Segundo Muelle

Restaurantes Cais do Sodré
4 /5 estrelas
4 /5 estrelas
(5comentários)
Segundo Muelle
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Segundo Muelle
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A febre do ceviche prolifera e a prova é este novo restaurante de origem peruana e ambição mundial. Fomos lá almoçar e contamos-lhe tudo

Apicius escreveu longamente sobre a conservação de peixe com ácidos (não desses). A técnica haveria de refinar-se no escabeche andaluz, que depois viajou para as Américas. Segundo alguns historiadores, terão sido os colonos espanhóis a espalhar a receita, e
as laranjas amargas de Sevilha e as limas dariam origem às marinadas do Peru, país que hoje é mais conhecido pelo ceviche do que pelo Machu Picchu.

Tudo isto pode ser só eurocentrismo primário, mas a verdade é que os tugas aderiram ao ceviche nos últimos anos como se o comessem desde antes de Cristo. A moda do sushi teve resistências, a carne maturada teve resistências, mas sobre o ceviche nunca se ouviu um reparo, um enjoo, um desgosto.

Daí que a sala semivazia deste Segundo Muelle me tenha deixado depéatrás. Partedajustificação pode estar nisto. Apesar da luz a rodos e da decoração moderna
de adornos marítimos (forte tendência na restauração lisboeta em 2016), pressente-se aquilo
que o Segundo Muelle é: uma marca internacional franchisada. Talvez porque tudo esteja no
sítio, demasiado arrumadinho,
ou então por causa do menu extremamente explicativo
e profissional, fica a ideia de
uma cadeia cara e sofisticada,
mas de uma cadeia. O que, não importando para as papilas, nos faz sentir num sítio banal e faz-nos sentir mais pobres.

Ainda no terreno das apresentações, não ajudou
que o empregado tenha sugerido um cocktail de
sangria para acompanhar o
que previsivelmente seria uma refeição de ceviche. Uma coisa estúpida que foi aceite por mero dever profissional de aceitar todas as coisas estúpidas quando propostas veementemente
pelos empregados. Não é fácil emparelhar ceviche com bebidas alcoólicas, mas associar peixe a um docinho líquido e enjoativo faz crescer as receitas do sítio mas diminui drasticamente o prazer de comer peixe.

Peixe esse que até estava bom. Tanto assim que a minha amiga, embora a curar uma ligeira intoxicação alcoólica, gostou
 do shot acídulo do piqueo tres cebiches (24,5€) – e eu idem. O prato traz uma porção de cada receita, tendo sido o tres ajies, amarelecido com um molho de pimentos ají, o que mereceu mais aplausos. Logo a seguir no pódio ficou o cebiche Norteño, com o clássico leche de tigre, à base de caldo de peixe. Por fim, o da casa, com lâminas de polvo e um molho amaionesado.

O peixe branco usado foi pampo, que me pareceu sensaborão, perdendo por exemplo para a habitual corvina.

A acamar esta acidez veio de seguida o prato que o empregado apresentou como o “bestseller se assim podemos dizer” da carta.
O risoto de quinoa com lombo de novilho estava cremoso, o grão ligado por molho à Huncaína, típico do norte do Peru e feito
de queijo fresco, alho e pimento ají amarelo(17€). Só para tirar teimas sobre a boa qualidade da comida, concluiu-se tudo com a causa Segundo Muelle (13,50€), de puré de batata aromatizado com lima, uma camada de carne de sapateira, por cima molho à chorrillana (espécie de escabeche, com ajíes, claro). Saboroso.

Havia ainda muitas mais possibilidades, numa ementa que é uma espécie de peruano para todos os povos, contemplando desde massas a sushi com fusões andinas, passando por tártaros e até por uma salada mediterrânea.

Agora, quanto vale isto? Cheguei ao fim deste texto com muitas dúvidas sobre quantas estrelas dar. O restaurante não é acolhedor, mas tem um bom ceviche. Tem um preço alto, mas também tem um óptimo risoto de quinoa.

Recorra-se aos critérios. A comida valeu quatro. O serviço valeu três. O espaço e o ambiente valeram três e meio.

Arredonde-se. Espere-se o melhor.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Nome do local Segundo Muelle
Contato
Endereço Praça D. Luís I, 30 - Loja 4 B
Lisboa
1200-148
Horário Dom-Qui 12.00-00.00, Sex-Sáb 12.00-01.00
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Não tinha por costume aventurar-me por cozinhas do mundo, mas a verdade é que as referências a este restaurante pediam uma visita e lá decidimos ir experimentar os sabores do Peru.

Localizado no epicentro da noite Lisboeta, com uma decoração moderna e requintada, tudo correu muito bem à excepção do serviço (deixemos o menos bom para o fim).

O objectivo era partilhar vários pratos e então foi nesta linha que decorreu toda a visita. O trio de ceviches que serviu de mote inicial estava delicioso, equilibrado e executado na perfeição. Claramente um dos melhores pratos de ceviche que já tive a oportunidade de experimentar em Lisboa.

