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Tasty Noodles

Restaurantes Alvalade
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A Time Out diz

Foi com medo que me estreei no Tasty Noodles, talvez ainda em 2018. À primeira vista, ninguém: zero clientes, zero empregados. Até que ressoou um resmungar indecifrável ao fundo, um eco rabugento aproximando-se como quando a funcionária do gimno-desportivo nos apanhava a saltar nos trampolins fora do horário curricular e vinha de lá de onde vêm as funcionárias com a vassoura na mão, “fora daí”.

Percebi rapidamente que não era antipatia da senhora do Tasty Noodles. A língua chinesa tem um balanço que pode parecer rispidez, mas é só a língua chinesa a ser a língua chinesa. A prova é que a sua bondade viria a revelar-se imensa.

Certo dia, por exemplo, chamou-me para ver o cozinheiro a tender a massa dos noodles – uma arte rara e artesanal, porventura só praticada por três ou quatro cozinhas chinesas em todo o país; e foi sempre com extraordinária paciência que se prestou aos meus caprichos, como a insistência em molhar os guo tie (raviolis caseiros selados na chapa) numa mistura de soja e vinagre de Chekiang, tal qual se fazia no saudoso clandestino do número 64 da Rua do Benformoso, ao Martim Moniz.

Ao longo dos últimos três anos, boa parte dos meus almoços foram passados com a senhora Tasty, só nós dois nessa tensão de restaurante silencioso e parado. Ela de pé com as mãos atrás das costas; eu revezando-me entre o jogo de futebol na Sport TV e contas de cabeça sobre a racionalidade financeira da restauração – no final, a mesma conclusão: é preciso vender muitos ramen de vaca com piri-piri (7,90€, uma maravilha) para cobrir o preço do metro quadrado das rendas em Alvalade.

Hoje em dia, o Tasty está mais animado, por vezes só semi-vazio. A palavra espalhou-se sobre “o ramen chinês ao lado do Yokohama” (o vizinho sushinês, sempre cheio, buffet com rolinhos variados e chapa tepaiaki forrada a margarina). Há um grupo de indefectíveis que vai ocupando os sofás à la diner americano, alguns suspirando por se ter abandonado o ramen de entrecosto, eu inclusive.

O confinamento tornou o restaurante também popular no online. O Tasty é, agora, um campeão das plataformas de take away e delivery, como atesta a quantidade de motoboys estacionados em frente da porta.

A vertente da comida para fora é tão forte que estão sempre alinhados sobre as mesas vários saquinhos da Uber, prontos a encher de chop soey – mas também de pato assado, galinha com amendoins, massa de arroz com gambas (bem boa), legumes salteados com shitake (impecáveis) ou arroz chao chao com gambas (guloso).

Quanto às sobremesas viajam pior. Fico sempre admirado pela arquitectura do gelado frito, essa maravilha da restauração chinesa ocidental que nos faz feliz desde a infância. E há aqui outra coisa decadente, mais rara: o leite frito. O que é o leite frito? Uma espécie de croquetes de Maizena. Bom? Claro.

Dito isto, é o ramen que nos agarra – ou melhor, os noodles chineses. Rijinha a massa, o caldo cheio de aromas a alho e ossos, pedaços de carne tenra mas com nervo (shot de colagénio) a desfazer-se, couve pak choi.

Na verdade, a palavra “ramen” é oportunista. Em rigor, ramen é outra coisa. Ramen foi uma sopa que os japoneses reinventaram a partir das sopas de massa dos chineses e que se tornou moda internacional. Mas os noodles chineses são também muito bons quando bem feitos. E custam bem menos do que o ramen japonês.

Vão lá. Espreitem. Se a sala estiver vazia, nada temam. Lá dentro, esconde-se um caldinho bom.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Detalhes

Endereço Rua José d'Esaguy, 1C
(Alvalade)
Lisboa
1700-266
Preço 10€
Contato
Horário Seg-Dom 12.00-15.00/19.00-22.30
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