de leitão de coentrada com batata frita (palitos dourados e hirtos), iscas, frango de cabidela, cabeça de garoupa – fora os peixes para grelhar, de salmonetes a chocos pequenos, passando por carapaus, ovas e peixe espada preto.

Depois das cinco da tarde, abre o período dos petiscos e entram em cena as caracoletas assadas, os caracóis, bacalhau assado, morcela assada, pica-pau, camarões ao alhinho, amêijoas
 e cadelinhas.

A responsável máxima 
por tudo isto é a Dona Rosa, proprietária e cozinheira, sempre com um olho no tacho e outro no serviço. Muitos clientes acorrem à porta da cozinhaparaacumprimentar sendo logo escorraçados pela filha, empregada na sala, uma galhofeira de voz quase tão penetrante quanto a sua simpatia.

É raro escapar-lhe um pedido ou uma cortesia,
 as azeitonas com orégãos aparecem na mesa quando 
têm de aparecer, desaparecem quando têm de desaparecer, a loiça vai e vem com uma fluidez impressionante, e isto num sítio aparentemente caótico e sem logística nem protocolo, feito de muita experiência e amor.

No balcão está o pai, Zé Maria Esteves, figura que completa 
o núcleo familiar, todo ele migrado de Valença do Minho. Do Minho?? E a Sé? E a Guarda? “Os antigos donos é que eram da Guarda. Nós viemos para cá há uns 35 anos mas deixámos ficar o nome”, explica a filha.

Isto é bonito.
E é barato.
E é bom.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Nome do local Sé da Guarda
Contato
Endereço Rua Sport Algés e Dafundo, 16
Lisboa
1495-024
Horário Seg-Sáb 06.00-21.00
Transporte BUS 750, 751
Preço Até 20€
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Na Sé da Guarda a devoção é imensa. Crentes na boa cozinha fazem fila à porta da Igreja. Para aplacar semelhante crença, nem que seja o balcão. Comeram-se lulas nesta ocasião, que se devoraram em oração. Está lá tudo (a azáfama, os empregados castiços). 3 estrelas no guia Mix-lan

tastemaker

Não aceita reservas, mas senta meia dúzia ao balcão! Não tem multibanco mas tem dos melhores petiscos de Alges, Lisboa e arredores :) caracóis, moelas, pica-pau... sardinhas, lombo ou carapau! É tudo óptimo! E as sobremesas das caseiras e verdadeiras! Hum... vão cedo e terão um óptimo repasto. A voltar, a repetir!