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Tamawashi

Restaurantes, Japonês Grande Lisboa
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©Manuel MansoTamawashi
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A Time Out diz

4 /5 estrelas

A vida de Lisboa está bonita. Tem o casario e o Tejo, lojas de grife, hotéis onde nunca vamos dormir, um castelo altaneiro onde nunca vamos acordar. Mas quando a ideia é ir comer a um japonês, a paisagem interessa pouco. É-me mais ou menos igual estar num terraço do Chiado ou numa cave da Brandoa.

O que eu quero ver é o lírio dos Açores gordo, peças de toro marmoreado, triângulos de omelete tomogoyaki, carapau suculento. O que eu quero é apreciar a composição elegante do prato de moriawase: o pregado
em roseta, as meias rodelas de limão acamando a lula, os recantos com picles, os montículos de daikon e algas, a perfeição do corte. O que eu quero é comer bem e também quero que, no final, ao olhar para a conta, a digestão prossiga sem sobressaltos.

Com tudo isto cumpre o Tamawashi. O restaurante
fica num bairro residencial
de classe média da Amadora. É um bairro arrumado e contemporâneo, um sítio onde dorme muita gente que ainda só conhece a gastronomia dos gunkans e dos rolinhos e não sabe a sorte que tem à porta.

Apesar da localização periférica, estamos perante cozinha japonesa clássica e séria. Cozinha japonesa clássica e séria é uma coisa rara. Por todo o país, proliferam sushis de salmão e de Philadelphia, sushineses e sushiportugueses (os piores de todos). Mas sítios que saibam trabalhar peixe nacional e arroz, que façam 
o seu próprio caldo dashi e
 o seu miso, são meia dúzia. Tamawashi incluído.


A casa inaugurou em Julho de forma discreta. À frente do restaurante está um jovem chef brasileiro, vindo de Florianópolis, recebido em Portugal por Lucas Azevedo, ex-Bonsai e consultor do projecto no arranque. Chefs brasileiros costumam cozinhar sushi de fusão. Não é o caso: Celso Szczerba rege- -se estritamente pela escola tradicional e ética nipónicas.

Na meia dúzia de visitas que fiz, encontrei sempre peixe excelente. Peixe excelente não é só peixe a sair da lota, 
nem só peças premium. É
 peixe bem trabalhado. Celso
 é particularmente cuidadoso com o atum, que procura ser da espécie rabilho com residência nas águas do Algarve, o mais exclusivo – e caro – do mercado, normalmente com bilhete de ida para o Japão, sem escalas.

Prova disso foi o akami que comi num jantar recente.
 A parte mais vermelha do atum – e menos nobre – estava absolutamente perfeita: brilhante como um espelho, 
a consistência notável, na boca sem as habituais notas metálicas e sanguíneas. O truque não está na frescura, mas na maturação. Celso deixa a peça cinco ou mais dias em frio, coberta com papel vegetal renovado regularmente. Essa maturação permite que a carne suavize, relaxe e perca o excesso de sangue.

Estes cuidados estão em muitas outras coisas no restaurante. Nas entradas, temos o takoyaki (bolas de polvo panadas com katsuobushi, flocos de 
bonito seco); croquetes de pato; o ika mentaiko (lula
 em juliana com ovas de bacalhau); gyosas de porco preto (raviólis totalmente feitos na casa, da massa ao recheio, magnificamente caramelizados); ou os cogumelos shitake com óleo de trufa e ovo.

O menu também tem depois os clássicos todos do peixe cru: ura makis, futo makis, combinados, sashimi, sushi, niguiris. E nas sobremesas destaca-se o cheesecake de tofu com yuzu; a fresquíssima anmitsu, com gelatina de ágar-ágar e frutas; e o pudim Abade Priscos de Miguel Oliveira, aqui acompanhado de gelado salgado de miso, caseiro.

A carta de bebidas é seleccionada, com referências nas gamas média alta e alta, mas faltando opções mais 
em conta. Os sakés também têm boa representação dos premium e a hipótese de pedir a copo. No final, saímos felizes porque comemos bem e porque gastámos pouco. Para se ter uma ideia, há duas semanas gastei 40 euros ao almoço num bom restaurante japonês do centro de Lisboa. Dias depois, neste Tamawashi, situado num bairro residencial da Amadora, paguei 25 euros por uma refeição idêntica.

Acresceram à conta do restaurante lisboeta três 
euros de parquímetro e mais quatro euros de combustível, correspondentes a um trajecto de 20 minutos de carro dentro da cidade, em regime pára-arranca. Para o Tamawashi, por sua vez, a viagem foi tranquila como um cruzeiro (fora da hora de ponta, pelas vias rápidas), sentou-me à mesa em apenas 15 minutos (custo de combustível: 1,5 euros) e paguei zero euros pelo estacionamento (à porta). Tudo somado, no japonês de Lisboa a despesa total foi de 47 euros; no da Amadora paguei 26,5 euros – menos 20,5 euros.

De resto, no Tamawashi, pode-se também sempre optar pelo menu de almoço, ainda mais económico. Por nove euros, come-se um pratinho de sashimi ou sushi de entrada, sopa de miso, gohan (arroz branco), salada e o prato do 
dia. Já me calhou mista de
furai (peixes fritos em farinha panko); uma kamo soba (massa de trigo sarraceno) com peito de pato; barriga de porco cozinhada lentamente; e lombo de salmão com molho agridoce e espargos.

Está-se bem na Amadora.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Alfredo Lacerda

Publicado:

Detalhes

Endereço Avenida Canto e Castro, 2 B
Vila Chã
Amadora
2700-782
Preço 20-25€ (menu de almoço 9€)
Contato
Horário Ter-Sáb 12.00-15.00/19.00-23.00
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