De seguida veio o risotto de quinoa e o linguini que, apesar de muito bons, não estavam ao nível das entradas.

A refeição foi acompanhada por pisco sour, what else?

Bem, vamos então falar do serviço. Assim que chegámos ao restaurante, indicaram-nos para uma mesa que ainda não estava pronta para nos receber (apesar de existirem muitas outras disponíveis e arranjadas). Foi necessário um longo compasso de espera (e muitos empregados passarem por nós, de pé, à espera, sem fazer qualquer pergunta) até que nos sentássemos. Podíamos pensar que tinha sido um pequeno percalço ou descuido inicial, mas, infelizmente, não. Os nossos pedidos vieram sempre incorrectos para a mesa, onde o tempo de espera foi a duplicar porque era sempre necessário mandar para trás até vir o pedido correcto. Tudo isto sem um pedido de desculpa por parte do empregado ou de alguém em nome do restaurante.

Gostei muito da comida (e daí esta nota) mas o serviço foi muito pobre. O que num espaço como este, não é aceitável. 

Tastemaker

Localizado junto ao movimentado Mercado Time Out, este estabelecimento prima por ser um espaço requintado, bem decorado. Há privacidade entre as diferentes mesas, ninguém se atropela.

A simpatia e a disponibilidade dos assistentes de mesa é um ponto positivo.

Os ceviches são, para mim, dos melhores da cidade. Aconselho as pessoas a partilharem diferentes pratos, por forma a poderem provar as mais variadas iguarias.

A tarte de lima foi uma agradável surpresa. Sem dúvida, um restaurante a repetir.


tastemaker

Vou todos os meses a este restaurante. A comida é indescritivelmente deliciosa. Os piscos derretem-se na boca e penso já ter provado todos os pratos do menu. Sobremesas incluídas. Nem saberei o que recomendar. Façam como eu e experimentem… TODOS! Uma ótima carta de vinhos para quem não vai de modas com as bebidas Peruanas. Um bem-haja aos funcionários que gostam tanto de la estar como eu! Caso contrário não seriam tao simpáticos e profissionais. Não experimentar estes sabores, tao delicados e gourmets é uma perda no vosso palato! 

tastemaker

Simplesmente divinal! Fui a este restaurante logo pouco tempo depois de abrir e surpreendeu-me bastante pela positiva!

É um tipo de restaurante diferente de toda a oferta em Lisboa, especializado em comida peruana com pratos muito originais e saborosos.

Neste tipo de restaurantes gosto de experimentar vários pratos, de modo a tirar o melhor partido da refeição. Comi um ceviche norteño, de peixe branco e um molho fantástico - típico do Perú, e um tártaro de salmão com abacate delicioso. 

Os preços são um pouco elevados mas a qualidade da comida justifica. Experimentei ainda um cocktail de pisco, tradicional e imprescindível quando se come este tipo de comida. Fiquei mesmo muito satisfeita.

A localização também é fantástica, mesmo no centro do Cais do Sodré e até tem esplanada para as noites mais quentes. A decoração é moderna e muito clean.

Tastemaker

ATENÇÃO: isto é um 4.5 e não um 4...que não passa despercebido...e ainda bem! :)


Numa das esquinas do jardim que “acolhe” o mercado Time Out, em pleno Cais do Sodré portanto, as atenções dos que passem por aqui dificilmente não se dirigirão para o Segundo Muellle pela “impunência” da coisa. Um espaço muito bem escolhido, muito bem pensado, com uma decoração feita por alguém com muito bom gosto e que foi perfeitamente encastrada num prédio lindíssimo…parece que tudo finalmente ficou em sintonia naquela esquina. Os muito e grandes vidros não escondem o interior do espaço a quem passa na rua, mas a elevação do piso torna o restaurante um tanto ao quanto privado.


A curiosidade era grande…mesmo não conhecendo a história da cadeia. Quando começamos a ver rankings a disparar…o pensamento é “é agora ou nunca”. E foi assim que num dia de semana fui visitar o que alguns descrevem como o melhor peruano da cidade. Não estava demasiado cheio (uff), fomos bem recebidos e sem grandes esperas para entrar.  


Começamos por ler a carta e perceber que existem já 18 restaurantes nesta cadeia espalhados por países como por exemplo Peru, Costa Rica e Panamá. Lisboa foi a mais recente aposta do dono.

Reltivamente à comida, no geral pratos com ingredientes muito frescos e combinações que ficam na memória! Recomendo: Ceviche Segundo muelle e Risoto de quinoa com lombo de vaca (a estrela desta noite). Fiquei curiosa com os tártaros e outros ceviches mas novas oportunidades surgirão.


O atendimento foi simpático e o esforço em fazer um bom trabalho era notório….No entanto falta prática e falta tornar o serviço em algo mais natural e discreto. Apesar disso, recomendo vivamente a visita pois a comida compensa e acredito que as falhas vão ser superadas. Não é barato mas acho que valeu o que pagámos.