Taberna da Esperança

Restaurantes, Português Estrela/Lapa/Santos
4 /5 estrelas
4 /5 estrelas
(1comentário)
Taberna da Esperança
1/3
Taberna da Esperança
2/3
Taberna da Esperança
3/3

Sempre achei ingrato herdar um restaurante. E não falo necessariamente daquela taberna que era do avô, passou pelos 
pais, e acabou nas mãos do filho mais ligado à causa, que agora a quer modernizar. Não. Falo de herdar um espaço no pleno da 
sua actividade, como a Taberna Ideal, e de uma marca que tinha peso na cidade (com tanta gente 
a tratá-la pelo nome original, parece-me que ainda tem). Afinal, é impossível esquecermo-nos,
 nós lisboetas, que foi a primeira taberna de onda moderna/cool/vintage (riscar consoante aquilo com que menos se identifica) da cidade, um projecto disruptivo e talvez – pela mesma altura da Tasca da Esquina de Vítor Sobral –, das primeiras a sugerir os populares pratos para partilhar. Mesa nem sempre era fácil de arranjar, cair de amores por um prato era altamente proibido porque a probabilidade de ele desaparecer para sempre
 era muita e, em pouco tempo, o sítio tornou-se aquele restaurante bom para ir com amigos, bom para levar estrangeiros, bom para comer muito e pagar pouco.

Ora herdar um restaurante destes não deve ser pêra doce.
 A mudança, note-se, não é recente. Há uns anos saiu Susana Felicidade, a chef. Depois foi a
 vez de Tânia Martins e depois ainda mudou o nome: caiu o Ideal, nasceu o Esperança. Prenúncio do que desejava a nova gerência? Naaa... apenas o nome da rua. Até porque quem recebe atira logo: “Já conhece o nosso conceito?; “Conhecia o antigo espaço?”; “Está tudo quase igual.” Está tudo parecido, sim, menos os preços, já mais altos para responder à procura turística da zona, com airbnbs porta sim, porta sim, e a composição da sala, apenas com meia casa num sábado à noite.

O menu é semelhante ao antigo. [Quero apenas frisar que não fui eu quem decidiu jogar ao Descubra
 as Diferenças, a proposta veio mesmo de quem atende: “No final, diga-nos se achou que estava muito diferente”.] Há tibornas, outros petiscos de índole portuguesa, há saladas e pratos para dividir que mudam com frequência.

Para abrir, uns 10 minutos depois de eu a minha companhia nos termos sentado – o serviço 
foi de uma rapidez, simpatia 
e conhecimento raras vezes avistados nos dias que correm – chegaram à mesa uns ovos com alheira de caça (8,70€). Bons pedaços do enchido envolvidos com os ovos, estes no ponto, bastante cremosos. Ao lado, uma fatia de pão torrado ao de leve e com manteiga, já mais banal.

Ia eu ainda na terceira garfada de ovos e veio a salada de queijo da Ilha (9,80€). O Instagram chamar-lhe-ia bowl, eu chamo-lhe apenas uma boa salada com queijo da Ilha servida numa tigela. A folhagem de várias alfaces pareceu-me industrial, mas isso não apagou 
a qualidade do conjunto. Queijo picante q.b., fatias de manga madura, fatias de maçã, avelãs em pedaços e um molho vinagrete a casar bem com tudo.

Estava eu quase a acabar a salada quando veio o choco frito com arroz de berbigão (19,80€). Frito no ponto, no meio caminho entre a fritura convencional e a tempura, e sem excesso de óleo. Ao lado, um arroz de berbigão interessante, base de tomate, o bicho pequenino ainda em concha e mais pedaços de choco. Bom.

A coisa só correu mal nas sobremesas. Um pijaminha, sugestão da ementa, com mousse de chocolate com medronho e tarte de queijo de cabra com mel (6€). A mousse, e não me tomem por esquisita que gosto de um bom cálice de medronho, tinha excesso da bebida, sendo mais medronho com chocolate que o oposto; a tarte, novamente não me tomem por esquisita porque me pelo por um bom queijo, tinha excesso de queijo, apenas balançado com um fio de mel no topo e uma base de bolacha. Ou seja, em vez de sobremesas, parece que saltei directamente para a parte dos queijos e digestivos.

Veredicto final: continua a ser um sítio simpático para ir jantar e ouvir uma colectânea de autores portugueses que pode muito 
bem ter saído do Top +, a servir petiscos e pratos bons (menos 
as sobremesas), que não trazem nada de novo, é verdade, mas o que fazem, fazem bem. Chega às quatro estrelas, também porque comer muito e pagar 60€ com garrafa de vinho, já não acontece em qualquer lado.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

Nome do local Taberna da Esperança
Contato
Endereço Rua da Esperança, 112
Lisboa
1200-658
Horário Ter-Dom 19.30-02.00
Preço Até 30€
É o proprietário deste estabelecimento?
Static map showing venue location

Average User Rating

4 / 5

Rating Breakdown

  • 5 star:0
  • 4 star:1
  • 3 star:0
  • 2 star:0
  • 1 star:0
LiveReviews|1
1 person listening
tastemaker

Sítio fantástico para degustar tudo de bom que a gastronomia nacional nos oferece. O espaço é bem castiço e marca pela decoração diferente e desigual (não há cadeiras, nem pratos iguais) que nos apresenta. A ideia é partilhar e experimentar um pouco de tudo e não há nada que nos desiluda. Como petiscos pedimos uma tiborna de queijo de cabra, ovos mexidos com alheira de caça e uns camarões fritos com tomate seco. Porções grandes e extraordinárias, qual delas a melhor. Como complemento, pedimos um lombo da casa. Absolutamente incrível, carne tenra e suculenta. O atendimento é muito familiar o que assenta que nem uma luva na experiência que esta taberna nos dá. Restaurante despretensioso que nos conquista pela qualidade da sua carta. Recomendo!


Opinião publicada na página do restaurante na Zomato.